Embaixada dinamarquesa reage a mapa provocativo dos EUA, reforçando laços na aliança atlântica e importância estratégica da ilha ártica para defesa coletiva

Brasília (DF) · 04 de janeiro de 2026
A Dinamarca reiterou sua posição firme em defesa da soberania sobre a Groenlândia, em meio a renovadas tensões com os Estados Unidos.
O embaixador dinamarquês nos EUA, Jesper Moller Sorensen, utilizou a plataforma X para enfatizar a necessidade de respeito à integridade territorial do Reino da Dinamarca e destacou a proximidade entre os dois países como aliados na OTAN:
“Apenas um lembrete amigável sobre os EUA e o Reino da Dinamarca: somos aliados próximos e devemos continuar a trabalhar juntos como tal. A segurança dos EUA também é a segurança da Groenlândia e da Dinamarca. A Groenlândia já faz parte da OTAN. O Reino da Dinamarca e os Estados Unidos trabalham juntos para garantir a segurança no Ártico. O Reino da Dinamarca aumentou significativamente seus esforços de segurança no Ártico – somente em 2025, destinamos US$ 13,7 bilhões que podem ser usados no Ártico e no Atlântico Norte. Porque levamos nossa segurança conjunta a sério“.
Essa declaração veio em resposta a uma postagem de Katie Miller, assessora política e esposa do vice-chefe de gabinete da Casa Branca, que compartilhou um mapa pintando a Groenlândia com as cores da bandeira americana, acompanhado da mensagem “Em breve”.
O episódio ecoa preocupações sobre intenções americanas na região ártica, onde o presidente Donald Trump tem defendido abertamente a aquisição da ilha para fins de defesa nacional.
No contexto atual, fontes dinamarquesas reportam um aumento nas discussões sobre o tema. Em dezembro de 2025, Trump nomeou o governador de Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial para a Groenlândia, uma medida interpretada como uma tentativa de fortalecer a influência americana na ilha.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, respondeu categoricamente, afirmando que “Grønland er ikke til salg” – a Groenlândia não está à venda. Essa declaração foi destacada em cobertura recente da TV2, que acompanha o desenvolvimento da crise.
A Berlingske tem mantido uma seção dedicada ao “Kampen om Grønland”, atualizando leitores sobre as implicações diplomáticas e estratégicas, incluindo análises de especialistas sobre as motivações de Trump.
A União Europeia também se posicionou, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, expressando solidariedade à Dinamarca e à Groenlândia durante visita a Copenhague em março de 2025.
Ela defendeu a suverania e a integridade territorial, em um discurso que ecoou preocupações globais sobre mudanças em fronteiras. A cobertura da Berlingske detalhou esse apoio, destacando o compromisso da UE com princípios da ONU.
Em maio de 2025, o alto representante da UE para assuntos externos, Josep Borrell, reforçou a necessidade de manter fronteiras , em debate sobre a Groenlândia, conforme reportado pela Jyllands-Posten.
Para compreender o cenário atual, é essencial revisitar o contexto histórico. Em 2019, Trump propôs pela primeira vez a compra da Groenlândia, citando razões de segurança nacional devido à posição estratégica da ilha no Ártico. A ideia foi rejeitada veementemente pela Dinamarca, com Frederiksen qualificando-a como absurda.
A DR cobriu extensivamente essa proposta inicial, incluindo entrevistas a bordo do Air Force One onde Trump reiterou seu interesse.
Essa oferta gerou debates sobre soberania e levou a um esfriamento temporário nas relações bilaterais, com Trump cancelando uma visita oficial a Copenhague. A Berlingske analisou em 2025 como as táticas americanas evoluíram desde então, passando de retórica direta para estratégias mais sutis, como a nomeação de enviados especiais.
Esses desenvolvimentos destacam a importância da Groenlândia não apenas para a Dinamarca, mas para a estabilidade no Ártico, onde mudanças climáticas e interesses geopolíticos se entrelaçam.
A Dinamarca continua a equilibrar alianças com os EUA enquanto protege sua soberania, com fontes locais enfatizando a unidade do Reino – que inclui Dinamarca, Groenlândia e Ilhas Faroé.
A evolução dessa disputa reflete tensões mais amplas em um mundo multipolar, onde recursos naturais e posições estratégicas ganham relevância crescente.

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