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“Não queremos substituir ninguém, mas provar que há mais de um caminho para o desenvolvimento”, afirma Dilma

    Ex-presidenta do Brasil e presidenta do NDB dos BRICS critica tarifas de Trump em evento de 10 anos da instituição, defendendo também o impulsionamento de financiamento climático

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    Presidenta do NDB dos BRIS, Dilma Rousseff, celebra os 10 anos do bloco, em evento no Rio de Janeiro |4.7.2025|Imagem reprodução


    RESUMO <<Dilma Rousseff, presidente do NDB, celebrou os 10 anos do Banco dos Brics no Rio, defendendo moedas locais, financiamento climático e criticando as tarifas de Trump como “subordinação política”. Lula apoiou, criticando a austeridade do FMI e propondo alternativas ao dólar. O evento reforçou a autonomia do Sul Global>>


    Rio de Janeiro, 05 de julho de 2025

    Dilma Rousseff, à frente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), marcou presença na 10ª Reunião Anual do Banco dos Brics, realizada no Rio de Janeiro, na sexta-feira (4/jul), reforçando a necessidade de um modelo financeiro global mais justo e sustentável.

    Em seu discurso, ela defendeu o uso de moedas locais para reduzir a dependência do dólar e criticou as sanções e tarifas impostas por Donald Trump, classificando-as como “ferramentas de subordinação política”.

    A líder destacou que o NDB, criado em 2014 na Cúpula de Fortaleza, busca autonomia para o Sul Global, promovendo desenvolvimento inclusivo e resiliente.

    O evento, que celebrou uma década do NDB, contou com a presença do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reforçou a crítica à austeridade imposta por instituições como o FMI.

    A austeridade faz o pobre mais pobre e o rico mais rico”, disse Lula, defendendo uma moeda alternativa ao dólar para facilitar o comércio internacional.

    A criação do Banco foi fundamental para fortalecer os países do Brics e o multilateralismo, e que os próximos anos serão decisivos, disse:

    O NDB, segundo ele, é uma resposta às condicionalidades que asfixiam economias emergentes, como a da Argentina.

    A instituição já aprovou 120 projetos, totalizando US$ 39 bilhões em financiamentos, com foco em infraestrutura verde e energia limpa.

    Dilma também enfatizou a urgência do financiamento climático, com o NDB destinando 40% de seus recursos a projetos de sustentabilidade, alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e ao Acordo de Paris.

    O mundo está mais fragmentado, desigual e exposto a crises climáticas, econômicas e geopolíticas”, alertou, criticando o unilateralismo e a assimetria do sistema financeiro, que sobrecarrega os mais pobres.

    A ex-presidenta defendeu uma nova governança global, com o NDB na vanguarda, promovendo “cooperação, igualdade e respeito mútuo”.

    Além das discussões técnicas, o evento teve momentos descontraídos. Durante o jantar no Roxy Dinner Show, Dilma Rousseff cantou, o prefeito Eduardo Paes dançou, e o diretor do Banco Central, Gabriel Galípolo, se divertiu, trazendo leveza ao encontro.

    A reunião também marcou a entrada da Argélia como membro pleno do NDB e o interesse de países como Colômbia, Uzbequistão e Indonésia, consolidando o banco como uma força multilateral.

    O NDB desafia o modelo tradicional de Bretton Woods, criticado por Dilma e Lula por impor condicionalidades rígidas.

    A instituição busca fortalecer a soberania financeira do Sul Global, financiando projetos sem as amarras de instituições ocidentais.

    Não queremos substituir ninguém, mas provar que há mais de um caminho para o desenvolvimento”, afirmou Dilma, reforçando a relevância política do banco em um mundo multipolar.


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