“Compartilho profundamente a visão da China, de que o desenvolvimento deve estar centrado no povo, no seu bem-estar, na melhoria da sua qualidade de vida“, afirmou a ex-presidenta do Brasil e atual presidente do NDB, em entrevista à Xinhua, em Shanghai – ASSISTA
@urbs.magna Dilma recebe Medalha da Amizade, das mãos de Xi Jinping, sob aplausos do Partido Comunista Chinês
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“A China alcançou em 75 anos uma modernização econômica, social, cultural e política sem precedentes na história“, disse Dilma Rousseff, presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e ex-presidente do Brasil, em uma recente entrevista exclusiva à Xinhua, em Shanghai.
Por ocasião do 75º aniversário da fundação da República Popular da China, o presidente chinês, Xi Jinping, assinou em 13 de setembro uma ordem presidencial para conceder medalhas nacionais e títulos honorários nacionais. Rousseff recebeu a Medalha da Amizade da República Popular da China, a mais alta honraria estatal da China para estrangeiros.
“Eu me sinto muito honrosa e orgulhosa por receber a Medalha da Amizade de um país que tem uma história milenar e que hoje obteve realizações tão importantes“, disse a presidente do NBD, ressaltando o grande significado de recebê-la antes do 75º aniversário de fundação da República Popular da China.
REALIZAÇÃO DA CHINA, MODELO DE DESENVOLVIMENTO PARA SUL GLOBAL
Ao listar as conquistas chinesas nestes 75 anos, a agraciada com a Medalha da Amizade ressaltou que “não podemos esquecer que a China alcançou uma modernização econômica, social, cultural e política sem precedentes na história“.
“Dificilmente em algum momento no passado um país conseguiu se transformar em 75 anos na segunda maior economia do mundo, no país que conseguiu elevar o nível educacional do seu povo para competir com os níveis dos países desenvolvidos, (no país) que lidera hoje em ciência e tecnologia e na aplicação de inovações em todos os campos e áreas, especificamente na indústria“.
Além disso, a presidente do NBD ressaltou a realização chinesa de retirar uma enorme quantidade de pessoas fora da pobreza.
“Compartilho profundamente a visão da China, de que o desenvolvimento deve estar centrado no povo, no seu bem-estar, na melhoria da sua qualidade de vida“.
Observando que os países do Sul Global têm uma trajetória parecida com a da China no passado, ela disse que a China funciona como uma certeza para os países do Sul Global, de que outro modelo de crescimento econômico, de desenvolvimento político, de desenvolvimento social é possível.
COMUNIDADE COM FUTURO COMPARTILHADO PARA HUMANIDADE
Quanto à construção de uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade proposta pelo presidente Xi Jinping, Rousseff disse que é uma ideia nova para a governança global e também contém uma visão diferente de globalização, sem protecionismo e com cooperação.
Ela elaborou que essa proposta é uma nova globalização que é feita em cima da cooperação, dos benefícios mútuos, contra o protecionismo, contra as políticas de sanções unilaterais, contra os bloqueios.
Para a ex-presidente brasileira, a Iniciativa Cinturão e Rota é uma prova da construção de uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade, pois é uma iniciativa que constrói infraestrutura de rodovias, ferrovias, portos, energia elétrica pelos países do mundo.
Rousseff acredita ainda que o Cinturão e Rota “é um marco“, pois ampliará a parceria comercial para mais áreas, como ciência, tecnologia, educação.
BONS AMIGOS DA MESMA OPINIÃO E PARCEIROS QUE AVANÇAM DE MÃOS DADAS
Em 15 de agosto, os presidentes Xi Jinping e Luiz Inácio Lula da Silva trocaram mensagens congratulatórias pelo 50º aniversário das relações diplomáticas entre a China e o Brasil. Na ocasião, Xi descreveu os países como “bons amigos da mesma opinião e parceiros que avançam de mãos dadas“.
“Essa descrição do presidente Xi Jinping demonstra seu grande poder de síntese e uma visão muito adequada do que deve ser uma relação entre países soberanos“, disse Rousseff.
Para Rousseff, a parceria de amizade sino-brasileira tem um significado muito importante, que é o respeito mútuo. “O respeito mútuo significa se nós nos tratamos como iguais, o que muitas vezes não aconteceu no mundo entre as relações dos países desenvolvidos do Ocidente com os países do Sul Global“, observou.
Desde 2009 a China é o maior parceiro comercial e uma importante origem de investimentos para o Brasil, que, por sua vez, é o maior parceiro comercial do país asiático na América Latina.
“Há uma presença da China cada vez maior no Brasil“, disse Rousseff, que acredita que a presença das empresas e do investimento chineses contribuiu para a industrialização e contribui para a reindustrialização do país.
“O Brasil e a China têm tido uma presença muito forte nos fóruns de meio ambiente, porque nós somos países comprometidos com a geração e a busca por energias alternativas para garantir que essa mudança do clima esteja contida. Eu tenho compromisso de contribuir para que essa relação sino-brasileira, de amizade, cooperação e benefício mútuo, se prolongue por esse século e os outros“, disse a homenageada com a Medalha da Amizade. ![]()
DILMA RECEBE MEDALHA DA AMIZADE DAS MÃOS DE XI JINPING
A entrega da Medalha da Amizade a Dilma Rousseff por Xi Jinping teve transmissão ao vivo, neste domingo (29/9), a partir do Grande Salão do Povo, em Pequim, local utilizado pelo poder legislativo do país para cerimônias e atividades da República Popular da China e do Partido Comunista Chinês. Toda a cúpula da legenda estava presente.
A honraria é a principal da China designada a estrangeiros e foi concedida pela primeira vez ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, em 2018.
Xi descreveu Dilma como “representante excepcional” dos “muitos velhos amigos e bons amigos que compartilham os mesmos interesses com o povo chinês, 75 anos depois” do estabelecimento da República Popular da China, que deu início ao regime comunista. A data será comemorada na próxima terça-feira, 1º de outubro. O presidente chinês afirmou que “o povo chinês nunca esquecerá aqueles que fizeram contribuições notáveis para o desenvolvimento da China e fortaleceram seus laços“.
Dilma era presidente quando recebeu Xi para a cúpula do BRICS, em 2014, ano em que o grupo formado à época por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul lançou o projeto do Novo Banco de Desenvolvimento e o CRA (Contingent Reserve Arrangement), um arranjo de apoio recíproco de liquidez – duas ações consideradas importantes para a institucionalização do bloco emergente, lembra a Folha de S. Paulo.
Declarando-se “profundamente honrada“, Dilma afirmou que a homenagem “é prova dos fortes laços entre nossos povos e países“. No final, a ex-presidenta do Brasil disse que “o povo da China e o povo do Brasil são amigos” e que reconhece “no presidente Xi Jinping um verdadeiro campeão da cooperação internacional e um forte defensor do multilateralismo. Sua liderança tem sido fundamental na promoção da governança global, no enfrentamento dos desafios e no estímulo a uma ordem internacional mais justa e equitativa“.
Segundo um analista da TV estatal, a declaração de Dilma sobre Xi Jinping e a China mostrou que os países em desenvolvimento mais importantes estão se levantando para expressar suas vozes.
Antes da homenagem de Xi Jinping a Dilma Rousseff, o veterano de guerra Huang Zongde desejou, em discurso, “que o Exército de Libertação Popular alcance novas e grandes vitórias“. O presidente chinês disse a ele que “mudanças tremendas aconteceram nesta grande pátria, e o grande rejuvenescimento entrou em um curso irreversível“.






