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Dilma fala ao ‘Global Times’ sobre relação entre a China e o Brasil com “futuro compartilhado”

    Temos muitos entendimentos comuns, por exemplo, em garantir um desenvolvimento que seja sustentável e proteja o clima, e um desenvolvimento centrado nas pessoas e contra as desigualdades”, disse a presidente do NBD do BRICS e ex-presidente do Brasil, em entrevista à mídia chinesa

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    A China e o Brasil se entendem em um mundo multipolar. Temos muitos entendimentos comuns, por exemplo, em garantir um desenvolvimento que seja sustentável e proteja o clima, e um desenvolvimento centrado nas pessoas e contra as desigualdades”, disse, ao ‘Global Times’, a presidente do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS e ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, durante a visita oficial do vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, à China, iniciada na terça-feira (4/6) e com fim previsto para este sábado (8/6).

    O importante neste momento é que nós [como países em desenvolvimento] possamos contribuir para a governança global e criar condições para a construção de uma comunidade com futuro compartilhado“, completou Dilma. A China e o Brasil construíram nas últimas cinco décadas uma relação estreita que é “complementar e integrada” em múltiplas frentes econômicas.

    Segundo a ex-presidenta observou, o intercâmbio político e econômico entre os dois países também é marcado pelo relacionamento crescente entre a China e a América Latina

    O jornal chinês lembra que este ano marca o 50º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre a China e o Brasil, e os dois lados concordaram em realizar a reunião do Comitê de Coordenação e Cooperação de Alto Nível China-Brasil para discutir a expansão da cooperação bilateral, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores da China.

    A China e o Brasil são parceiros estratégicos abrangentes. As relações entre os dois países registaram um crescimento contínuo e constante nos últimos anos, com visitas frequentes de alto nível, cooperação frutífera em diversas áreas e estreita coordenação em assuntos internacionais e regionais, estabelecendo um belo exemplo dos principais países em desenvolvimento trabalhando juntos em solidariedade para o desenvolvimento comum“, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, em uma coletiva de imprensa regular na semana passada. 

    Segundo Dilma Rousseff, existe também uma “marca” de cooperação regional que está moldando o desenvolvimento das relações bilaterais entre a China e o Brasil, diz a mídia. O ano de 2024 marca o 10º aniversário do estabelecimento do Fórum China-Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), um mecanismo marcante que facilita as relações China-América Latina em uma nova era, caracterizada por igualdade, benefício mútuo, inovação, abertura e benefícios tangíveis para as pessoas, exalta o texto, que prossegue:

    Dilma Rousseff observou que a China e o Brasil fizeram grandes investimentos comuns em áreas que incluem satélites e campos de energia, e a China investiu muito na exploração de petróleo bruto e gás natural no Brasil.

    Voltando ao ano de 2004, houve duas coisas importantes: a primeira é que o Brasil reconheceu a China como um mercado econômico após a admissão da China na OMC em 2001. A segunda é que uma empresa chinesa ganhou um contrato para construir uma área de 1.000 quilômetros de extensão. longo gasoduto que ligava o Sudeste do Brasil às regiões Nordeste“, disse Dilma Rousseff.

    Para a economia brasileira, a contribuição da China é muito importante, enfatizou Rousseff, segundo o ‘Global Times‘, exemplificada pelas enormes importações pela China de produtos proteicos brasileiros, como carne bovina, de frango e suína, bem como pelo investimento chinês em setores como nova energia, produtos farmacêuticos, produção de vacinas e biotecnologia – entre outras – que facilita o novo impulso de industrialização do Brasil.

    O jornal acrescenta que a China tornou-se o maior parceiro comercial do Brasil durante 15 anos consecutivos, e o Brasil é atualmente o nono maior parceiro comercial da China. No ano passado, o comércio bilateral entre a China e o Brasil expandiu 6,1%, disse o ‘Global Times‘. Espera-se que as exportações do Brasil para a China possam atingir US$ 103,4 bilhões até 2030, de acordo com um relatório do Conselho Empresarial China-Brasil, prossegue a mídia.

    Entre os principais produtos exportados pelo Brasil para a China, soja, petróleo bruto e minério de ferro são as três principais exportações, respondendo por quase 80% do total das exportações do Brasil para a China, com as exportações de carne bovina e celulose também mantendo expansão estável nos últimos anos, de acordo com o relatório.

    No ano passado, as exportações de algodão do Brasil aumentaram 1.295% e 1.288% em termos de valor e volume de exportação, tornando-o o sexto maior produto de exportação. Espera-se que os dois países continuem a aprofundar a cooperação na agricultura, biorrefinarias, produção de fertilizantes orgânicos, inteligência artificial e robôs, disse ela, acrescentando que o enorme mercado chinês é também uma gaveta para as empresas brasileiras.

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