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Díaz-Canel diz que defenderá Cuba de Trump “até a última gota de sangue”

Presidente do país libertado por Fidel Castro afirmou que os EUA “não têm moral” após Trump informar fim do envio de petróleo e dinheiro da Venezuela

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O presidente
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, discursa em um comício em Havana em apoio à Venezuela, condenando a operação de Washington / Foto: EPA/Shutterstock | O presidente dos EUA, Donald Trump
Resumo Interativo
RESUMO

o presidente cubano Miguel Díaz-Canel respondeu com firmeza a uma ameaça feita por Donald Trump, que declarou em sua rede social não permitir mais “nenhum petróleo nem dinheiro” da Venezuela para Cuba, sugerindo que Havana negociasse antes que fosse tarde. Díaz-Canel rebateu acusando os Estados Unidos de falta de moral para criticar a ilha, apontando a hipocrisia americana e lembrando que o embargo econômico imposto há 66 anos é o principal responsável pelas graves dificuldades enfrentadas pelo povo cubano. Ele defendeu a soberania nacional, afirmando que Cuba é uma nação livre e independente, que não agride ninguém, mas sofre agressão contínua e está preparada para defender sua pátria “até a última gota de sangue”, encerrando com a hashtag #CubaEsCoraje. A troca de mensagens reflete o endurecimento das relações bilaterais desde o retorno de Trump ao poder e a persistente dependência cubana do petróleo venezuelano em meio a uma profunda crise econômica interna.


Havana · 11 de janeiro de 2026

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez rebateu duramente uma declaração do presidente norte-americano Donald Trump, que ameaçou cortar completamente o fluxo de petróleo e dinheiro venezuelano para a ilha caribenha.

A resposta de Díaz-Canel, publicada em uma série de postagens no X (antigo Twitter), enfatiza a soberania cubana e acusa os EUA de hipocrisia e agressão econômica prolongada.

Tudo começou com uma postagem de Trump em sua plataforma Truth Social, no início da manhã deste domingo (11/jan). Nela, o líder republicano afirmou: “NÃO HAVERÁ MAIS PETRÓLEO OU DINHEIRO INDO PARA CUBA – ZERO! Eu sugiro fortemente que eles façam um acordo, ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS.”

A declaração surge no contexto de recentes desenvolvimentos na Venezuela, onde o regime de Nicolás Maduro enfrenta instabilidades, incluindo ações militares e diplomáticas apoiadas pelos EUA.

Trump parece aludir a uma possível interrupção no suprimento de petróleo subsidiado que Cuba recebe de Caracas há décadas, uma parceria que sustentou a economia cubana em meio ao embargo americano.

Díaz-Canel não demorou a reagir. Em sua primeira postagem, ele declarou: “Não têm moral para apontar Cuba em nada, absolutamente em nada, aqueles que transformam tudo em negócio, inclusive as vidas humanas.

Ele prosseguiu acusando os críticos de Cuba de agirem por “raiva histérica” contra a “decisão soberana” do povo cubano de manter seu modelo político socialista.

Em mensagens subsequentes, o presidente cubano atribuiu as “severas carências econômicas” da ilha às “medidas draconianas de asfixia extrema” impostas pelos EUA há seis décadas, referindo-se ao embargo econômico iniciado em 1960 e intensificado durante administrações anteriores, incluindo a primeira de Trump (2017-2021).

Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos dita o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos, e não ameaça, se prepara, disposta a defender a Pátria até a última gota de sangue“, concluiu Díaz-Canel, usando a hashtag #CubaEsCoraje para reforçar o tom patriótico.

Essa troca reflete o agravamento das relações bilaterais desde o retorno de Trump à Casa Branca em novembro de 2024.

Durante seu primeiro mandato, Trump reverteu a aproximação iniciada por Barack Obama, impondo sanções mais duras contra Cuba, como restrições a viagens e remessas financeiras.

Agora, com o foco em desestabilizar aliados de Maduro na América Latina – incluindo Cuba e Nicarágua –, analistas veem a declaração de Trump como uma tentativa de pressionar Havana a romper laços com Caracas ou negociar termos favoráveis aos EUA, possivelmente envolvendo reformas políticas.

No entanto, a resposta de Díaz-Canel sinaliza resistência. Cuba depende do petróleo venezuelano para cerca de 60% de suas necessidades energéticas, e um corte abrupto poderia agravar a crise econômica já marcada por escassez de alimentos, energia e medicamentos.

Autoridades cubanas argumentam que o embargo dos EUA, classificado pela ONU como uma violação dos direitos humanos, é o principal culpado pelas dificuldades, e não falhas internas do sistema socialista.

A comunidade internacional acompanha de perto. A União Europeia e nações latino-americanas, como México e Brasil, têm criticado o embargo unilateral dos EUA, enquanto aliados de Cuba, como Rússia e China, oferecem suporte alternativo.

Até o momento, nem Trump nem Díaz-Canel indicaram disposição para diálogo imediato, o que pode prolongar o impasse e impactar a estabilidade regional.

Especialistas em relações internacionais, como o professor da Universidade de Havana, Carlos Alzugaray, comentam que “essa retórica de confronto beneficia Trump domesticamente, ao agradar sua base conservadora, mas isola os EUA na arena global“, conforme apontou o The Atlantic.

Enquanto isso, em Cuba, a mensagem de Díaz-Canel recebeu apoio de simpatizantes, mas também críticas internas de dissidentes que questionam a legitimidade do governo.

O episódio destaca como eventos na Venezuela reverberam em Cuba, reavivando a Guerra Fria no hemisfério ocidental.

Resta ver se as ameaças de Trump se materializarão em ações concretas ou se abrirão caminho para negociações inesperadas.

Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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2 comentários em “Díaz-Canel diz que defenderá Cuba de Trump “até a última gota de sangue””

  1. Aécio Alves de Oliveira

    Cuba livre, sempre! Fim do embargo dos gringos! O povo cubano merece respeito humanitário

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