Petição popular pressionou fabricante a registrar oficialmente o nome que reconhece sua raiz mineira – Conheça a história e origens boêmias do utensílio
Brasília, 20 de outubro 2025
“Hoje o nosso icônico Copo Lagoinha completa 78 de muita historia!“, escreve o deputado federal vice-líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara, Rogério Correia (MG).
“Seja pra cervejinha, café, refrigerante ou cachaça, ele tá presente em todos os botecos e lares brasileiros“, completa o parlamentar.
“É símbolo de versatilidade, da boemia e da cultura popular de Belo Horizonte”, prossegue, explicando um pouco da história de seu colégio eleitoral, acrescentando uma imagem do utensílio presente em todos os estabelecimentos do ramo, mas com uma provocação à extrema direita.
O copo com cerveja, a mais tradicional bebida que popularizou o produto, leva a mensagem “lágrimas de bolsomínion“.
Veja a seguir e leia mais depois:
Nada de chamar de americano, viu? Aqui é Copo Lagoinha! 🇧🇷✨ pic.twitter.com/jLxJFWzcAU
— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) October 20, 2025
O Copo Lagoinha é um emblema vivo de resistência e identidade. Neste 20 de outubro, a data que marca seus 78 anos de existência.
Origem
De São Paulo à Boemia de Belo Horizonte
A trajetória do Copo Lagoinha inicia-se em 1947, nas linhas de produção da vidraria Nadir Figueiredo, em São Paulo.
Projetado com linhas verticais que conferem rigidez e capacidade de 190 ml, o copo foi batizado inicialmente de “Americano” em alusão à máquina importada dos Estados Unidos que revolucionou sua fabricação em escala industrial.
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Sua fama de “inquebrável” – testada em demonstrações públicas onde era atirado contra balcões sem se estilhaçar – logo o catapultou para além das fronteiras paulistas.
Ao chegar a Belo Horizonte, o copo encontrou seu verdadeiro berço cultural no bairro Lagoinha, epicentro da boemia mineira nas décadas de 1940 e 1950.
Ali, o comerciante Joaquim Séptimo Vaz de Mello, carinhosamente chamado de Seu Quim Quim, proprietário da mercearia Irmãos Vaz de Mello na esquina da Rua Itapecerica com a Avenida do Contorno, tornou-se o pioneiro na venda do produto.
Foi ele quem, ao exibi-lo aos clientes dos bares locais, cunhou o nome “Lagoinha”, ligando-o irrevogavelmente ao bairro de fossos d’água e noites regadas a samba e cachaça.
Em pouco tempo, o copo invadiu padarias, quitandas e botecos, servindo de pingado matinal a doses generosas de cerveja gelada.
Essa adoção local elevou o item a patrimônio imaterial. Em 2019, uma petição popular liderada pelo movimento Viva Lagoinha pressionou a Nadir Figueiredo a registrar oficialmente o nome “Copo Lagoinha”, reconhecendo sua raiz mineira.
O design, de inspiração soviética adaptada ao contexto brasileiro, chegou a ser exibido no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), representando o engenho nacional em utensílios cotidianos.
Hoje, aos 78 anos, ele persiste como o copo oficial da hospitalidade mineira, usado em eventos populares e lares humildes, simbolizando durabilidade em tempos efêmeros.
Legado e Celebrações:
Um Brinde à Tradição Viva
O aniversário de 78 anos, impulsionado pela postagem de Rogério Correia, reacende eventos como o Circuito Lagoinha, que em edições passadas uniu música, gastronomia e tours pelo bairro para homenagear o ícone.
Iniciativas como essa, apoiadas pela Prefeitura de Belo Horizonte e pela Belotur, transformam o copo em vetor de economia criativa, fortalecendo o turismo cultural na região.
Para os belo-horizontinos, ele não é só um copo: é o recipiente de conversas intermináveis, de risos compartilhados e de uma identidade que resiste à globalização.







