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‘Desserviço’ de Monark ao defender ‘pautas nazistas’ faz com que o influenciador siga desmonetizado

    “A liberdade de expressão encontra limite na legalidade das proposições”, decidiu a Google, no ano passado, fazendo com que o pdcaster entrasse com ação na Justiça tentando recuperar lucros online, mas sem sucesso

    O podcaster Bruno Monteiro Aiub, o Monark, perdeu uma ação na Justiça em que pedia que a Google voltasse a monetizar o seu canal na plataforma de compartilhamento de vídeos YouTube, após, no ano passado, a medida ter sido tomada pela empresa como forma de conter suas declarações perigosas sobre legalização do partido nazista no Brasil.

    Se o cara quiser ser antijudeu, eu acho que ele tinha o direito de ser“, afirmou também, na época, em fala que repercutiu na internet e foi interpretada como criminosa. Depois, Monark disse que a desmonetização foi uma “clara perseguição” e que “acelerou o movimento chamado de cancelamento” que ele passaria a sofrer na internet.

    A multinacional americana de serviços online e software disse, sobre o vídeo de Monark, que “ao buscar publicar vídeos polêmicos, defendendo pautas nazistas. A liberdade de expressão encontra limite na legalidade das proposições“.

    A Google ainda se defendeu na Justiça declarando que uma das regras do YouTube prevê que “o criador de conteúdo deve se comportar de forma responsável dentro e fora da plataforma” e que o podcaster “violou essa política“.

    O Youtube não retirou o vídeo do site, preservando a liberdade de expressão, mas impediu Monark de lucrar com pautas radicais, por meio da desmonetização. Depois dessa polêmica, o podcaster envolveu em outras.

    Após postagens manifestando simpatia pelos vândalos que atacaram os prédios dos Três Poderes em Brasília, Monark teve seus perfis bloqueados nas redes sociais por decisão de Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), após os atos golpistas promovidos por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 8 de janeiro.

    Especialistas em democracia e fascismo ouvidos pela BBC News Brasil viram o argumento pró-liberdade de expressão absoluta Monark um falso e perigoso paradoxo.

    Uma ideia que tem circulado cada vez mais é a de que numa democracia as pessoas devem ter o direito a expressar e fazer coisas que destruam a própria democracia“, disse, na ocasião das declarações nazistas do podcaster, o historiador Federico Finchelstein, especialista em fascismo da New School, em Nova York.

    Ao mesmo tempo, Johannes von Moltke, especialista em movimentos de direita e sua atuação nas mídias, da Universidade de Michigan, diz que foi essa lição que a Alemanha falhou em entender há quase 90 anos e que a levou a ter um governo nazista no comando:

    A Alemanha do pós segunda guerra não proibiu o nazismo apenas pela experiência do Holocausto. Os alemães estavam muito preocupados em não repetir os erros da era pré-nazista, da chamada República de Weimar (1919-1933), que permitiu que partidos como o nacional-socialista de Hitler se estabelecessem. O que o deputado brasileiro [Kim Kataguiri – que apoiou a fala de Monark] está defendendo é basicamente a rota de uma democracia não liberal para o fascismo, justamente o caminho que a Alemanha tomou no final dos anos 1920, que levou à eleição do Partido Nazista, responsável por cassar todas as salvaguardas democráticas na sequência“, disse Moltke, há um ano.

    Ao tomar o controle da então frágil e jovem democracia alemã, Adolf Hitler não só destruiu as instituições democráticas como passou a usar a máquina do Estado alemão para perseguir e exterminar minorias: judeus, negros, homossexuais. As ações de Hitler desaguaram na Segunda Guerra Mundial, da qual ele saiu derrotado e, o país, dividido.

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