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Desmontes de Bolsonaro deixaram o Brasil sob Lula com piora na percepção de corrupção, diz ONG

    Transparência Internacional anunciou queda de dez posições em pontuação que considera escala de 0 a 100 e se baseia apenas em percepções de empresários e especialistas, fato que é criticado por Gilmar Mendes, dentre outros juristas

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    Em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), um relatório da organização ‘Transparência Internacional‘ defende que “o país vem falhando” na reconstrução dos mecanismos de controle jurídico e político, mas, notadamente, é claro ao afirmar que isso se deve aos desmontes no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    A ONG destaca ainda mais: Lula III “vem demonstrando avanços na recuperação do controle social da corrupção”.

    Apesar disso, o destaque foi dado pelo jornal ‘O Globo‘ da seguinte forma: “pelo segundo ano consecutivo, o Brasil registrou piora na percepção de corrupção e caiu dez posições no ranking anual“.

    Os dados divulgados na terça-feira (30/1) se referem a pontuação que considera uma escala que vai de 0 a 100, cujo indicador agrega dados de diferentes fontes e traduz tão somente as percepções de empresários e especialistas sobre o setor público dos países.

    Após a divulgação, o decano do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, compartilhou em sua conta oficial na plataforma social de microblogging ‘X‘ uma observação do ministro da CGU (Controladoria-Geral da União), professor doutor Vinicius Marques de Carvalho, postada na mesma rede, em que criticou o relatório da entidade.

    Gilmar escreveu: “Um índice baseado em percepções precisa ser visto com cautela. A questão exige exame mais aprofundado, a fim de evitar conclusões precipitadas“.

    Carvalho foi mais específico: “O Índice de Percepção da Corrupção da @TI_InterBr é um termômetro conhecido, mas que apresenta problemas“.

    Dito isso, o ministro do CGU compartilhou uma imagem que cita 6 momentos da corrupção durante o governo Bolsonaro, a que chamou de “coleção de retrocessos do governo anterior no combate à corrupção“, que segundo ele foi “retirada de relatórios da própria TI entre 2019 e 2022“:


    O ‘Transparência Internacional‘ tamém critica a nomeação de Cristiano Zanin para o STF e afirma que “o método de escolha política” copiou Bolsonaro, mas volta a detonar o ex-presidente ao citar que “efeitos desastrosos ainda são sentidos no país”.

    O relatório aponta que a CGU (Controladoria-Geral da União) reverteu “quase duas centenas de sigilos abusivos determinados pelo governo Bolsonaro” e estabeleceu regras para prevenir novas violações da Lei de Acesso à Informação.

    O governo Lula vem reestabelecendo a estrutura dos conselhos de políticas públicas, cujos espaços de participação social cumprem papel relevante para o controle da corrupção em diferentes áreas”, observou o ‘Transparência‘.

    Houve também, na visão do movimento, resgate da governança ambiental, com nomeações técnicas e de lideranças respeitadas internacionalmente. A medida, permitiu, afirma o relatório, reorientar o combate ao desmatamento.

    O relacionamento do governo com o Congresso é outro ponto destacado. O movimento afirma que Lula herdou no Congresso um Centrão “ainda mais poderoso e condicionado à captura de recursos bilionários” do Orçamento público, por meio de emendas parlamentares.

    Mas isso foi por desejo de Bolsonaro, que era incapaz de presidir o país e largou o governo nas mãos de Arthur Lira (PP-AL) -presidente da Câmara dos Deputados.

    Mesmo assim, nesta quarta-feira (31/1), ‘O Globo‘ retorna ao local do crime contra o governo do estadista, com um editorial que insiste em culpá-lo pelos dados do levantamento do ‘Transparência Internacional‘ – questionado e criticado pelos principais juristas brasileiros.

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