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Desemprego aumenta nos EUA, Trump demite responsável pela estatística e é comparado a Bolsonaro

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    Donald Trump
    Donald Trump e Jair Bolsonaro – Montagem/Imagens reprodução


    Ex-presidente enfraqueceu o INPE durante seu governo em resposta às revelações sobre queimadas e desmatamento



    Brasília, 01 de agosto de 2025

    Nos EUA, o desemprego aumentou e o presidente Donald Trump resolveu demitir a responsável pela estatística relacionada, dizendo que é mentira. Ele ordenou o desligamento de Erika McEntarfer, comissária do Bureau of Labor Statistics (BLS) — órgão responsável pela coleta e divulgação dos dados de emprego.

    Segundo o relatório apresentado pela profissional competente, o crescimento de empregos em junho foi de apenas 73 mil. McEntarfer também fez uma revisão para baixo de 258 mil postos de trabalho nos dois meses anteriores.

    Trump acusou McEntarfer de manipular estatísticas “para fins políticos” e insinuando que os dados foram distorcidos para favorecer sua adversária nas eleições presidenciais de 2024, a então candidata democrata Kamala Harris.

    Donald Trump tem governado os EUA por sua rede social Truth, onde a maioria de suas decisões são informadas. Foi na plataforma que o republicano expôs a demissão de McEntarfer.

    REAÇÕES NAS REDES SOCIAIS

    Por conta da notícia que viralizou rapidamente nas redes sociais, perfis disseram que quaisquer semelhanças podem não ser meras coincidências, uma vez que o país da liberdade tem um hóspede brasileiro que está sendo considerado “traidor da Pátria“.

    Igual Bolsonaro durante o governo dele. A estatística tava ruim? Troca o cara que faz. Lembra o INPE com os dados de queimadas?“, disse um perfil no Threads, em resposta à notícia publicada no microblog pelo Metrópoles.

    Ou o calculo da inflação que mudaram os indicadores? Direita é sempre assim, receita pronta. Governo de mentiras“, completou. “Sem dados, sem realidade“, respondeu outra conta.

    O INPE FOI ENFRAQUECIDO POR BOLSONARO

    A referência feita é relacionada ao órgão que tem como principais atribuições a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias espaciais e do ambiente terrestre, além da produção de dados e informações relevantes para o país.

    Bolsonaro tomou medidas que enfraqueceram o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais em resposta às revelações sobre queimadas e desmatamento.

    Em 2019, após o INPE divulgar dados mostrando um aumento de 88% nas queimadas na Amazônia em julho, comparado ao ano anterior, o então presidente questionou publicamente a veracidade dessas informações, sugerindo que os dados eram “mentirosos” e que o então diretor da entidade, Ricardo Galvão, estaria “a serviço de alguma ONG“.

    Galvão, que defendia a precisão dos dados, foi exonerado logo após o embate, o que gerou críticas de cientistas e ambientalistas, que viram a demissão como uma tentativa de silenciar o órgão.

    Além disso, em 2021, o governo transferiu a responsabilidade pela divulgação de dados sobre queimadas do INPE para o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ligado ao Ministério da Agricultura.

    Essa mudança foi interpretada por especialistas, como o próprio Galvão, como uma estratégia para controlar a narrativa e reduzir a transparência, já que o INPE é reconhecido mundialmente pela qualidade e independência de seus dados.

    A decisão alarmou pesquisadores, que apontaram um enfraquecimento do papel técnico do INPE. O governo Bolsonaro argumentou que as mudanças visavam melhorar a integração de dados e que o INPE não seria prejudicado. Também foi dito que a alta nas queimadas era influenciada por fatores climáticos, como estiagens, e que os dados do INPE poderiam ser mal interpretados.

    No entanto, críticos, incluindo a hoje ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacaram que o governo desmontou políticas de fiscalização e incentivou, por meio de discursos, atividades que aumentaram o desmatamento e as queimadas, colocando pressão adicional sobre o INPE.

    MAS A COISA ERA TÃO GRAVE QUE NÃO DAVA PARA ESCONDER

    Os dados do INPE continuaram mostrando aumentos significativos nas queimadas durante o governo Bolsonaro, com 73.459 focos na Amazônia em 2020 (12% a mais que em 2019) e recordes históricos no Pantanal.

    Esses números reforçam a percepção de que o enfraquecimento do INPE foi, em parte, uma reação à exposição de uma crise ambiental que contradizia a narrativa oficial do governo.

    O DESEMPREGO NOS EUA E OS DADOS DE MCENTARFER

    Quanto a McEntarfer, a norte-americana havia sido confirmada pelo Senado em janeiro de 2024 por ampla maioria (86 votos a 8) para um mandato de quatro anos à frente do BLS. O desemprego nos Estados Unidos aumentou ligeiramente em 2025, com a taxa subindo para 4,2% em julho, segundo seus dados.

    A taxa estava em 4,1% em junho e oscilou entre 4,0% e 4,2% desde maio de 2024, indicando uma estabilidade relativa, mas com uma leve tendência de alta. Em comparação, a taxa era de 3,9% em março de 2024, mostrando um aumento de 0,3 pontos percentuais ao longo do ano.

    Os motivos para o aumento do desemprego se deve à implementação de novas tarifas comerciais, especialmente sob a administração Trump em seu segundo mandato, o que gerou incerteza no mercado.

    Essas tarifas, anunciadas como parte da agenda econômica, aumentaram os custos para empresas, reduzindo margens de lucro e levando a uma desaceleração na contratação. Economistas apontam que as tarifas podem reacender a inflação, forçando empresas a cortar custos, incluindo mão de obra.

    A instabilidade causada por disputas comerciais, como a tentativa de impor tarifas retaliatórias (posteriormente contestadas por um tribunal comercial internacional), fez com que muitas empresas adiassem investimentos e contratações, contribuindo para o aumento do desemprego de longo prazo.

    O crescimento do emprego desacelerou em 2025. Em julho, foram adicionados apenas 73.000 empregos não agrícolas, bem abaixo da expectativa de 100.000 do consenso do Dow Jones. Além disso, revisões para baixo nos dados de maio e junho indicaram que o emprego combinado nesses meses foi 258.000 menor do que o relatado anteriormente.

    Setores sensíveis a juros, como construção e imobiliário, mostraram menor dinamismo devido à política monetária restritiva do Federal Reserve, que manteve as taxas de juros elevadas para conter a inflação.

    A taxa de participação no mercado de trabalho caiu para 62,2% em julho, a menor desde novembro de 2022, refletindo uma redução de 385.000 pessoas na força de trabalho. Isso indica que algumas pessoas desistiram de procurar emprego, possivelmente devido à percepção de um mercado de trabalho menos favorável, o que contribui para a elevação da taxa de desemprego.

    A proporção emprego-população também caiu para 59,9%, sugerindo que a economia está criando menos empregos em relação ao tamanho da população.

    O desemprego de longo prazo (pessoas sem trabalho por mais de 27 semanas) atingiu 1,82 milhão em julho, o maior nível desde dezembro de 2021, representando cerca de 25% de todos os desempregados. A duração média do desemprego subiu para 24,1 semanas, a mais alta desde abril de 2022.

    A queda na taxa de transição de desemprego para emprego (job-finding rate) foi um fator dominante, indicando que os desempregados estão enfrentando mais dificuldades para encontrar trabalho. Esse padrão é semelhante ao observado no início de recessões anteriores, embora a economia ainda não esteja oficialmente em recessão.

    A administração Trump implementou cortes significativos no funcionalismo público, com iniciativas como o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), liderado por Elon Musk, resultando na demissão de milhares de funcionários federais.

    Em fevereiro, o emprego no governo federal caiu 6.700, e desde janeiro de 2025, o setor perdeu 26.000 empregos. Esses cortes contribuíram diretamente para o aumento do desemprego em algumas regiões, como Washington, D.C., que registrou uma taxa de 5,9% em junho.

    A inflação, embora mais baixa do que em 2022, permaneceu em 2,3% ao ano em 2025, com a inflação subjacente (excluindo alimentos e energia) em 2,8%. O Federal Reserve, preocupado com a possibilidade de novas pressões inflacionárias devido às tarifas, optou por manter as taxas de juros elevadas, o que desacelerou setores dependentes de crédito, como manufatura e construção.

    Altas taxas de juros aumentam os custos de empréstimos para empresas, levando a uma redução na expansão de negócios e, consequentemente, na criação de empregos. Economistas da Vanguard preveem que a taxa de desemprego pode atingir 4,4% em 2025 devido a esses fatores.

    O desemprego variou significativamente por estado. Em junho de 2025, a Califórnia (5,4%) e Nevada (5,4%) apresentaram as taxas mais altas, enquanto Dakota do Sul registrou a menor (1,8%). Essas disparidades refletem diferenças na estrutura econômica local, com estados dependentes de setores como tecnologia e turismo enfrentando maiores desafios devido à incerteza econômica.

    Setores como saúde e transporte continuaram a crescer, adicionando 52.000 e 18.000 empregos, respectivamente, em fevereiro, mas outros, como o governo federal e o varejo, registraram perdas.

    Alguns economistas, como os da Goldman Sachs, são mais otimistas, prevendo que a taxa de desemprego pode cair para 3,9% até o final de 2025, impulsionada pelo consumo robusto e pela resiliência econômica. Eles argumentam que, apesar das incertezas, o gasto do consumidor continuou a sustentar a economia, com o PIB crescendo a uma taxa anualizada de 3% no segundo trimestre de 2025.

    No entanto, essa visão depende de a administração Trump não implementar políticas mais disruptivas, como tarifas ainda mais agressivas. Por outro lado, críticos apontam que o aumento do desemprego, embora modesto, reflete uma economia em desaceleração, com riscos agravados por políticas protecionistas e cortes fiscais que podem ampliar o déficit federal, limitando a capacidade do governo de responder a crises futuras.

    A taxa de desemprego atual, próxima de 4,2%, está alinhada com a taxa natural de desemprego estimada pelo Congressional Budget Office (4,1%), mas a tendência de alta e o aumento do desemprego de longo prazo levantam preocupações.

    Assim, o aumento do desemprego nos EUA em 2025 é resultado de uma combinação de incertezas causadas por tarifas comerciais, desaceleração na criação de empregos, queda na participação no mercado de trabalho, aumento do desemprego de longo prazo, cortes no setor público e uma política monetária restritiva.

    Embora a taxa de 4,2% não seja alta em padrões históricos, a deterioração gradual do mercado de trabalho, como destacado por economistas, sugere a necessidade de monitoramento próximo, especialmente em um contexto de instabilidade política e econômica.



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