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Desejo de Bolsonaro reverter inelegibilidade até 2026 fica distante ante revelações sobre golpe de Estado

    Textos divulgados pelo TSE sobre depoimentos de militares à PF mostram que o ex-presidente discutiu minutas com os chefes das Forças Armadas, mas negou, em ocasiões anteriores, que tinha conhecimento delas

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    A exposição dos planos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para uma tentativa de golpe de Estado deixa menos provável a possibilidade de ele reverter sua inelegibilidade, diz matéria de Letícia Casado, no ‘UOL‘.

    Seu texto lembra que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) condenou Bolsonaro à inelegibilidade até 2030, mas seus aliados esperavam reverter a situação para as eleições de 2026.

    No entanto, isso parece mais difícil após a divulgação de depoimentos do inquérito que investiga a tentativa de golpe, especialmente os detalhes relatados pelos comandantes das Forças Armadas.

    Assim, a situação não é favorável para Bolsonaro e, de acordo com a jornalista, a fonte é da Corte Eleitoral.

    O que pesa contra Bolsonaro

    Nesta sexta-feira (16/3), o STF (Supremo Tribunal Federal) tornou público os depoimentos de militares e políticos à PF (Polícia Federal), sobre uma tentativa de golpe de Estado, revelando que Bolsonaro estava ciente e envolvido no planejamento do golpe para manter-se no poder e impedir a posse do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    Os textos divulgados sobre as oitivas mostram que o ex-presidente discutiu minutas com os chefes das Forças Armadas, apesar de ter negado, em ocasiões anteriores, que tinha conhecimento dessas minutas.

    A intenção de declarar estado de defesa no TSE visava buscar a intervenção no tribunal e a revisão do resultado eleitoral legítimo, dizem autoridades nacionais e internacionais.

    O que disseram os militares à PF

    Freire Gomes

    O general Freire Gomes era comandante do Exército no segundo semestre de 2022, quando Bolsonaro perdeu as eleições para Lula e quando a trama golpista ganhou força no núcleo do governo. O militar falou na condição de testemunha, e não de investigado.

    As investigações revelaram que aliados próximos de Bolsonaro insultaram Freire Gomes por não aderir ao movimento golpista. O general Braga Netto o chamou de “cagão” em conversa com outro militar, conforme lembra o ‘g1‘.

    De acordo com as investigações da PF, o ex-comandante Freire Gomes confirmou participação em reuniões onde o presidente Bolsonaro discutiu uma minuta de decreto golpista para instaurar um estado de defesa no TSE e investigar a legalidade do processo eleitoral de 2022. Em depoimento, Gomes relatou que uma semana depois, uma nova versão do texto foi apresentada em outra reunião no Palácio da Alvorada, com a presença de Bolsonaro e outros comandantes militares.

    Brigadeiro Baptista Jr.

    À PF, Baptista Jr. disse que, se não fosse a recusa de Freire Gomes, o golpe provavelmente teria ocorrido. Segundo o depoimento, Gomes ameaçou prender Bolsonaro caso tentasse consumar um plano golpista. Também foi relatado que o ex-presidente apresentou documentos com teor golpista aos militares e discutiu a possibilidade de utilizar a GLO (Garantia da Lei e da Ordem) para solucionar uma possível ‘crise institucional’.

    Almirante Almir Garnier

    O ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, ficou em silêncio durante seu depoimento à Polícia Federal. O ex-ajudante de ordens de Mauro Cid, mencionou o Almirante em sua delação premiada, afirmando que Garnier teria simpatia por um golpe de Estado e teria informado a Bolsonaro que suas tropas estariam prontas para apoiar o então presidente. Baptista Jr. também declarou que o almirante colocou tropas à disposição.

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