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    “Flávio, amarra as calças que agora o FBI vai para cima de você”: Deputados denunciam o senador no Capitólio (vídeo)

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    Os deputados Pedro Uczai

    📷 Os deputados Pedro Uczai (PT-SC), André Janones (Rede-MG), Jandira Feghali (PCdoB-RJ),  e Pedro Campos (PSB-PE) em frente ao Capitólio – o Congresso nos EUA – afirmam que Flávio Bolsonaro será investigado pelo FBI /4.6.2026\ Imagen reprodução / Redes Sociais / André Janones [digital remaster upscaling photo]

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Brasília (DF)
    04 de junho de 2026

    A guerra política entre o Planalto e a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou um novo fronte: o coração do poder legislativo norte-americano.

    Nesta quinta-feira (4), uma comitiva de deputados federais brasileiros gravou um vídeo em frente ao Capitólio, em Washington (DC), no qual anuncia a entrega de um pedido formal de investigação contra o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

    O vídeo mostra os deputados André Janones (Rede-MG), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Pedro Uczai (PT-SC) e Pedro Campos (PSB-PE) escalando o tom do discurso.

    Janones abre a manifestação com uma declaração direta: "Conseguimos! Fomos de gabinete em gabinete, conversamos com deputado por deputado, senador por senador, para trazer para os Estados Unidos quem que é o vagabundo do Flávio Bolsonaro".

    Ele ainda associou o senador ao "tarifaço" proposto pelo governo Donald Trump, acusando-o de querer fazer o "povo mais sofrido sofrer ainda mais porque só pensa em eleição".

    Os três pedidos ao Congresso americano

    Jandira Feghali detalhou o conteúdo da representação entregue aos parlamentares democratas. Segundo a deputada, a comitiva levou três demandas centrais:

    1. Investigação por lavagem de dinheiro que teria partido do Brasil para os Estados Unidos a partir da suposta aliança entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro; 2. Intensificação da cooperação internacional, com a ressalva de que os brasileiros não aceitam "intervenção unilateral" nos assuntos nacionais; e 3. Pressão para o cancelamento do "tarifaço" e a revogação das medidas contra o sistema de pagamentos PIX, consideradas uma afronta à soberania financeira brasileira.

    A estratégia da comitiva petista é dupla: ao mesmo tempo em que busca internacionalizar as suspeitas sobre o clã Bolsonaro, tenta desmontar a narrativa construída pelo senador de que ele seria um interlocutor privilegiado da nova administração Trump.

    Deputada dos EUA se compromete a analisar o caso

    De acordo com o deputado Pedro Campos (PSB-PE), a reunião mais relevante ocorreu com a deputada federal Sydney Kamlager-Dove, copresidente da Bancada do Brasil no Congresso dos EUA (Brazil Caucus).

    O parlamentar afirmou que a congressista democrata "se comprometeu a fazer uma solicitação de investigação também do caso do Banco Master e do dinheiro que foi enviado aqui, dizendo que seria para o filme de Flávio Bolsonaro".

    A informação é corroborada pela reportagem da Folha de S.Paulo. De acordo com o jornal, Kamlager-Dove afirmou durante o encontro que o pedido de investigação "faria sentido" diante do histórico de seu comitê, que já realizou audiências sobre corrupção no Brasil e ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF).

    A congressista declarou: "Se bancos dos EUA estiverem de alguma forma envolvidos em algo ilegal ou impróprio, o povo americano e o brasileiro precisam saber".

    Também participou da agenda o deputado democrata Jim McGovern (Massachusetts), que afirmou ser "muito solidário a muitas das preocupações que eles levantaram", embora tenha dito não ter poder pessoal para abrir uma apuração.

    O que está por trás da denúncia dos R$ 61 milhões

    A investigação solicitada pelos deputados brasileiros tem como base reportagens do site The Intercept Brasil e das revistas Veja e Crusoé.

    O foco central é o repasse de recursos de Daniel Vorcaro — preso pela Polícia Federal suspeito de liderar uma organização criminosa que praticava fraudes financeiras — para a produção do filme Dark Horse, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Os elementos que chamaram a atenção dos investigadores e parlamentares incluem:

    Valores vultuosos:
    o orçamento do filme, estimado em R$ 134 milhões, foi considerado excessivo por especialistas e políticos.

    Áudios e mensagens:
    reportagens revelaram conversas em que Flávio Bolsonaro cobra o pagamento diretamente de Vorcaro. Em um áudio, o senador diz: "Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça... está todo mundo tenso".

    Transferências internacionais:
    parte do dinheiro teria sido enviada para os Estados Unidos por meio de uma empresa de Vorcaro, a Entre Investimentos, e de um fundo chamado Havengate, que teria relação com o advogado de Eduardo Bolsonaro . A PF investiga se os repasses foram usados para custear as despesas do ex-deputado em território americano.

    A defesa do senador e as dificuldades políticas

    Em nota oficial emitida ainda em maio, Flávio Bolsonaro confirmou o pedido de dinheiro para o filme, mas negou qualquer irregularidade. O senador afirmou que o contato com Vorcaro ocorreu "quando o governo Bolsonaro já havia acabado", quando não existiam acusações contra o banqueiro, e que se tratou de uma relação privada envolvendo "zero de dinheiro público".

    Apesar de ter defendido publicamente a instalação de uma CPI mista para investigar o Banco Master , o senador tem se mostrado desconfortável com o avanço das investigações sobre os repasses. No plenário do Congresso Nacional, Flávio rebateu críticas afirmando que o presidente Lula também se reuniu com o banqueiro, insinuando que haveria tratamento desigual

    Especialistas apontam, no entanto, que as dificuldades políticas para que o pedido de investigação prospere nos EUA são enormes. Com a maioria republicana no Capitólio e a aliança explícita de Trump com a família Bolsonaro, a abertura de uma investigação formal por parte do Legislativo americano é considerada improvável no curto prazo.

    A deputada Kamlager-Dove é uma voz da oposição democrata, mas não tem poder para determinar a abertura de inquéritos, que caberia ao Departamento de Justiça ou a comitês com maioria republicana . Ainda assim, o movimento dos deputados brasileiros serve como um importante sinal político e mantém o caso em evidência nos dois lados do Atlântico.

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    FAQ Rápido

    1. O que os deputados brasileiros estão pedindo aos EUA?
    Eles entregaram um documento formal ao Capitólio solicitando que as autoridades americanas investiguem o fluxo financeiro entre Daniel Vorcaro e a família Bolsonaro. A suspeita é que recursos do Banco Master tenham sido enviados aos EUA para financiar o filme Dark Horse e as despesas de Eduardo Bolsonaro, configurando possível lavagem de dinheiro.

    2. Flávio Bolsonaro pode ser preso nos Estados Unidos?
    Teoricamente, se o Departamento de Justiça dos EUA abrisse uma investigação e encontrasse provas de que o sistema financeiro americano foi usado para lavagem de dinheiro, o senador poderia ser alvo de um pedido de cooperação internacional. No entanto, o governo Trump tem demonstrado alinhamento político com os Bolsonaro, o que torna uma ação nesse sentido improvável no curto prazo.

    3. Quem é Sydney Kamlager-Dove e por que ela é importante?
    Sydney Kamlager-Dove é uma congressista democrata da Califórnia e copresidente da Brazil Caucus, um grupo bipartidário dedicado a fortalecer as relações entre EUA e Brasil. Embora esteja na oposição a Trump, sua manifestação pública de apoio à investigação dá respaldo político à denúncia e pressiona as autoridades americanas a, no mínimo, analisar as informações fornecidas pelos deputados brasileiros.

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