Operação Zargun e Bandeirante revelam conexões criminosas entre o parlamentar conhecido como TH Joias, a facção e agentes públicos
Brasília, 03 de setembro de 2025
No início da manhã desta quarta-feira (3/set), a Polícia Federal (PF), em conjunto com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Polícia Civil do RJ, deflagrou duas operações simultâneas, denominadas Zargun e Bandeirante, com o objetivo de desarticular um esquema político e financeiro ligado à facção criminosa Comando Vermelho.
O deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva (MDB), conhecido como TH Joias, foi preso em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, apontado como figura central nas investigações, segundo O Globo.
A ação também resultou na prisão de Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”, identificado como traficante, e Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, assessor parlamentar de TH Joias.
As investigações revelaram que TH Joias utilizava seu mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para beneficiar o Comando Vermelho, nomeando comparsas para cargos na casa legislativa e intermediando a compra e venda de drogas, armas de fogo, como fuzis provenientes do Paraguai, e equipamentos antidrones importados da China.
Esses materiais eram usados para dificultar operações policiais em comunidades como os Complexos da Maré, Alemão e Parada de Lucas, na Zona Norte do Rio.
Segundo o MPRJ, o grupo movimentava grandes somas em espécie, com indícios de lavagem de dinheiro através de empresas ligadas ao parlamentar, que já haviam sido alvo de alertas financeiros.
A Operação Zargun, conduzida pela PF e autorizada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), cumpre 18 mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão, além do sequestro de bens avaliados em R$ 40 milhões.
Já a Operação Bandeirante, sob comando do MPRJ e da Polícia Civil, executa quatro mandados de prisão e cinco de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), em endereços na Barra da Tijuca, Freguesia e Copacabana.
Entre os alvos, estão um delegado da PF, policiais militares e um ex-secretário municipal e estadual, todos suspeitos de envolvimento no esquema.
TH Joias, que assumiu o cargo de deputado em 2024 como suplente após a morte de Otoni de Paula Pai, também é conhecido por sua trajetória como joalheiro.
Antes da política, ele ganhou notoriedade criando peças de ouro e diamantes para celebridades como Neymar, Vini Jr. e Ludmilla.
Herdeiro do ofício de seu pai, Juberto, ele administrou desde jovem a loja da família em Madureira. Contudo, seu passado já inclui uma prisão em 2017, quando foi acusado de lavar dinheiro para as facções Terceiro Comando Puro (TCP) e Amigos dos Amigos (ADA), movimentando cerca de R$ 7 milhões em dois anos, sem comprovação de origem, segundo a Polícia Civil.
O MDB, partido de TH Joias, anunciou sua expulsão, afirmando que o parlamentar “já não seguia a orientação partidária” e que os crimes atribuídos a ele são incompatíveis com os valores da legenda.
Até o momento, a defesa de TH Joias e a Alerj não se pronunciaram oficialmente sobre o caso.
As investigações apontam para uma rede de corrupção que compromete a integridade de instituições públicas, com a infiltração do crime organizado no parlamento fluminense.
O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, destacou que “não haverá blindagem política para criminosos, seja na favela ou na Assembleia”.
A operação também identificou a nomeação de uma mulher ligada a um criminoso para um cargo comissionado na Alerj, reforçando as acusações de uso do mandato para fins ilícitos.








Com a PEC da blindagem esses canalhas púlias bandidos não estariam sendo presos
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