Amauri Ribeiro foi alvo de buscas e apreensões em operação que apura o quebra-quebra praticado por manifestantes bolsonaristas golpistas terroristas. O parlamentar tomou posse de chapéu, com mulher no colo e já agrediu empresário – ASSISTA
Em 6 de junho deste ano, o deputado estadual Amauri Ribeiro (União Brasil-GO) discursou na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), onde afirmou que também deveria estar preso porque ajudou a “bancar quem estava lá“, referindo-se ao dia em que manifestantes bolsonaristas golpistas terroristas participaram de um quebra-quebra contra as sedes dos Três Poderes.
Pois nesta terça feira (29/8), durante a 15ª fase da Operação Lesa Pátria, a Polícia Federal realizou buscas e apreensões por suspeitas de seu envolvimento nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, em Brasília.
A declaração sobre seu ‘desejo’ de ser preso, em junho, foi feita ao defender a liberdade do coronel Benito Franco, preso pela Polícia Federal em abril, durante operação que investigava atos golpistas. O militar comandou a Rotam entre janeiro de 2019 e agosto de 2021.
“A prisão do coronel Franco é um tapa na cara de cada cidadão de bem neste estado. Foi preso sem motivo algum, sem ter feito nada. Eu também deveria estar preso. Eu ajudei a bancar quem estava lá. Pode me prender, eu sou um bandido, eu sou um terrorista, eu sou um canalha, na visão de vocês. Eu ajudei, levei comida, levei água e dei dinheiro”, afirmou o parlamentar.
“Respondendo à sua pergunta, o dinheiro não veio de fora“, disse ainda Amauri, ao se dirigir ao também deputado estadual Mauro Rubem (PT-GO).
Assista ao discurso na Alego, em junho:
Demóstenes Torres, advogado do deputado, disse que o celular dele foi apreendido.
“A defesa pedirá acesso aos autos que originaram a medida cautelar de busca e apreensão“, afirmou, conforme transcrição no ‘g1‘.
Ainda segundo a defesa, os mandados foram cumpridos nas casas do político em Goiânia e Piracanjuba.
Natural de Trindade, o deputado tem 50 anos, é agropecuarista e construiu sua base eleitoral em Piracanjuba, onde foi vereador e prefeito.
Em um termo de esclarecimento, o deputado disse que debateu com os deputados e disse que não considerava bandidos os que estavam acambados na porta do quartel em Goiânia.
“Por questões humanitária levei água e alientos para os mais carentes que lá estavam”, disse.
Polêmicas
As polêmicas ao redor de Amauri Ribeiro começaram no início do mandato.
Ele tomou posse usando um chapéu, mesmo o regimento interno da Assembleia Legislativa de Goiás proibindo.
O parlamentar alegou na época que tem um problema na visão e, por isso, usa o chapéu.
“Eu tenho uma sensibilidade à luz. E o chapéu faz essa cobertura evitando que a luz venha direto nos meus olhos”, disse, conforme transcrição no portal de notícias.
Outra polêmica envolvendo o parlamentar foi o fato de que, também no dia da posse, ele foi fotografado com a esposa sentada no colo.
Porém, ele diz que foi um momento rápido e que aconteceu após ele e a esposa darem o lugar a uma senhora que estava passando mal.
“A senhora estava escorada e disse que estava com dores nas pernas. Puxei a cadeira da minha esposa para ela, sentei a minha esposa sobre a minha perna por 30 segundos”, disse.
Deputado que tomou posse com chapéu diz que não abrirá mão do acessório durante sessões.
Ameaça
Em agosto de 2021, Amauri afirmou que a vereadora Lucíula do Recanto (PSD) “merecia um tiro na cara”.
A declaração de Amauri foi feita durante um discurso em defesa à propriedade privada na tribuna da Assembleia Legislativa.
Agressão
Um vídeo feito em fevereiro de 2022 mostra quando Amauri abre a porta de um carro e agride o motorista durante uma discussão em Piracanjuba.
O empresário que foi vítima das agressões contou que a briga foi motivada por causa de um áudio que gravou criticando o político e que acabou viralizando na cidade.
Em janeiro deste ano, o deputado estadual se tornou réu por racismo após postar foto de mão branca apertando o punho de um braço negro, que “veste” uma roupa de arco-íris (símbolo do movimento LGBTQIA+), com a frase “na minha família não“. A imagem foi publicada em abril de 2022.
‘Casa de mulheres’
Em fevereiro de 2019, em entrevista ao jornal O Popular, o deputado disse que a Assembleia Legislativa era uma “casa de mulheres” onde até “modelos” estão ali para “servir os deputados“.
“É isso que é aquela assembleia. Uma pouca vergonha. Se você entrar naquela casa, me desculpa o palavreado, vai lá para você ver. Naquela Assembleia tem casa de mulheres, de meninas, de assessoras que ficam por conta de deputado. É brincadeira“, afirmou.
Em seguida, insinuou que as servidoras da Casa eram escolhidas pela beleza e que não desempenhavam qualquer tipo de função.
“Algumas moças são contratadas para ficar à disposição de deputado. Tem mulheres que são contratadas, só top, só modelo, que estão ali para servir deputados. Como comissionadas não fazem nada“, completou o deputado na entrevista.
