Alencar Santana (PT-SP) planeja indicar ao Executivo a proibição de entrada de Marco Rubio no Brasil, em resposta à suspensão de vistos de oito ministros do STF e do procurador-geral, defendendo a soberania e a reciprocidade
Brasília, 19 de julho de 2025
O deputado federal Alencar Santana (PT-SP) anunciou, neste sábado (19/jul), que protocolará na próxima segunda-feira (21/jul) uma indicação parlamentar ao Executivo brasileiro, solicitando a proibição de entrada do Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em território nacional.
A medida é uma reação à decisão de Rubio de suspender os vistos de entrada nos EUA de oito dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, sob a justificativa de suposta “perseguição política” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A proposta de Santana baseia-se no princípio da reciprocidade e busca reafirmar a soberania brasileira diante do que classifica como interferência externa. Ele disse na plataforma de microblog X que nosso país é soberano e exige respeito.
Santana enfatizou que o Brasil não é colônia dos EUA e ironizou sobre o PIX usando um recém lançado jargão do governo federal, além de usar a viral expressão lançada pelo ministro do STF, Luís Roberto Barroso, “Perdeu, Mané“.
O parlamentar também postou um print de matéria do Correio Braziliense noticiando sua intenção:
A tensão diplomática foi desencadeada após Rubio anunciar, na sexta-feira (19/jul), a revogação dos vistos do ministro do STF Alexandre de Moraes, de outros sete magistrados e de suas famílias.
A ação foi justificada como resposta às medidas do STF contra Bolsonaro, acusado de tentar um golpe de Estado para anular o resultado das eleições de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva.
O Supremo determinou restrições ao ex-presidente, como uso de tornozeleira eletrônica e proibição de contato com autoridades estrangeiras, citando risco de fuga.
O presidente Lula classificou a decisão dos EUA como “arbitrária” e prometeu retaliar com base na Lei de Reciprocidade Econômica.
A medida de Rubio também foi criticada por setores conservadores no Brasil.
O jornal O Estado de S. Paulo publicou editorial chamando as ações de Trump de “interferência inaceitável” nos assuntos brasileiros.
A proposta de Santana tem apoio de setores do PT, que veem na medida uma defesa da soberania nacional.
A decisão de Rubio baseou-se na Seção 212(a)(3)(C) do Ato de Imigração e Nacionalidade dos EUA, que permite declarar inadmissíveis estrangeiros cujas ações possam impactar negativamente a política externa americana.
No entanto, especialistas como Alex Prezanti, da Global Diligence, questionaram a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes, argumentando que ela visa punir violações graves de direitos humanos, não decisões judiciais democráticas.
O embate reflete a deterioração das relações Brasil-EUA, agravada pela proximidade entre Trump e Bolsonaro.
A ameaça de Trump de impor tarifas de 50% sobre importações brasileiras, anunciada em 9 de julho de 2025, também foi interpretada como pressão para suspender o processo contra Bolsonaro.
Lula, por sua vez, reiterou a independência do Judiciário brasileiro e a soberania nacional, posição apoiada por amplos setores da sociedade.
A indicação de Santana, se aprovada, pode intensificar a crise diplomática, marcando um precedente nas relações bilaterais.









A bancada governista deveria ainda enviar uma outra indicação contra o Trump, classificando-o como persona no grata.
O nosso país é soberano e exige respeito.
Além dele deveria proibir o laranjão de vir à COP 30 falar bobagem!
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