Segundo Leonel Radde, o “sistema de proteção de enchentes” tem segurança “de até 6m de cheia“, mas mesmo sem chegar “perto disso“, tudo “colapsou por FALTA DE MANUTENÇÃO” de Sebastião Melo
Ao se referir especificamente à capital do Rio Grande do Sul, o deputado estadual Leonel Radde (PT-RS) afirmou que “nosso sistema de proteção de enchentes nos protege de até 6m de cheia“, mas “não chegamos perto disso e o sistema já colapsou por FALTA DE MANUTENÇÃO“, conforme escreveu, em letras garrafais, em sua conta na plataforma social de microblogging ‘X’, no início da tarde deste domingo (12/5).
“O grande culpado pela enchente em Porto Alegre é o Prefeito de extrema direita Sebastião Melo [MDB]”, afirmou ainda, antes de lembrar que, “desde 2005, Melo faz parte da base governista da capital. Já foi vice-prefeito por 4 anos e é o atual prefeito”.
Radde insistiu: “É da sua responsabilidade DIRETA o que aconteceu“. O deputado disse ainda que o prefeito de Porto Alegre “é um negacionista ligado a pessoas como Osmar Terra“, que durante o governo Bolsonaro adotou posições anticientíficas em relação à pandemia de Covid-19.
Em resposta ao deputado, perfis lembram também da responsabilidade do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB): “Radde, tão indignada como tu estou. Mas, sejamos mais esclarecedores: o governo do estado, com suas flexibilizações, colaborou robustamente para toda catástrofe que vivemos. Ambos são responsáveis e criminosos. Ambos compõem o sistema negacionista e catastrófico há muito mais tempo“, escreveu um perfil.
Veja abaixo e leia mais a seguir:
O engenheiro Augusto Damiani, com 40 anos de experiência em drenagem urbana, tendo sido diretor do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) e do Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE), ambos da prefeitura da capital gaúcha, e que conhece toda a estrutura que colapsou, afirmou ao ‘Brasil de Fato‘, há uma semana, que faltou manutenção no sistema de proteção contra as cheias em Porto Alegre. O canal de notícias perguntou porque a capital gaúcha “repetiu, em versão agravada, a enchente de 1941″.
Damiani respondeu que no mês de setembro de 2023, o DMAE enfrentou dificuldades para fechar as comportas, devido à falta de parafusos e problemas com as borrachas. O departamento encontrou asfalto nos trilhos e teve que usar uma retroescavadeira para solucionar os contratempos. Ele disse que o DMAE deveria ter reavaliado sua gestão da drenagem e realizado reformas nas comportas, incluindo a reposição das borrachas e parafusos para garantir preparação em futuros eventos semelhantes.
O engenheiro acrescentou que, em 2017, o então prefeito Marchezan Junior resolveu fazer uma reforma administrativa aos moldes do governo dele e, naquela época, o DEP foi dividido para duas secretarias. Então, o atual prefeito, Sebastião Melo, resolveu transferir essas atribuições do DEP para o DMAE, cedendo seus funcionários sem que lá fossem criadas estruturas compatíveis.
Augusto Damiani disse ainda que, “nos últimos anos, o DMAE tem sofrido um enxugamento visando privatizar a gestão da água e que, para isso, a tática é desqualificar a imagem da instituição junto à população para que se tenha uma opinião pública favorável à privatização, sendo um dos modos de fazer o de reduzir a capacidade de investimento. Segundo o engenheiro, o processo para descredibilizar o DMAE conta, ainda, com o enxugamento do corpo técnico, dificultando até o atendimento às necessidades de drenagem.
O sistema de proteção de Porto Alegre “não está ultrapassado. É um sistema seguro, clássico, eficiente. O que se precisa garantir é manutenção constante e alguma modernização quando necessária“, afirmou o engenheiro. “Aquela casa de bombas 17, no Centro, ali perto da Igreja das Dores, que aparece agora em tudo que é reportagem, o que aconteceu ali? A comporta está danificada, a água voltou e transbordou para dentro da cidade. Isso poderia ter sido evitado“, disse Damiani. “Não se sabe porque passaram-se seis anos e ainda não foi consertada“.
É possível evitar que Porto Alegre fique debaixo d’agua novamente, disse Damiani, bastando realizar “a manutenção do sistema contra as cheias. A manutenção dos diques, com a verificação das suas cotas, a manutenção dos muros e de todas as casas de bombas. (…) modernizar as casas de bombas com automação, com a melhoria do sistema de controles e das comportas, o aumento da capacidade de vazão. Fazer também a manutenção periódica das tampas herméticas dos condutos forçados. Tudo para que o sistema esteja sempre pronto para responder a qualquer evento crítico. (…) Tem que se fazer manutenção e melhorias no sistema como um todo com manutenção de todas as casas de bombas, todos os condutos forçados para corrigir toda e qualquer anomalia“.
Em entrevista ao telejornal da ‘Globo‘ comandado pelo apresentador William Bonner, o ‘Jornal Nacional‘, nesta sexta-feira (11/5), o prefeito de Porto Alegre foi perguntado sobre o desligamento dos motores dos diques para o escoamento das águas, que expôs a cidade à maior inundação da sua história. Ele respondeu que “em 1941, era uma outra cidade. Era uma outra população. Esse sistema de proteção de diques” e que o “Muro da Mauá nasceu no final da década de 1960, mas nunca tinha chovido como choveu“.
“Então nós precisamos revisitar tudo, revisitar a casa de bombas, revisitar o muro da Mauá, os portões com novas tecnologias, com todos os instrumentos que hoje o mundo oferece pra essas questões de desastre algo ligado a legislação ambiental em vista da prefeitura nessa situação”, disse Sebastião Melo, que ainda observou que “o que não falta ao Brasil são legislações, mas o que falta mesmo é dinheiro“.
Assista a seguir e leia mais depois:
Sebastião Melo fala ao Jornal Nacional
Trecho de vídeo disponível na íntegra em ‘JN entrevista prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo‘ / globoplay
