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Deputado bolsonarista vira réu por violência política de gênero e injuria racial contra deputada do PSOL

    Gilvan da Federal durante sessão em que mandou a colega Camila Valadão “calar a boca” – Imagem reprodução| A deputada em foto de Victor Thomé / Assembleia Legislativa do Espírito Santo

    Gilvan da Federal (PL-ES) foi denunciado pelo Ministério Público por ter chamado Camila Valadão (PSOL) de ‘assassina de criança‘ e ‘satanista‘ em dezembro de 2021; na ocasião, os dois eram vereadores de Vitória

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    A Justiça Eleitoral aceitou uma denúncia do Ministério Público (MPE) e tornou o deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES) réu por violência política de gênero e injúria racial. O parlamentar responderá por ofensas contra a deputada estadual Camila Valadão (PSOL), quando os dois eram colegas de Casa na Câmara Municipal de Vitória.

    A denúncia refere-se ao episódio ocorrido em dezembro de 2021, quando o parlamentar bolsonarista chamou a então vereadora de “assassina de crianças” e “satanista“. Segundo o MPE, Gilvan da Federal “utilizou de menosprezo à condição de mulher, com a finalidade de impedir ou de dificultar o desempenho de seu mandato eletivo”.

    “Outrossim, ele a injuriou, ofendeu sua dignidade e decoro ao utilizar elementos diferenciados, pejorativos, referentes à religião“, prossegue o trecho da denúncia oferecida pelo órgão, conforme transcreveu ‘O Globo‘.

    Segundo o texto, na ocasião, o deputado estava revoltado com a presença de professores em plenário e começou a dirigir ataques à vereadora, que tentou defender os profissionais. Até se elegerem para os seus atuais mandatos, os dois políticos tiveram outros episódios de impasse. Em março de 2022, Gilvan da Federal disse para Camila “calar a boca” e ficasse quietinha.

    Com a decisão da Justiça Eleitoral, Camila Valadão afirmou estar emocionada com a decisão que foi uma vitória para todas, após enfrentar dois anos de agressões cotidianas no exercício de suas atividades parlamentares na Câmara Municipal de Vitória, onde ela foi constantemente interrompida, desqualificada e insultada, sendo chamada de “covarde“, “canalha“, “maquiavélica” e outros termos.

    Na ocasião, Gilvan era do republicanos e, em 2022, concorreu à Câmara dos Deputados pelo PL de Jair Bolsonaro, conseguindo ser o segundo mais votado, mesmo com seus famosos discursos de ódio e envolvimentos em polêmicas e processos devido a declarações preconceituosas contra mulheres, LGBTQIA+ e religiões de matriz africana.

    Outros casos

    Antes disso, após uma sessão ordinária com moções de aplauso na Câmara de Vitória para Deborah Sarará, mulher trans e ativista, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, Gilvan subiu na tribuna e perguntou “se a Deborah Sabará nasceu mulher. Pode ser outra coisa, mas mulher não é. Deus fez o homem e a mulher. O resto é jacaré, é invenção do mundo“.

    Na sequência, Gilvan continuou com os ataques. “Eu quero saber também se ela consegue engravidar. Se essa pessoa aqui, Deborah Sabará, consegue engravidar. Consegue amamentar? Se me provarem que homem engravida, eu quero ser mãe, pai, sei lá o quê. Quero chegar aqui com barriga, quero gerar um filho, quero amamentar“, discursou o então vereador conforme transcreveu na ocasião o ‘UOL‘.

    A ativista fez um boletim de ocorrência e Gilvan também foi denunciado pelo Ministério Público Estadual. Em maio de 2022, ele se tornou réu pela Justiça capixaba.

    Segundo o portal de notícias, em abril de 2021, poucos meses depois de ser empossado como vereador, Gilvan da Federal atacou a imprensa e os partidos de esquerda.

    “Continuarei confrontando quem defende assassinato de bebês, legalização das drogas, ideologia de gênero, promiscuidade, pornografia para nossas crianças e a imprensa manipuladora, covarde e mentirosa“, disse no púlpito da Câmara, onde terminou dizendo que “enquanto tiver força e saúde, não deixarei que a nossa nação seja entregue ao comunismo“.

    Em março de 2022, no dia seguinte às comemorações do Dia Internacional da Mulher, o ainda vereador atacou a colega Camila Valadão enquanto ele discursava, alegando que ela tentava o interromper. “Você não espera nada, você cala a sua boca aí. Está na minha fala. Cala a sua boca, cala a sua boca, cala a sua boca. Você está na minha fala. Cala a sua boca, fique quietinha“.

    Na sequência, o presidente da Câmara de Vitória pediu para que Gilvan seguisse a política dos “bons costumes“, mas ele o ignorou e voltou a atacar. “Eu não tenho política de bom costume com o PSOL. Não tenho. Quem defende aborto, ‘vacina salva’ e assassinato de criança não tem conversa comigo. Não tem politicamente correto com o PSOL comigo, não. Nem com o PT. Então pode calar a boca de vocês, quando eu estiver falando“.

    No Dia Internacional da Mulher, em 2021, Gilvan da Federal atacou Camila Valadão na sessão que foi presidida por ela e pela colega Karla Coser (PT), porque ela estava com um bottom escrito “Fora Bolsonaro“:

    “Creio que os vereadores aqui têm de estar com traje formal, e na minha opinião a vereadora não está com traje formal para a sessão. Quem quer respeito, se dá ao respeito“, atacou, fazendo com que Camila entrasse com processo na Corregedoria da Câmara, mas ele foi arquivado.

    Outro ataque de Gilvan da Federal foi contra as religiões de matriz africana. Em novembro de 2021, Karla Coser convocou representantes do movimento negro de Vitória para a sessão. Na ocasião, foram entoados cantos e outras tradições de matriz africana.

    Dias após a sessão, Gilvan subiu na tribuna com um detergente e uma esponja e fez um discurso de ódio. “O que houve na sessão solene, nem posso chamar assim, convocada pela vereadora do PT, é uma afronta a Deus. Praticamente fizeram uma macumba aqui“.

    Na sequência, Gilvan disparou: “Vocês são satânicos. É meu dever combatê-los, combater os satanistas“. Por causa das falas, o Ministério Público do Espírito Santo o denunciou por “discurso de ódio“.

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