Evangélica do partido de Bolsonaro atribuiu fatalidades à falta de fé e, óbvio, gerou polêmica, pois o Presidente uniu os Três Poderes de modo inédito nesta iniciativa – leia também sobre os impactos globais
Fortaleza (CE) · 08 de fevereiro de 2026
Em um ato que gerou indignação nacional, a deputada estadual Dra. Silvana (PL-CE) protagonizou uma cena controversa na Assembleia Legislativa do Ceará na quinta-feira (5/fev), ao rasgar uma cópia do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio.
Durante seu discurso na tribuna, a parlamentar, que se identifica como evangélica, criticou o documento por não mencionar explicitamente o papel das igrejas e das famílias na prevenção da violência.
Ela chegou a afirmar que o pacto representa um “fingimento” e que sua ineficácia decorre da ausência de bases religiosas.
“No pacto não inclui as igrejas, bando de abestado. (…) As pessoas morrem porque não estão seguindo o Santo Evangelho”, declarou, conforme registrado em vídeo amplamente divulgado.
Essa declaração não apenas ignora as raízes estruturais da violência de gênero, como o machismo patriarcal e a impunidade, mas também desloca a responsabilidade do Estado para uma esfera moral-religiosa, o que especialistas veem como um retrocesso perigoso em um país onde a laicidade é princípio constitucional.
De acordo com reportagem do g1, a ação simbólica ocorreu um dia após o lançamento oficial do pacto pelo governo federal, e foi rebatida imediatamente pela deputada Larissa Gaspar (PT-CE), que lamentou o gesto e defendeu a importância de políticas públicas laicas para proteger vítimas.
O lançamento do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, ocorrido na quarta-feira (4/fev) no Palácio do Planalto, em Brasília, reflete a intenção primordial do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de transformar o combate à violência contra mulheres em uma prioridade de Estado, unindo os Três Poderes em uma frente coordenada e permanente.
Influenciado por um pedido pessoal da Primeira-Dama do Brasil e socióloga Senhora Rosângela Lula Silva, o estadista tem endurecido o tom em discursos recentes, enfatizando que o feminicídio não é apenas uma questão feminina, mas uma responsabilidade coletiva, especialmente dos homens.
“O pacto que assinamos hoje deve ir além de um ato formal. Deve se tornar ensinamento nas escolas e universidades do Brasil”, afirmou o presidente durante a cerimônia.
Os motivos para a criação do pacto são ancorados na escalada alarmante de casos: em 2025, o Brasil registrou um recorde de feminicídios, com uma média de quatro mulheres assassinadas por dia apenas por sua condição de gênero.
O documento, assinado por Lula, pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), estabelece eixos como prevenção primária (mudança cultural contra estereótipos de gênero), proteção (fortalecimento de redes de apoio e medidas protetivas) e responsabilização de agressores.
Inédito, o pacto inclui um comitê interinstitucional, monitoramento via portal TodosPorTodas.br e envolvimento da sociedade civil, visando erradicar o que Lula chamou de “cultura machista que nos envergonha”.
Um post da comunicadora digital e ativista feminista Beta Bastos (Roberta Bastos), publicado no X (antigo Twitter) no domingo (8/fev), reflete uma posicionamento contundente contra o gesto da deputada Dra. Silvana.
Em sua análise, Bastos critica a associação entre feminicídio e ausência de fé como uma “leitura equivocada e perigosa da realidade”, que desvia o foco dos fatores reais como o machismo estrutural, a posse sobre corpos femininos e a impunidade histórica.
“Ao romper um pacto institucional de enfrentamento ao feminicídio, não se faz um gesto simbólico ou individual, mas se fragilizam políticas públicas construídas para prevenir mortes e proteger vítimas”, escreveu ela, destacando que tal discurso moral-religioso ignora dados e evidências, contribuindo para a desresponsabilização do Estado.
Bastos enfatiza que o feminicídio é um crime tipificado que exige respostas concretas, não crenças espirituais. Ela reforça a necessidade de compromisso institucional com a vida das mulheres, alinhando-se a outras vozes críticas, como a do Diário do Nordeste, que reportou o rebate imediato na assembleia cearense.
Leia abaixo e role o texto para assistir o vídeo da parlamentar rasgando, de modo grotesco, uma cópia de uma iniciativa inédita que é a cara do Lula, o que pode sugerir que o gesto de Dra. Silvana (PL-CE), partido de Bolsonaro, pode ter sido “método”.
NÚMEROS DO FEMINICÍDIO
As estatísticas sobre feminicídio no Brasil revelam uma trajetória ascendente e alarmante desde o início dos registros sistemáticos.
De acordo com o Atlas da Violência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as taxas de homicídios de mulheres aumentaram 31,46% entre 1980 e 2019, passando de 4,40 para 6,09 por 100 mil habitantes.
No Nordeste, o crescimento foi de 41,03%, enquanto o Sudeste registra a menor taxa média (3,45 por 100 mil).
Desde a sanção da Lei do Feminicídio em março de 2015, que qualificou o crime como hediondo, os números crescem anualmente: em 2015, foram cerca de 4.762 homicídios de mulheres (Mapa da Violência do Conselho Nacional de Justiça – CNJ); em 2022, 1.400 casos (recorde até então, segundo o g1); em 2023, 1.463; em 2024, 1.464; e em 2025, um pico histórico de 1.470 a 1.518 registros, conforme o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, representando uma mulher morta a cada seis horas.
No total, desde 2015, ao menos 13.448 mulheres foram vítimas, com 70% dos casos ocorrendo em residências por autores conhecidos.
Globalmente, o Brasil ocupa o 5º lugar em mortes violentas de mulheres, atrás apenas de países como El Salvador e Honduras, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em 2024, a ONU Mulheres reportou 83 mil mulheres mortas intencionalmente no mundo, com 50 mil por parceiros ou familiares – uma a cada 10 minutos.
No Brasil, tentativas de feminicídio subiram 26% em 2025, totalizando 3.870 casos, e 34% das mulheres já sofreram violência, afetando 3,7 milhões, conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
REPERCUSSÃO POSITIVA DO PACTO DE LULA NO MUNDO
A repercussão internacional do lançamento do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio por Lula destacou a iniciativa como um marco inovador na luta contra a violência de gênero, projetando uma imagem positiva do Brasil em meio a críticas históricas sobre impunidade.
Portais como o SAPO, de Portugal, enfatizaram a união dos Três Poderes para travar um crime que mata quatro mulheres por dia, chamando-o de “acordo histórico”.
Vídeos auto-dublados no YouTube circularam em canais internacionais, com legendas em inglês destacando o apelo de Lula para responsabilidade social masculina.
A ELLE Brasil repercutiu globalmente via redes, notando que o pacto responde a uma “sequência absurda” de casos em 2025, influenciando debates em fóruns como a ONU Mulheres, que elogiou a abordagem intersetorial.
No exterior, o ato foi visto como um contraponto ao conservadorismo, especialmente após o episódio da deputada Dra. Silvana, e reforçou o compromisso brasileiro com agendas como a Convenção de Belém do Pará.
Especialistas internacionais, citados em relatórios da ONU, apontam que tal pacto pode inspirar nações latinas, onde o feminicídio é endêmico, embora críticas pontuem a necessidade de ações concretas além de diretrizes.

SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:


Polêmica no PL: Deputada atribui feminicídios à ‘falta de fé’ e rasga pacto nacional. O gesto ignora a união inédita das instituições e as metas urgentes contra a violência. Um ato deplorável vindo de uma deputada e, acima de tudo, de uma pessoa que se diz de Deus.