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Democratas dos EUA criticam em carta defesa de Trump ao “líder do golpe” no Brasil

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    O ex-presidente
    O ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, aperta a mão do presidente dos EUA, Donald Trump, durante as primeiras gestões de ambos | Ao fundo, o Capitólio / Imagem reprodução/Google


    Parlamentares estadunidenses condenam a chantagem econômica e interferência no judiciário brasileiro pelo republicano



    WASHINGTON, 12 de setembro de 2025

    Em uma forte repreensão às táticas comerciais agressivas do presidente Donald Trump, um grupo de proeminentes democratas no Senado dos EUA enviou uma carta mordaz condenando a imposição de tarifas de 50% sobre o Brasil como uma tentativa descarada de proteger um autocrata estrangeiro da responsabilização.

    A missiva, liderada pela senadora Jeanne Shaheen, de New Hampshire, e pelo senador Tim Kaine, da Virgínia, acusa a administração de usar armas econômicas para interferir nos processos judiciais soberanos do Brasil, potencialmente elevando os custos para as famílias americanas no processo.

    As tarifas, promulgadas por ordem executiva em 30 de julho de 2025, visam importações do Brasil — o maior exportador mundial de café e um fornecedor chave de carne bovina e aeronaves — escalando uma rixa enraizada na lealdade de Trump ao seu antigo aliado, o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro.

    Bolsonaro, enfrentando julgamento no Supremo Tribunal Federal de Brasília por supostamente orquestrar um golpe para se manter no poder após sua derrota eleitoral em 2022, foi classificado como vítima de uma caça às bruxas por Trump.

    A carta do líder dos EUA ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva vincula explicitamente as taxas às exigências para interromper os processos, marcando uma rara fusão de vinganças pessoais e política comercial nacional.

    Escrevemos para expressar sérias preocupações sobre o claro abuso de poder inerente à sua recente ameaça de iniciar uma guerra comercial com o Brasil, declararam os senadores em sua correspondência, enfatizando que disputas comerciais genuínas exigem negociação, não intimidação política“.

    Eles destacaram como as medidas “minam a credibilidade dos EUA na América Latina, onde o Brasil serve como um parceiro vital no “combate à instabilidade regional e no incentivo às normas democráticas“.

    A carta adverte que tal interferência “mina a influência da América no Brasil e poderia prejudicar nossos interesses mais amplos na região“, ao mesmo tempo em que “nota a ironia das ações de Trump” espelharem a “própria subversão eleitoral que ele denuncia em casa“.

    Este “contra-ataque” congressional chega em meio a “repercussões mais amplas” da “blitz tarifária” de Trump, que já levou Lula a “prometer direitos recíprocos” sob a “Lei de Reciprocidade Econômica do Brasil“.

    Isenções para produtos básicos como “suco de laranja e jatos Embraer suavizam o golpe“, mas economistas preveem “efeitos em cascata: consumidores dos EUA podem enfrentar “café mais caro” em meio a “tensões na oferta global“, e “pecuaristas brasileiros correm o risco de perder participação de mercado” para concorrentes como a Austrália.

    A Casa Branca justifica as “penalidades como salvaguarda dos direitos de liberdade de expressão dos americanos contra alegadas ordens de censura brasileiras” visando plataformas como o X, embora os críticos argumentem que isso vela um ressentimento mais profundo sobre a prisão domiciliar de Bolsonaro” e o “escrutínio do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes“.

    Enquanto as nações do BRICS — incluindo o Brasil — se unem contra as taxas, a intervenção dos senadores “ressalta uma divisão partidária: os republicanos ecoam a narrativa de Trump de excesso judicial em Brasília, enquanto os democratas enquadram-no como um ataque ao estado de direito“.

    Com a implementação iminente, o “impasse testa os limites da autoridade comercial executiva, convidando potenciais desafios na Organização Mundial do Comércio e escrutínio de Tribunais Distritais dos EUA“.

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