📷 Crise na Tech: 2026 se consolida como o ano com mais demissões no setor tecnológico |•| Arte URBS MAGNA
| Brasília (DF)
18 de agosto de 2026
O setor global de tecnologia acumula mais de 125 mil demissões em 2026, superando o total de todo o ano de 2025 com quase cinco meses ainda pela frente.
O dado expõe como a corrida por automação via inteligência artificial já reformula, em tempo recorde, a força de trabalho que ajudou a construir o software moderno.
Os números, e por que eles variam
Segundo o rastreador Layoffs.fyi, citado pela Yahoo Finance a partir de reportagem da Fast Company replicada pela Futurism, as empresas de tecnologia eliminaram 122.606 vagas em 278 companhias ao longo de 2025.
Até 6 de agosto de 2026, esse número já havia sido ultrapassado, com 125.759 cortes — soma que a própria Layoffs.fyi atualizou dias depois para 126.305, puxada por rodadas de demissão em Salesforce, LinkedIn, Etsy, Zillow e Rapid7.
Outro rastreador, o TrueUp, chega a um total bem mais alto para o mesmo período: 152.808 vagas eliminadas em 397 eventos de corte.
diferença entre as plataformas decorre principalmente do escopo de empresas monitoradas — o TrueUp inclui bancos, varejo digital e empresas de serviços com forte componente tecnológico, além das big techs propriamente ditas.
Quem mais cortou, e por quê
A Oracle protagonizou o maior corte individual do ano, com cerca de 30 mil posições eliminadas, ao mesmo tempo em que anunciou planos de investir US$ 90 bilhões em infraestrutura de inteligência artificial no próximo ano fiscal — decisão que também rebaixou sua nota de crédito, segundo o IBTimes UK.
Meta, Amazon, Dell e Microsoft, esta com cerca de 4.800 demissões, também figuram entre os grandes nomes que reduziram equipes neste ano, de acordo com o Notebookcheck.
O padrão se repete em empresas menores: a Block, de Jack Dorsey, cortou 4 mil postos alegando a crescente capacidade das ferramentas de IA de assumir funções antes exercidas por humanos, segundo apurou o Tecflow. eBay e Pinterest seguiram linha semelhante, automatizando atendimento e anúncios.
Análises da TradingPlatforms e da consultoria Challenger, Gray & Christmas apontam a inteligência artificial como justificativa central em mais de 60% dos anúncios de corte no setor.
O paradoxo dos lucros recordes
O que chama atenção de analistas brasileiros é a coincidência entre demissões em massa e resultados financeiros excepcionais.
As big techs demitiram quase 100 mil funcionários neste ano enquanto registravam o trimestre mais lucrativo de suas histórias recentes — um professor da FGV observou que o mercado financeiro premia o corte de pessoal e pune o gasto elevado em infraestrutura de IA, o que ajuda a explicar por que empresas lucrativas continuam demitindo.
Esse contraste — lucro recorde ao lado de demissão recorde — desmonta a explicação puramente técnica oferecida pelas empresas.
A inteligência artificial funciona, em boa parte dos casos, como justificativa disponível para decisões que também respondem à pressão de investidores por margens maiores, não apenas à automação em si.
O Brasil não está isolado dessa tendência: levantamentos nacionais já registravam mais de 45 mil demissões globais no setor de TI só no primeiro trimestre de 2026, das quais cerca de 9 mil atribuídas diretamente à adoção de ferramentas de IA — mostrando que o fenômeno vinha se acelerando desde o início do ano.
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