Deputado cassado por pedir exoneração do MPF para esquivar-se de apurações e agora pré-candidato pelo Paraná enfrenta risco de novo escrutínio eleitoral que poderia implodir seus planos políticos
Brasília (DF) · 31 de janeiro de 2026
O ex-procurador que pediu exoneração do cargo para virar político, mas teve o mandato cassado, o paranaense da falida República de Curitiba, Deltan Dallagnol (Novo-PR), emerge como pré-candidato ao Senado pelo Paraná, mas paira sobre ele a ameaça de um novo embate no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em 2023, por decisão unânime da Corte, que apontou manobra para esquivar-se de apurações internas no Ministério Público Federal (MPF), Dallagnol pode ver opositores resgatarem o episódio para contestar sua elegibilidade.
A controvérsia remonta a 16 de maio de 2023, quando o TSE reformou o acórdão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) e cassou o mandato de deputado federal de Dallagnol, eleito em 2022 com expressivos 344 mil votos.
Os ministros entenderam que o pedido de exoneração do MPF configurou “fraude à lei“, visando evitar 15 procedimentos disciplinares pendentes. No entanto, a sentença não explicitou inelegibilidade por oito anos, preservando seus direitos políticos, o que abre brecha para a candidatura atual.
O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, confirma o lançamento de Dallagnol ao Senado, mas especialistas divergem sobre o risco. Para alguns, o processo de 2026 poderia espelhar o de 2022, com julgamento pós-eleitoral e resultados díspares entre instâncias regionais e nacional.
Segundo o blogueiro local, Esmael Morais, a inelegibilidade de Dallagnol até 2031 está ancorada na Lei da Ficha Limpa, tornando pesquisas que o incluem – como a recente da 100% Cidades/Futura, divulgada por Gazeta do Povo , em janeiro de 2026, onde Dallagnol aparece com 22% – potencialmente inválidas.
Politicamente, Dallagnol recalibra alianças. Afastado do senador Sergio Moro (União Brasil-PR), ele se aproxima do governador Ratinho Júnior (PSD-PR), apoiando o prefeito eleito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), em movimento que pode integrá-lo a uma chapa governista.
Em março de 2025, Dallagnol traçava planos para retomar a carreira política, enfatizando “mudanças estruturais” via bancada renovada no Congresso.
Há pouco mais de um mês, pesquisas posicionavam Dallagnol com 31% de preferência para o Senado, à frente de nomes como Alvaro Dias (MDB) e Gleisi Hoffmann (PT). No entanto, outro blog local revela estratégia de guerra jurídica para registrar a candidatura, inclusive apelando a tribunais superiores.
Essa encruzilhada judicial e política sublinha a volubilidade do sistema eleitoral brasileiro, onde passados controversos podem eclipsar aspirações futuras.

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