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Deltan comandava “confraria” que tinha Lula como alvo, diz Gilmar ao anular sentenças de Moro contra Dirceu


    Deltan Dallagnol – Igo Estrela/Metrópoles
    Lula chega à sede da PF em Curitiba – AFP
    Sergio Moro e José Dirceu – Agência Senado
    Gilmar Mendes – divulgação STF

    Ex-ministro da Casa Civil teve direitos políticos recuperados e pode concorrer ao cargo que quiser na eleição de 2026 – Decisão do ministro do STF ‘liga todos os pontos’ em uma cronologia do “conluio” contra Dirceu com foco no Presidente Lula – Leia a seguir

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    Em decisão que anulou todas as condenações de José Dirceu (PT) na Lava Jato, nesta terça feira (29/10), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), o decano Gilmar Mendes, afirmou que o ex-juiz e hoje senador Sergio Moro (União Brasil – PR) e os procuradores, liderados por Deltan Dallagnol, se associaram em uma “confraria” para, com “falta de isenção“, tornar o advogado e ex-ministro “coautor” de crimes de corrupção e que o hoje novamente Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seria o alvo final.

    Embora seus esforços tenham se voltado particularmente contra a maior liderança do partido, o consórcio seguia uma cartilha mais ampla: garantir que o juiz estivesse na dianteira de uma narrativa que culminaria na efetivação de um projeto de poder, cujo itinerário passava por deslegitimar o PT e suas principais lideranças, como José Dirceu“, escreveu o ministro, segundo transcrição no UOL.

    Gilmar Mendes disse que se confirmou “a tese dos advogados de Dirceu de que seu julgamento foi manipulado para que posteriormente fosse usado como argumento para condenar Lula“. Segundo o ministro, “a confraria formada pelo ex-Juiz Sérgio Moro e os Procuradores da Curitiba encarava a condenação de Dirceu como objetivo a ser alcançado para alicerçar as denúncias que, em seguida, seriam oferecidas contra Luiz Inácio Lula da Silva“.

    Segundo os advogados do ex-ministro, “no raciocínio construído pela força-tarefa, se José Dirceu ‘recebeu de Lula amplos poderes para negociação de cargos e estruturação de governo’, para se alcançar o Presidente, o requerente tinha, necessariamente, que ser acusado e condenado“.

    Se José Dirceu ficasse fora das investigações e dos processos criminais, se não fosse condenado e preso, Lula não poderia ser acusado e condenado, já que aquele era seu braço direito, incumbido da ‘negociação dos cargos e estruturação do governo“, disseram os advogados de Dirceu.

    Por este motivo, Gilmar diz que “a imbricação [conexão] das condutas a eles atribuídas é tão profunda que, muito embora José Dirceu não tenha sido formalmente acusado no caso do Triplex do Guarujá, seu nome foi citado nada mais nada menos do que 72 vezes na denúncia oferecida pela força-tarefa da Lava Jato“.

    Mendes disse que “a prática (…) fazia parte da rotina do conluio” e que Sergio Moro “parecia exercer a função de coordenador da força-tarefa” e “chancelava as peças do Ministério Público mesmo quando o processo já havia saído da sua alçada“.

    Apenas 10 dias depois, o juiz determina a condução coercitiva do atual Presidente para depor na Polícia Federal. Passados dois meses, o réu José Dirceu é condenado pelos delitos de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mencionando seu nome enquanto ajustavam estratégias para impulsionar procedimentos instaurados contra Lula. Os mesmos elementos que levaram o Tribunal a reconhecer a suspeição do ex-Juiz nos processos ajuizados contra Lula também se aplicam a Dirceu“, prossegue o ministro Gilmar, ligando os pontos.

    É certo que a mesma falta de isenção que havia em relação ao primeiro réu [Lula] também impediu que José Dirceu tivesse direito a um julgamento justo e imparcial. Quem acha que essa sincronia é simples coincidência decerto não tem compromisso com fatos nem com o devido processo legal!“, afirmou Gilmar Mendes.

    Mensagens enviadas no grupo de Telegram dos membros da força-tarefa em 30.8.2015 indicam que os procuradores articularam a acusação contra Camila Ramos como instrumento para exercer pressão psicológica sobre seu pai“, diz o magistrado ao citar reportagem de Carta Capital. “Nelas, os procuradores admitem que não há provas de que a investigada sabia da origem dos recursos, mas insistem na iniciativa para ‘fazer uma pressão danada’ já que ‘homem vai ficar puto!’“.

    Os fatos aqui comprovados mostram que, segundo o projeto de poder articulado pelo juiz e procuradores, condenar o requerente era um passo necessário para influenciar a opinião pública e deslegitimar o Partido dos Trabalhadores e suas principais lideranças“, disse Gilmar Mendes.

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