Delegado exonerado da superintendência da PF no Amazonas por Bolsonaro ensina como combater garimpo ilegal

O delegado da Polícia Federal, Alexandre Saraiva, afirma que “não é difícil” combater o garimpo ilegal. “Basta vontade política. É importante que as instituições criem um protocolo de atuação” | Imagem reprodução / Twitter

Alexandre Saraiva mostra nas redes sociais o passo a passo para interromper o extrativismo mineral que está causando os problemas, vistos na semana passada pelo Presidente Lula, aos indígenas Yanomamis

O ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas, delegado Alexandre Saraiva, que foi exonerado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após acusar de crime ambiental o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, explica, no Twitter, como combater o carimpo ilegal que está afetando a vida dos indígenas Yanomamis de Roraima e de outras regiões.

Após a repercussão, nas mídias do Brasil e do mundo, da visita do Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao Estado da Região Norte do País, Saraiva resolveu postar um passo a passo para a solução do “problema do garimpo na terra Yanomami” e diz que dever-se-á fazer “como foi feito na Operação Xawara, em 2011, atacando a logística dos criminosos“.

A Xawara foi deflagrada, naquele ano, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, identificando, na ocasião, grupos específicos, com 11 aviões, como principais responsáveis pela garimpagem ilegal na terra indígena Yanomami, que, desde os anos anteriores, nunca parou de agir, apesar das ações realizadas na reserva para coibir o crime, que exigem o dispêndio de recursos púbicos em grandes valores, conforme mostrou o portal Eco Amazonia.

De acordo com a publicação de Saraiva na plataforma, neste domingo (22/1), o primeiro passo seria “controlar o acesso no Rio Uraricoera“, bastando “instalar uma corrente no rio e uma base com dez agentes” que seriam originários da Polícia Federal, da FUNAI (Fundação Nacional do Índio), IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), e do EB (Exército Brasileiro).

Feito isso, o passo seguinte seria a identificação e apreensão dos “aviões que são utilizados na prática do garimpo“. O delegado lembra que “na época do operação Xawara foram apreendidas 14 aeronaves“. Na sequência da ação, “os pilotos que trabalham para o garimpo” seriam identificados e teriam o “brevet” suspensos.

Para Saraiva, “isso é o básico para resolver. Não é difícil, basta vontade política. É importante que as instituições criem um protocolo de atuação. Tipo: uma vez detectada uma balsa de garimpo, em 7 dias deve ser eliminada. A ação do Estado não pode parecer pontual e passageira“.

Continuando, o delegado afirma, em seu tuíte, que dever-se-á “acionar a FAB [Força Aérea Brasileira]. Em Boa Vista, Roraima, fica o esquadrão ‘Escorpião’ formado por excelentes aeronaves ‘Tucano T29’, para que patrulhem o espaço aéreo da Terra Yanomami. Essas aeronaves podem, além de reprimir o tráfego aéreo ilegal, plotar e fotografar os locais de garimpo“.

Com “imagens de satélite”, o passo a seguir seria a localização das “balsas de garimpo e efetuar sua destruição com explosivos. Designar equipe de peritos para realizar coleta da água, da fauna, solo e tecido humano (mediante autorização) para verificação do grau de contaminação por mercúrio“, prossegue Saraiva.

O passo seguinte seria o “rastreamento do ouro para localizar os compradores“. Saraiva lembra que “isso já pode ser feito com a tecnologia atual“. O delegado recomenta “rastrear também o dinheiro que sustenta o garimpo e para onde vai o $$ [faturamento] obtido com a atividade ilícita” e completa: “Isso é o básico para resolver o problema“.

Finalmente, após “interrompida a logística, os garimpeiros terão que sair“, conclui Saraiva, que opina categoricamente que “não existirá outra possibilidade para eles. Esta é a forma mais inteligente, de baixo custo, menos violenta e mais eficaz de se proteger os Yanomamis“. O delegado também deixou um link com a cobertura e resultados da operação a que se referiu em sua thread.

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2 comentários em “Delegado exonerado da superintendência da PF no Amazonas por Bolsonaro ensina como combater garimpo ilegal”

  1. Sônia Maria Rodrigues Brandão

    O delegado Saraiva, têm competência p assumir um cargo de chefia, espero quê sua capacidade profissional seja aproveitada e possa voltar a fazer o quê sabe de melhor, aqui vai meus votos.

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