Pessoas próximas a generais suspeitos de participação na trama golpista veem com preocupação a estratégia de defesa do ex-presidente e temem ser responsabilizados, mas Fernandes teria sido instrumentalizado para cuidar de questões relacionadas a tentativa de golpe atendendo, sim, a pedidos e cobranças superiores que seriam de Bolsonaro e Braga Netto
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O general kid preto indiciado por tentativa de golpe de Estado e preso pela PF (Polícia Federal), Mario Fernandes, avalia fazer uma colaboração premiada que traria fatos novos sobre a participação do ex-presidente inelegível até 2030 e também indiciado Jair Bolsonaro (PL), além do ex-ministro general Walter Braga Netto, disse a CNN Brasil.
Por conta disso, o deputado federal pelo PT mineiro, Rogério Correia, afirmou em suas redes sociais que a oitiva com o militar “vai pegar Bolsonaro e Braga Netto de cheio“, pois “basta lembrar da fatídica reunião dos ministros, onde ele fez fala prestando contas das tarefas encomendadas para agilizar o golpe antes das eleições“.
Delação do General Mário Fernandes vai pegar Bolsonaro e Braga Neto de cheio. Basta lembrar da fatídica reunião dos ministros, onde ele fez fala prestando contas das tarefas encomendadas para agilizar o golpe antes das eleições. https://t.co/gp2RUlcgaZ
— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) December 2, 2024
O texto da matéria compartilhada pelo petista diz que, em conversas reservadas, o general já teria demonstrado incômodo e irritação com o fato de estar sendo apontado por outros indiciados como um “lobo solitário” que agia sem comando superior e planejou e liderou antigos subordinados à revelia de ordens superiores, querendo impor suas vontades e percepções para forçar a adoção de “soluções poucos ortodoxas, extremadas e ilegais”, segundo relatos de uma fonte ao site.
Os primeiros relatos são de que, ao contrário dessa linha, Fernandes teria sido instrumentalizado para cuidar de questões relacionadas a tentativa de golpe atendendo sim a pedidos e cobranças superiores que seriam de Bolsonaro e Braga Neto.
Preso desde o dia 19 de novembro e indiciado pela Polícia Federal, Fernandes se dedica à leitura das 884 páginas do relatório final da investigação, no qual é apontado como uma das peças-chaves. Depois disso, os advogados vão estabelecer a estratégia de defesa.
Em conversas reservadas, pessoas próximas a generais suspeitos de participação na trama golpista veem com preocupação a estratégia de defesa de Bolsonaro e temem ser responsabilizados pelo ex-presidente. O argumento é que o inelegível até 2030 não sabia da conspiração, que envolveu até mesmo um plano para matar autoridades. Investigadores afirmam que Mario Fernandes analisa uma delação premiada.
Nesta segunda-feira (2/12), o ministro Alexandre de Moraes autorizou a transferência de Fernandes e do tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo para Brasília, onde ambos deverão ficar presos em unidades dentro do Comando Militar do Planalto (CMP).
Os dois são conhecidos como kids pretos devido à formação nas Forças Especiais do Exército, grupo de elite em que os militares são treinados para atuar em missões sigilosas com ambientes hostis e politicamente sensíveis.
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