‘Veja‘ publicou mídias com falas atribuídas ao ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que teriam sido feitas a interlocutor, após oitiva de nove horas
Integrantes da PF (Polícia Federal) afirmam que a delação premiada do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), o tenente-coronel Mauro Cid, pode ser anulada por conta de áudios em que ele supostamente critica a instituição policial e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, informa a ‘Folha de S. Paulo‘.
Nas gravações atribuídas a ele, o militar diz que era obrigado a usar versões prévias da PF e que suas declarações não eram aceitas, conforme publicou na noite desta quinta-feira (21/3) a revista ‘Veja‘, que disse que a gravação é da semana passada.
Segundo o texto, na semana em que depôs por nove horas, Cid teria dito depois, nos áudios, que os agentes davam a entender que ele poderia perder os benefícios da delação premiada a depender do que contasse e que eles queriam uma versão do “que não aconteceu“.
Sobre Moraes, o ex-ajudante de ordens o teria afirmado que ele “é a lei” que “prende” e “solta quando ele quiser, como ele quiser. Com Ministério Público, sem Ministério Público, com acusação, sem acusação“.
“Eu falei daquele encontro do Alexandre de Moraes com o presidente, eles ficaram desconcertados, desconcertados. Eu falei: ‘Quer que eu fale?‘ O Alexandre de Moraes já tem a sentença dele pronta, acho que essa é que é a grande verdade. Ele já tem a sentença dele pronta. Só tá esperando passar um tempo. O momento que ele achar conveniente, denuncia todo mundo, o PGR acata, aceita e ele prende todo mundo“, diz, supostamente, Mauro Cid.
“Ninguém perdeu carreira, ninguém perdeu vida financeira como eu perdi. Todo mundo já era quatro estrelas, já tinha atingido o topo, né? O presidente teve Pix de milhões, ficou milionário, né?“,teria afirmado o militar.
A PF indiciou Mauro Cid, Bolsonaro e Gutemberg Reis – deputado federal pelo MDB-RJ, além de outras 14 pessoas no caso de falsificação de certificados de vacinas contra a Covid-19.
Cid foi preso em 2023 e passou quatro meses na cadeia. Depois firmou um acordo de colaboração em setembro e foi determinado que ele não poderia assumir cargo no Exército até o fim das investigações, além de ter que usar tornozeleira eletrônica.
O ex-ajudante de ordens já prestou depoimentos sobre as reuniões de Bolsonaro com aliados e militares no fim de 2022.
