Afirmação foi feita em justificativa para retirada de sua assinatura do requerimento para a instalação da comissão de inquérito no Senado, onde um dos julgadores será “o coordenador da campanha do LULA”
“Você ser julgado por um juiz parcial é muito ruim“, disse o senador Oriovisto Guimarães, do mesmo partido e estado, o Podemos-PR, do qual fez parte o ex-juiz Sergio Moro, declarado pelo STF parcial ao julgar LULA. A afirmação foi feita ao justificar a retirada de sua assinatura do requerimento para abertura da CPI do MEC, que visa investigar a corrupção que o próprio congressista disse, em entrevista à Jovem Pan News, que “passos que não se podem negar” foram dados no Ministério da Educação”.
“A questão da CPI do MEC é muito grave“, disse Oriovisto, que e em seguida passou a descredibilizar o governo Bolsonaro sobre os escândalos de corrupção na pasta da Educação. Ele citou como exemplo a “tentativa de compra de 3.850 ônibus com o superfaturamento de R$ 732 milhões de reais“, que foi “impedida” pelo TCU (Tribunal de Contas da União).
O senador disse que o movimento “voltou” para o FNDE e acrescentou que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação “está sendo comandado hoje por um ex-chefe de gabinete do Ciro Nogueira“, que é presidente do Partido Progressistas e senador licenciado desde que assumiu o cargo de ministro-chefe da Casa Civil no governo Bolsonaro. Segungo Oriovisto, “o FNDE tem uma verba de R$ 55 bilhões“.
Depois de citar os casos noticiados pelas mídias sobre o envolvimento de pastores com a distribuição das verbas da Educação, Oriovisto voltou a condenar tais ocorrências dizendo que “fatos muito graves estão acontecendo no MEC“, mas logo em seguida afirmou que retirou sua assinatura porque “a CPI vai virar um palanque eleitoral“.
“Eu, em princípio, tinha até assinado favoravelmente a essa CPI, mas confesso que me arrependi, retirei minha assinatura porque isso vai virar um palanque eleitoral, não vai ser uma investigação imparcial, não vai ser uma investigação técnica“, disse Oriovisto.
“Então é melhor que o Senado, em época de eleições, fique fora disso“, afirmou, mesmo tendo declarado que os fatos ocorridos no MEC são inegáveis, ou seja, não são apenas indícios de corrupção.
“Os problemas existem, mas quem têm que investigar é a Polícia Federal, é o Ministério Público, e nesse momento não dá pra entregar a investigação para o coordenador da campanha do LULA“, afirmou o senador.
“Eu não estou inocentando ninguém, mas que tem fatos determinados graves, tem“, afirmou o senador. “Pra serem cinco prefeitos (…) foram depor por contra própria, (…) está acontecendo uma coisa muito séria ali“, afirmou.
Mesmo assim, Oriovisto disse que a investigação deverá ocorrer por conta dos órgãos “técnicos“.
Veja abaixo e leia mais a seguir:
O caso do MEC ganhou repercussão após divulgação de um áudio em que o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, admitiu priorizar as demandas dos pastores e que isso teria sido uma orientação do presidente Jair Bolsonaro.
Com a retirada da assinatura, o requerimento deixa de ter o apoio mínimo de 27 dos 81 senadores para ser protocolado.
Lideranças governistas no Senado trabalham para que mais assinaturas sejam retiradas nos próximos dias. Por outro lado, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) tenta conseguir novos apoios para a iniciativa.
Se o mínimo de 27 assinaturas for alcançado, caberá ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) decidir se autoriza ou não a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito.
Veja a lista dos senadores que assinaram o pedido de abertura da CPI do Mec, sem o endosso de Oriovisto Guimarães:
1. Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
2. Paulo Paim (PT-RS)
3. Humberto Costa (PT-PE)
4. Renan Calheiros (MDB-AL)
5. Styvenson Valentim (Podemos-RN)
6. Fabiano Contarato (PT-ES)
7. Jorge Kajuru (Podemos-GO)
8. Zenaide Maia (PROS-RN)
9. Paulo Rocha (PT-PA)
10. Omar Aziz (PSD-AM)
11. Rogério Carvalho (PT-SE)
12. Reguffe (Podemos-DF)
13. Leila Barros (PDT-DF)
14. Jean Paul Prates (PT-PI)
15. Jaques Wagner (PT-BA)
16. Eliziane Gama (Cidadania-MA)
17. Tasso Jereissati (PSDB – CE)
18. Cid Gomes (PDT-CE)
19. Alessandro Vieira (PSDB-SE)
20. Weverton Rocha (PDT-MA)
21. Dario Berger (PSB-SC)
22.Simone Tebet (MDB-MS)
23. Mara Gabrilli (PSDB-SP)
24. Jader Barbalho (MDB-PA)
25. Nilda Gondim (MDB-PB)
26. Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB)
