Análise das transformações na composição parlamentar brasileira revela desafios para o bolsonarismo e fortalecimento da esquerda em meio a eleições de 2026
Brasília, 25 de outubro 2025
O Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente condenado por tentativa de golpe de estado e inelegível até 2062, Jair Bolsonaro, enfrenta um revés expressivo na influência sobre as decisões legislativas.
De acordo com pesquisa recente da consultoria Arko Advice, o PL perdeu quatro parlamentares na lista dos 120 membros da elite do Congresso Nacional – aqueles com maior peso em negociações, pautas e articulação política.
Em contrapartida, o Partido dos Trabalhadores (PT), do Presidente da República Federativa do Brasil um dos fundadores da legenda, além de presidente de honra, Luiz Inácio Lula da Silva, ampliou sua presença em três nomes, alcançando 18 influentes.
Essa dinâmica, revelada no estudo Elite Parlamentar 2025, divulgado também pelo jornal O Estado de S. Paulo, sinaliza um enfraquecimento do bolsonarismo às vésperas das eleições de 2026, enquanto o PT consolida sua recuperação pós-2022.
A elite parlamentar, composta por 79 deputados e 41 senadores (cerca de 20% do total de legisladores), é crucial para o andamento de reformas, orçamentos e alianças com o Executivo.
O PL, que ainda detém a maior bancada na Câmara dos Deputados com 93 membros, viu sua fatia nessa esfera de poder cair de 17 para 13 representantes. Já o PT, com crescimento para 18, equipara-se ao União Brasil (14), PP (13) e PSD (13), que empatam na terceira posição.
Essa concentração de influência em uma minoria reforça desigualdades no processo decisório, impactando debates nacionais como a reforma tributária e a PEC da Segurança Pública, analisa o relatório da Arko Advice, que destaca a baixa representatividade feminina (apenas 10,8%, ou 13 mulheres) e o domínio regional do Nordeste (45 influentes) e Sudeste (44).
Atualizações recentes agravam o cenário para o PL. Em janeiro, quatro deputados abandonaram a sigla em meio a pressões internas do bolsonarismo radical. A polarização excessiva afasta moderados próximos ao governo Lula, especialmente no Nordeste e Norte, redutos petistas, e pode ocorrer mais baixas na bancada da Câmara.
Apesar disso, mudanças nas bancadas em dezembro de 2024 não alteraram o equilíbrio geral de forças, mas sinalizam migrações para siglas como o Republicanos, de Hugo Motta (PB).
A eleição das Mesas Diretoras em fevereiro ilustra essa transição equilibrada, mas com concessões ao PT.
Motta assumiu a presidência com 444 votos, seguido pela primeira vice-presidência com Altineu Côrtes (PL-RJ) e segunda com Elmar Nascimento (União Brasil-BA). No Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) foi eleito presidente, com a primeira vice para Eduardo Gomes (PL-TO) e a segunda para Humberto Costa (PT-PE), em chapa única por aclamação,.
Essa divisão proporcional – com PL e PT em cargos chave – reflete negociações para evitar rupturas, mas expõe a dependência do bolsonarismo de alianças com o Centrão.
Olhando para o contexto histórico, o declínio atual contrasta com o auge do PL pós-eleições de 2022. Naquele pleito, o partido de Bolsonaro elegeu 99 deputados – recorde histórico, superando até o antigo PFL de Fernando Henrique Cardoso em 1998 – e 14 senadores, consolidando-se como maior bancada no Congresso Nacional.
Essa força ampliou o “centrão” conservador, com aliados como PP (47 deputados) e Republicanos (41), totalizando 187 bolsonaristas na Câmara.
O bolsonarismo se profissionalizou, enraizando-se na sociedade e influenciando pautas como emendas parlamentares e obstruções legislativas.
As eleições municipais de 2024, no entanto, prenunciaram essa erosão. O PL, apesar de vitórias em capitais como Maceió, Aracaju e Cuiabá, perdeu relevância em coligações e em centros como Belo Horizonte (MG) e Goiânia (GO), enquanto o PT ampliou alianças em 84 municípios com o PV, fortalecendo sua interconectividade via poder orçamentário do Congresso.
O bolsonarismo institucional, focado em alianças, contrastou com um “bolsonarismo de rua” que perdeu protagonismo, levando a obstruções por pautas como anistia ao 8 de Janeiro, mas sem votos para aprová-las.
Em 2025, pressões judiciais intensificam o desafio. A prisão domiciliar de Bolsonaro em agosto, após denúncias da Polícia Federal (PF) e Procuradoria-Geral da República (PGR), gerou indignação no Supremo Tribunal Federal (STF) e resistência da cúpula congressional a medidas radicais.
Aliados pressionam por anistia no Congresso, com o líder Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) sinalizando apoio de Hugo Motta, mas especialistas como Francisco Fonseca (FGV/PUC-SP) preveem paralisia legislativa.
A federação União Brasil-PP-Republicanos, com 153 deputados, pode superar o PL, exigindo novas estratégias do bolsonarismo.
Para 2026, o Planalto orienta o PT a priorizar candidaturas ao Senado e conter o avanço bolsonarista, com Lula liderando pesquisas contra opositores.
A partilha de comissões em fevereiro abriu espaço para filhos de Bolsonaro, como Eduardo Bolsonaro (PL-SP), mas sua licença nos EUA ameaça o mandato.
Obstruções por anistia persistem, mas racham o agro, bastião do PL. Essa reconfiguração no Congresso Nacional não só redefine alianças, mas questiona o futuro do bolsonarismo: de força dominante em 2022 a ator secundário em 2025.
Para o PT, é hora de capitalizar ganhos, mas o Centrão permanece o fiel da balança em um Brasil politicamente volátil.
As articulações de 2026 já começaram, e o equilíbrio de poder pode virar com uma emenda ou uma denúncia.
RECEBA NOSSAS ÚLTIMAS NOTÍCIAS EM SEU E-MAIL








O bolsonarismo tá esfacelado, a divergência interna, é não encontrar um nome para 2026
Os comentários estão fechados.