Em editorial, jornalão diz que “o Brasil ganha quando o bolsonarismo perde – Considerando a direção e o ritmo dos ventos, o País pode começar a vislumbrar como real a chance de se ver livre dessa força política reacionária e destrutiva“
Brasília, 29 de setembro de 2025
Em um momento pivotal para a história recente do Brasil, o enfraquecimento do bolsonarismo emerge não apenas como uma vitória tática das instituições democráticas, mas como um imperativo para a consolidação de um estado de direito inclusivo e soberano.
As sucessivas derrotas sofridas pelo movimento liderado por Jair Bolsonaro pavimentam o caminho para um país mais justo, onde o povo exerce seu poder sem as sombras do autoritarismo e do golpismo.
Como destacado em recente artigo de opinião no Estadão, intitulado O Brasil ganha quando o bolsonarismo perde, o isolamento político e judicial dessa força reacionária permite que a nação “respire melhor”, priorizando agendas coletivas sobre agendas pessoais de impunidade.
O cerne da questão reside na ameaça inerente que o bolsonarismo representa ao estado democrático de direito.
Desde sua ascensão em 2018, o movimento, ancorado em narrativas populistas de direita, minou sistematicamente pilares como a Justiça Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal (STF), culminando em tentativas de golpe de Estado em 2023.
O texto do Estadão resume isso de forma incisiva: “Em sua cruzada, trabalhou para minar a Justiça Eleitoral, sucumbiu à velha política, atacou a democracia, tentou dar o golpe e foi vencido, limitado pelos diques de contenção das instituições democráticas.”
Essa visão é corroborada por análises recentes de especialistas, que veem no declínio atual uma oportunidade para restaurar a confiança nas instituições.
O cientista político Gabriel Rezende, em entrevista ao CenárioMT, afirma que a condenação de Bolsonaro pelo STF acelera o “rearranjo político”, com o populismo de direita em “rota decrescente” graças à atuação firme do Judiciário contra tendências autoritárias.
Rezende, autor do livro ‘A ascensão do populismo de direita no Brasil‘, enfatiza que a tentativa fracassada de golpe pelo núcleo bolsonarista, aliada a medidas como o uso de tornozeleira eletrônica imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, expõe a fragilidade dessa onda reacionária.
Do ponto de vista da soberania nacional, o bolsonarismo revela-se uma força subserviente a interesses estrangeiros, traindo sua retórica inicial de “amor à Pátria”.
O artigo do Estadão denuncia como aliados de Bolsonaro, incluindo o deputado Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo, recorreram a contatos no governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, para chantagear instituições brasileiras – uma manobra que ignora a autonomia do Brasil e prioriza a salvação pessoal do ex-presidente.
Essa interferência externa ganhou contornos dramáticos na 80ª Assembleia-Geral da ONU, na semana passada, quando Trump elogiou publicamente a “excelente química” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciando um encontro bilateral e silenciando sobre Bolsonaro.
Tal episódio, conforme relatado no O Globo, ampliou a rejeição ao bolsonarismo: pesquisas do Datafolha indicam que 61% dos brasileiros se opõem a anistia para Bolsonaro, enquanto o Ipespe aponta que a proximidade com Trump prejudica candidatos da direita em 53% dos eleitores.
O cientista político Antonio Lavareda, em análise à BBC News Brasil, reforça: cada passo de Trump contra o Brasil fortalece a coalizão em torno de Lula, reposicionando-o como guardião do patriotismo soberano e recolocando-o em “melhor posição de largada” para 2026.
Nas ruas e no Congresso, o progressismo de esquerda celebra o refluxo dessa força destrutiva.
Manifestações recentes em São Paulo, como as de 7 de setembro na Avenida Paulista, mostraram um bolsonarismo “em declínio”, com mobilizações menores que em 2021, segundo a BBC News Brasil.
Ali, figuras como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e deputados como Nikolas Ferreira (PL-MG) tentaram reviver o fervor, mas o ato foi ofuscado por protestos pró-democracia na Praça da República.
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No âmbito legislativo, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), rejeitou blindar Eduardo Bolsonaro contra denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) por “coação” na Ação Penal 2.668, enquanto o Conselho de Ética da Câmara avança em processos por cassação, citando ações contra interesses nacionais, como lobby por sanções americanas ao STF.
A Folha de S.Paulo descreve isso como a “pior crise” do bolsonarismo, agravada pela prisão de aliados como Carla Zambelli na Itália e pelo fracasso de Eduardo Bolsonaro em “salvar o pai”, o que pode resultar em condenações por obstrução de justiça e tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito.
Partidos do Centrão, como o PL e Republicanos, sinalizam distanciamento: pré-candidatos como Tarcísio de Freitas (SP) e Ratinho Junior (PR) emergem como alternativas, mas sem o sobrenome Bolsonaro, conforme pesquisa Atlas Intel, onde Lula venceria Tarcísio por 47,8% a 44,2%.
A cientista política Priscila Lapa, em entrevista ao Brasil de Fato, ironiza: promessas de indulto a Bolsonaro custam caro eleitoralmente, e a base bolsonarista “não é suficiente” para vitórias nacionais.
No Senado, líderes oposicionistas como Marcos do Val (Podemos-ES) e Damares Alves (Republicanos-DF) reagiram com repúdio às medidas do STF em julho, chamando-as de “autoritárias”, mas governistas defenderam a decisão como salvaguarda da democracia.
Como bem pontua o artigo do Estadão, citando Magalhães Pinto: “Política é como nuvem: você olha e ela está de um jeito; olha de novo e ela já mudou.”
No entanto, os ventos de 2025 sopram a favor do progressismo: com a aprovação de Lula em 47% (Ipespe, agosto), o Brasil avança rumo a eleições de 2026 mais soberanas e democráticas, livre das amarras de uma força que, em última instância, nunca representou o povo, mas sim o retrocesso.
Essa trajetória não é mero acidente, mas fruto da vigilância coletiva em defesa do progressismo, onde a soberania se constrói com inclusão social, justiça ambiental e equidade.
O declínio do bolsonarismo, portanto, não é o fim de um ciclo, mas o alvorecer de um Brasil verdadeiramente soberano e democrático.







