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Decisão sobre eleição na Venezuela será ‘inapelável’, diz Supremo do país enquanto oposição convoca protesto mundial

    A presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, Caryslia Beatriz Rodríguez, é cumprimentada pelo presidente do país, Nicolás Maduro | Reprodução X

    Historiador brasileiro compara María Corina Machado a Bolsonaro e lança a suspeita de que o país de Nicolás Maduro tem recebido ataques à sua soberania para gerar desconfiança no processo eleitoral

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    A presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, Caryslia Beatriz Rodríguez, afirmou, neste sábado (10/8), que a decisão da corte sobre a auditoria dos votos das eleições de 28 de julho será “inapelável”.

    O Supremo venezuelano iniciará uma fase de “perícia” com as provas recolhidas durante um recurso solicitado pelo presidente Nicolás Maduro para “certificar” a sua vitória nas eleições presidenciais de 28 de julho, após a qual emitirá uma decisão de natureza “inapelável”.

    Esta sala eleitoral dá continuidade à perícia iniciada em 5 de agosto de 2024 para produzir a decisão final que responda a este recurso”, disse a juíza titular do TSJ, que também é responsável pela sala eleitoral.

    Segundo ela, o que o tribunal determinar “terá caráter de coisa julgada porque este órgão jurisdicional é a instância máxima em matéria eleitoral, pelo que as suas decisões são inapeláveis ​​e obrigatórias”.

    O TSJ é acusado pela oposição de favorecer o governo com as suas decisões. A corte convocou os candidatos, além de outros oito minoritários, a comparecerem, após o aceite de um apelo de Maduro, em meio a alegações de fraude, para que o tribunal de mais alta instância certificasse o processo.

    Maduro, declarado reeleito com 52% dos votos para um terceiro mandato consecutivo de seis anos, ameaçou de prisão seu principal rival, Edmundo González Urrutia, a quem o presidente acusa de liderar um golpe de Estado junto com a líder da oposição, María Corina Machado.

    González Urrutia não compareceu à corte e disse que estaria em risco sua liberdade e os resultados das eleições de 28 de julho, que afirma ter vencido com 67% dos votos. Maduro disse que a ausência de seu opositor no tribunal é “escandalosa” porque ele “não reconhece” a instituição. 

    A oposição publicou num site cópias de mais de 80% das atas que afirma provarem sua vitória, mas o chavismo chama o material publicado de fraudulento. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) também não publicou os detalhes, alegando que o seu sistema foi hackeado.

    Enquanto países como Estados Unidos, Argentina e Uruguai questionaram diretamente o resultado publicado pelo CNE, o Brasil tem atuado em conjunto com Colômbia e México, pressionando Maduro a publicar as atas eleitorais e defendendo a divulgação transparente dos resultados.

    Os três países querem um diálogo entre a oposição e a situação para evitar a escalada da crise ou violência. Em comunicado conjunto, Brasil, México e Colômbia destacaram a necessidade da publicação das atas de votação e dos dados detalhados da eleição, reiterando que essa responsabilidade cabe ao CNE e não ao Supremo.

    Na sexta-feira (9/8), Maduro disse que uma conversa com os três presidentes ainda está “pendente” e que espera que o diálogo “aconteça”:

    Eu estou perto do telefone 24 horas por dia, todos os dias, quando quiserem falar, e, portanto, está pendente, vamos ver quando eles ligam”.

    Ontem, María Corina Machado convocou, em um post na rede social X, um protesto mundial, marcando-o para o próximo sábado (17/8): “Os venezuelanos se unirão em qualquer lugar do mundo para levantar a voz pela verdade: no dia 28 de julho, a Venezuela ganhou”, escreveu na mensagem. Ela pediu aos venezuelanos que procurem o voto nas atas que foram postadas no site da oposição, que as imprimam e levem para o protesto: “Que o mundo veja atas na mão”.



    O historiador e doutor em Relações Internacionais, Fernando Horta, afirma que o “futuro presidiário-presidenteJair Bolsonaro tentou, por todas as maneiras, fraudar as eleições brasileiras, chegando a propor grupos de militares para “terem acesso” ao código-fonte das urnas, que “supervisionassem” a programação das urnas e até grampeou e rompeu sigilos de pessoas que ele imaginava tinham acesso a esses meios informacionais para mudar resultados eleitorais.

    Horta diz que o inelegível tentou até o final impor um sistema de “auditoria” dos votos para “aumentar a confiança” na eleição e também propôs uma “contagem paralela” dos votos. Segundo o phd, em seu artigo no Brasil247, Bolsonaro não podia fraudar a eleição e, por este motivo, quis fraudar a auditoria para fazer a eleição de 2022 cair. E, sabendo disso, os ministros Luis Roberto Barroso e Alexandre de Moraes negaram o tempo todo uma realização desta “auditoria”, pois abrir-se-ia flanco para gerar ruptura de confiança e, assim, destruir o pleito que deu vitória ao Presidente Lula.

    Segundo o historiador, um relatório de uma empresa norte-americana com mais de 40 anos no mercado de cibersegurança e com um faturamento de quase 1 bilhão de dólares anuais mostra que a Venezuela foi alvo de diversos ataques, com técnicas diferentes, durante todo o mês de julho de 2024; que no dia da eleição (29/7) a Venezuela e o CNE foram alvo de uma técnica específica de ataques que só funcionam porque conseguem evadir sistemas de defesa cibernéticos específicos; que os ataques entre os dias 28 e 01 não são foram sazonais, mas direcionados ao processo eleitoral venezuelano; que os ataques foram de DDoS, direcionados a ACABAR com as comunicações entre os diversos pontos de votação no território venezuelano e o CNE em Caracas; e que o tráfego anormal de dados foi direcionado com um aumento de mais de 10 vezes o fluxo esperado dos sistemas de comunicação.

    Sobre as 25 mil atas “supostamente digitalizadas” por María Corina Machaco, Horta afirma que seriam necessários mais de 86 dias para toda a digitalização por apenas uma pessoa e que com mais pessoas o tempo seria menor, mas ainda assim seria pouco provável que em 48 horas ela tenha tivesse tudo organizado.

    O historiador lança a hipótese de que a líder da oposição na Venezuela já tinha “um banco de dados pré-organizado, feito segundo um processo estatístico que já previa testes de consistência do banco de dados (que vieram “misteriosamente” a aparecer no início da semana passada, feitos por uma Universidade norte-americana) e, assim que as eleições terminaram, ela esperou um tempo (para não despertar suspeitas) e abriu o “banco de dados” publicamente, enquanto ainda o CNE lidava com os problemas tecnológicos do envio das atas digitalizadas para Caracas“.

    Horta lembra, no final de longa análise no portal progressista de notícias, que a Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo.

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