Pesquisa revela mais da metade da população desaprova o Supremo, mas manchetes não mostram que isso ocorre altamente entre os apoiadores do ex-presidente – entre petistas, índice é de 36%
RESUMO <<A pesquisa do Datafolha expõe o legado de desgaste institucional deixado por Bolsonaro, com 91% de seus eleitores rejeitando o STF – reflexo direto dos constantes ataques do ex-presidente à Corte durante seu governo. Enquanto apenas 30% dos brasileiros em geral aprovam o Supremo, o índice cai para 5% entre apoiadores bolsonaristas, evidenciando como a estratégia de Bolsonaro de minar a credibilidade do Judiciário surtiu efeito em sua base. Em contraste, eleitores de Lula mantêm avaliação mais equilibrada (53% de aprovação), mostrando que a crise de confiança no STF está concentrada justamente nos setores influenciados pela retórica anti-institucional do bolsonarismo>>
Brasília, 29 de junho de 2025
Uma pesquisa do Datafolha, realizada entre os últimos dias 10 e 11, amplamente divulgada pela imprensa, mostra que que 58% do povo estão insatisfeitos com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a Corte máxima de Justiça do Brasil.
Paralelamente, tão somente 30% dos brasileiros afirmam ter admiração pelo Tribunal, enquanto 12% não responderam sobre o questionamento dos pesquisadores.
Segundo a publicação do Instituto de Pesquisas, o descontentamento se estende a outros poderes: 56% rejeitam o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 58% criticam os deputados federais e 59% desaprovam os senadores.
A polarização política influencia fortemente essas percepções. Não destacado nos títulos das manchetes da imprensa nacional, a reprovação ao STF, entre eleitores do PL, legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, alcança 91%, com apenas 5% expressando respeito pelos magistrados.
Já entre os simpatizantes do PT, 53% manifestam apreço pela instituição, contra 36% que a rejeitam. Quem votou em Bolsonaro em 2022 apresenta 82% de desgosto pelo tribunal, enquanto eleitores de Lula registram 52% de aprovação.
O influenciador digital Pedro Ronchi criticou a pesquisa que alega que os brasileiros estão insatisfeitos com o STF, questionando a premissa de que a justiça deva agradar ao povo.
“Percebeu que estão fazendo pesquisas para atacar o Lula? Agora, fizeram pesquisa para dizer que o brasileiro não está feliz com o STF, como se o STF tivesse sido feito para deixar o povo feliz e não para fazer justiça“, afirmou.
Percebeu que estão fazendo pesquisas para atacar o Lula? Agora, fizeram pesquisa para dizer que o brasileiro não está feliz com o STF, como se o STF tivesse sido feito para deixar o povo feliz e não para fazer justiça. Que tipo de pessoa não fica feliz com justiça sendo feita? pic.twitter.com/2lsBiL4tf5
— Pedro Ronchi (@PedroRonchi2) June 29, 2025
De fato, a principal função do STF é ser o guardião da Constituição Federal, garantindo que todas as leis e atos do poder público estejam em conformidade com a Carta Magna. Além disso, a Corte exerce um papel de tribunal máximo do Poder Judiciário, julgando casos de grande relevância para o país e uniformizando a interpretação da legislação federal.
Durante seu governo, Bolsonaro travou uma série de ataques públicos contra o Supremo Tribunal Federal, especialmente quando o STF tomava decisões contrárias aos seus interesses ou aos de seus aliados.
Ele frequentemente criticava ministros como Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, acusando o tribunal de judicializar a política e agir com viés ideológico.
Essas investidas verbais não ficaram restritas ao presidente – seus apoiadores mais radicais passaram a reproduzir e até intensificar esse discurso, inundando as redes sociais com ofensas e ameaças aos ministros, organizando protestos com cartazes pedindo o fechamento do STF e questionando a legitimidade das decisões judiciais.
Esse clima de confronto sistemático alimentou uma crise institucional sem precedentes recentes, onde o Judiciário passou a ser tratado como inimigo político por parte do governo e seus seguidores, minando a confiança nas instituições e acirrando ainda mais a polarização no país.
A postura de Bolsonaro não apenas desgastou as relações entre os Poderes, mas também ecoou entre sua base, normalizando um discurso agressivo que em vários momentos beirou o antidemocrático.
Ainda segundo a pesquisa, a avaliação do STF também varia conforme a percepção sobre o governo federal. Entre quem classifica a gestão Lula como positiva, 57% têm boa imagem da Corte. Já entre os críticos ao governo, só 10% veem o STF com bons olhos.
O tribunal ganhou maior visibilidade nos últimos anos devido a embates com o governo Bolsonaro e aos processos judiciais envolvendo o ex-presidente e seus aliados, como os casos ligados aos ataques de 8 de janeiro de 2023. Até janeiro de 2025, 898 pessoas foram responsabilizadas por esses eventos.
A pesquisa também mediu a percepção sobre as Forças Armadas: 55% dos entrevistados têm mais orgulho do que vergonha dos militares, enquanto 36% pensam o contrário. A diferença entre eleitores de Lula (52%) e Bolsonaro (54%) é mínima, dentro da margem de erro.
O Datafolha ouviu 2.004 pessoas em 136 cidades, com margem de erro de 2 pontos percentuais.
8 de janeiro
Ns ataques de 8 de janeiro de 2023 em Brasília, quando uma multidão de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiu e depredou o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF), manifestantes estavam insatisfeitos com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022.
Foram vandalizados especialmente as sedes dos Três Poderes, em um ato sem precedentes na história democrática do Brasil – episódio amplamente condenado pela opinião internacional como um ataque à democracia. Centenas de envolvidos foram presos.
Juristas brasileiros e internacionais, incluindo ministros do STF, classificaram os ataques como um “golpe terrorista” e um “atentado ao Estado de Direito“. Figuras como Alexandre de Moraes e Rosa Weber destacaram a gravidade dos atos, enquanto organizações internacionais, como a ONU e a OEA, repudiaram a violência.
Especialistas em direito constitucional compararam o evento ao Capitólio dos EUA (2021), alertando para os riscos do extremismo político. A resposta firme do Judiciário, com a condenação dos responsáveis, foi elogiada como essencial para a preservação da democracia brasileira.
Reconstrução
A reconstrução da Praça dos Três Poderes, após os ataques de 8 de janeiro, custou ao estado cerca de R$ 21,1 milhões, segundo dados obtidos pela CNN Brasil e pela Folha de S.Paulo. O maior prejuízo foi registrado no STF, com um valor de R$ 12 milhões.
Os valores para recuperação do STF, Congresso Nacional, Palácio do Planalto, bem como para a restauração de diversos itens e obras de arte, além do projeto de restauração da Praça dos Três Poderes, podem ser maiores.![]()








