| Brasília (DF)
21 de agosto de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua à frente de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial, segundo a nova pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (21).
O estadista aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% do senador.
No segundo turno, Lula registra 47%, ante 43% de Flávio.
Os números mostram, portanto, que Flávio reduziu a distância, mas ainda não ultrapassou Lula.
A diferença no primeiro turno caiu para seis pontos percentuais, enquanto no segundo turno os dois aparecem separados por quatro pontos — cenário considerado empate técnico no limite da margem de erro de dois pontos.
Mas há uma questão que vai além dos números: por que Flávio conseguiu se aproximar de Lula justamente no momento em que sua campanha passou a ganhar maior exposição?
A resposta não está em um único fator. E o próprio Datafolha não permite afirmar que determinado acontecimento tenha causado a mudança.
Entretanto, o ambiente político das últimas semanas mostra uma combinação de polarização, forte presença digital, ataques contra Lula e mobilização do eleitorado antipetista que ajuda a compreender a aproximação.
A “blindagem” apontada nas redes
Nas redes sociais, uma das críticas recorrentes feitas por usuários é a percepção de que Flávio Bolsonaro estaria recebendo tratamento menos negativo do que Lula diante de episódios potencialmente capazes de afetar sua imagem eleitoral.
É importante fazer uma distinção: isso é uma percepção manifestada nas redes sociais, não uma conclusão do Datafolha.
A crítica ganhou força porque, ao mesmo tempo em que as denúncias envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, dominaram parte do debate político, episódios envolvendo o próprio Flávio também apareceram no noticiário.
A Folha, por exemplo, informou que gravações mostram Flávio cobrando aportes do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre Jair Bolsonaro. A reportagem também registra que o candidato passou a explorar politicamente as suspeitas envolvendo Lulinha.
Esse contraste alimentou nas redes uma discussão sobre quais acusações recebem maior repercussão e quais conseguem permanecer em segundo plano.
A questão, portanto, não é afirmar que exista uma operação coordenada para proteger Flávio, algo que exigiria evidências específicas. O ponto é outro: há uma percepção pública de assimetria na exposição dos fatos, e essa percepção passou a fazer parte da própria disputa eleitoral.
Flávio transformou o caso Lulinha em uma das principais armas da campanha
O senador percebeu rapidamente o potencial eleitoral das investigações envolvendo o filho de Lula.
Em sua live de quinta-feira (20/ago), Flávio voltou a atacar o presidente e utilizou as suspeitas envolvendo Lulinha para tentar associar o caso diretamente ao governo.
A estratégia foi acompanhada de críticas à economia e de uma agenda centrada em segurança pública.
A movimentação é politicamente relevante porque Flávio conseguiu deslocar parte do debate para um terreno em que o eleitorado oposicionista já possui forte predisposição contra Lula.
Em outras palavras, o candidato não precisa necessariamente convencer um eleitor lulista. Seu desafio é mobilizar quem rejeita o PT, consolidar o voto bolsonarista e atrair eleitores que ainda não escolheram candidato.
E os números indicam que esse processo está funcionando, pelo menos parcialmente.
A oposição está cada vez mais concentrada em Flávio
A nova pesquisa mostra uma diferença importante em relação aos demais candidatos. Enquanto Flávio aparece com 33%, Ronaldo Caiado tem 5%, Renan Santos 4% e Romeu Zema 3%. Os demais nomes ficam ainda mais abaixo.
Isso significa que, neste momento, Flávio praticamente monopoliza o espaço eleitoral da oposição competitiva.
Essa concentração pode ser decisiva.
Em uma eleição polarizada, o eleitor que deseja derrotar o governo tende a considerar não apenas sua preferência ideológica, mas também quem possui chances reais de chegar ao segundo turno.
Flávio, portanto, passa a ser visto por parte desse eleitorado como o candidato capaz de enfrentar Lula, enquanto os demais nomes permanecem muito distantes.
A avaliação de Lula também abriu espaço para a oposição
Outro dado relevante é a avaliação do governo.
A parcela dos entrevistados que considera a administração Lula ruim ou péssima subiu de 38% para 41%, enquanto a avaliação positiva passou de 32% para 33% e a regular caiu de 28% para 25%.
A variação negativa está dentro da margem de erro, mas ocorre justamente no início da campanha oficial.
Esse dado ajuda a compreender por que a oposição encontrou espaço para crescer.
Não significa que os 3 pontos percentuais de piora na avaliação do governo tenham migrado diretamente para Flávio. Pesquisa eleitoral não permite estabelecer essa relação individual.
Mas existe uma lógica política evidente: quanto maior a insatisfação com o governo, maior tende a ser o espaço disponível para o principal candidato de oposição.
E, neste momento, esse candidato é Flávio Bolsonaro.
O fator “eleitor silencioso”
Há ainda um elemento particularmente interessante revelado na análise do Datafolha.
O jornalista José Roberto de Toledo chamou atenção para a existência de um possível “eleitor silencioso” de Flávio Bolsonaro — pessoas que não necessariamente declaram sua preferência nas pesquisas, mas que rejeitam Lula e podem acabar votando no senador.
Segundo a análise divulgada pelo UOL, o levantamento identificou grupos que, somados, poderiam representar até 10% de “voto potencial” associado a esse comportamento.
Esse dado não significa que Flávio tenha 10% de votos escondidos. Significa que existe um contingente de eleitores cuja posição pode não aparecer de maneira clara nas respostas tradicionais das pesquisas, especialmente em um ambiente altamente polarizado.
É justamente por isso que transformar os 33% de Flávio em uma previsão de resultado seria precipitado.
E onde entram as redes sociais?
As redes sociais não funcionam apenas como instrumento de propaganda. Elas também se transformaram em campo de disputa sobre quais assuntos devem ocupar o centro da eleição.
A estratégia de Flávio tem sido explorar intensamente temas capazes de mobilizar seu eleitorado: Lula, PT, segurança pública, economia e, principalmente, as acusações envolvendo o filho do presidente.
Do outro lado, usuários críticos ao bolsonarismo passaram a questionar a proporção entre a exposição desses assuntos e a repercussão de episódios envolvendo o próprio Flávio.
É nesse contexto que aparece a expressão “blindagem”.
O termo, porém, deve ser tratado com cuidado. Não há, na pesquisa Datafolha, nenhuma evidência de que a imprensa tenha “blindado” Flávio Bolsonaro. O que existe é uma discussão pública nas redes sobre eventual diferença de tratamento, exposição e enquadramento dos acontecimentos.
O que a pesquisa realmente revela
O Datafolha ouviu 2.058 eleitores em 127 municípios, entre 18 e 19 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais.
O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-04496/2026.
Os números são: Primeiro turno: Lula: 39%; Flávio Bolsonaro: 33%; Ronaldo Caiado: 5%; Renan Santos: 4%; Romeu Zema: 3%. Segundo turno: Lula: 47%; Flávio Bolsonaro: 43%.
A diferença no primeiro turno caiu em relação às pesquisas anteriores, e o segundo turno está muito próximo do empate técnico.
Portanto, há uma aproximação real nos números, mas ainda não há uma virada.
O que pode acontecer daqui para frente
A campanha está apenas começando.
A propaganda eleitoral gratuita começa em 28 de agosto, e a exposição dos candidatos deverá aumentar significativamente.
Além disso, entrevistas, debates e a disputa diária nas redes sociais poderão alterar a percepção de eleitores que ainda não consolidaram seu voto.
A própria campanha de Lula já prepara uma ofensiva mais direta contra Flávio, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira.
Entre as estratégias discutidas está o confronto das acusações envolvendo os dois lados.
Isso indica que a campanha tende a entrar em uma nova fase: menos apresentação dos candidatos e mais tentativa de definir negativamente a imagem do adversário.
Nesse ambiente, a capacidade de controlar a narrativa nas redes sociais poderá ser tão importante quanto o tempo de televisão.
A vantagem de Lula diminuiu e a disputa se tornou significativamente mais competitiva, revela o Datafolha.
Flávio consolidou-se como principal nome da oposição, mobiliza um eleitorado fortemente antipetista, explora os ataques contra o governo e consegue manter-se próximo de Lula no segundo turno.
Ao mesmo tempo, cresce nas redes sociais a discussão sobre uma suposta “blindagem” do senador, especialmente quando usuários comparam a repercussão de episódios envolvendo Flávio com a exposição de acusações contra pessoas ligadas ao presidente.
Essa percepção é fato comprovado. Mas ela própria já faz parte da batalha eleitoral.
E, enquanto Lula ainda lidera os dois turnos, Flávio Bolsonaro conseguiu transformar uma distância que parecia confortável em uma disputa que agora exige atenção redobrada do campo governista.
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Pode deitar pode rolar pode mugir que é Lula 13 no primeiro turno