Vereador avisou que vai “continuar fazendo o meu aqui” após demonstração de que não gostou do slogan de Bolsonaro: “Meu Deus”
Quando o slogan da campanha que tentará a reeleição do atual ocupante do Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro, foi divulgado para lançamento na propaganda do PL, na quinta-feira (2/6), o filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro, levou um baita susto.
“”Sem pandemia, sem corrupção, com Deus no coração. Ninguém segura esta nação”, dirá o presidente“, dizia a mensagem no perfil da Gazeta Brasil no Twitter.
“Meu Deus“, disse o camarista, como se não acreditasse no que leu, após afirmar: “Vou continuar fazendo o meu aqui e dane-se esse papo de profissionais do marketing“.
A afirmação foi suficiente para que os jornalistas Marianna Holanda, Matheus Teixeira e Julia Chaib, da Folha de S. Paulo, afirmassem que a “campanha de Bolsonaro vive racha na comunicação entre Carlos e aliados do centrão” e que o provável é que o vereador “deve liderar uma equipe formada por integrantes do chamado gabinete do ódio“, escreveram os jornalistas.
Veja abaixo e leia mais a seguir:
O filho do mandatário e responsável pelas redes sociais do pai é considerado o mentor da atuação de Bolsonaro nas plataformas digitais e crítico das estratégias convencionais do marketing eleitoral, afirma a matéria.
Na propaganda, Bolsonaro é retratado como um presidente calmo em uma roda de conversa com jovens, exaltando Deus, a família e a importância de que eles ouçam os conselhos dos pais.
O jornal diz que Carlos tem se queixado do que considera a linguagem mais artificial que os publicitários têm tentado conferir a Bolsonaro. O filho do presidente argumenta em conversas que é justamente a espontaneidade que diferencia o presidente dos demais candidatos, dizem os jornalistas.
Enquanto isso, a intempestividade que o vereador se refere é que afunda a imagem do presidente, de modo que para muitos isso é fato irreversível, pois LULA está chegando e pode vencer no primeiro turno.
A interferência de Carlos na área também é alvo de críticas internas desde o início do governo, mas ele se consolidou como o principal conselheiro do pai para assuntos de comunicação digital, diz a matéria. A influência de Carlos é considerada pelo PL como incontornável para quem assessora o presidente em assuntos de mídias.
De acordo com interlocutores, as críticas de Carlos não são personalizadas à figura do marqueteiro de Bolsonaro, uma vez que o vereador sempre se opôs à ideia de seguir as estratégias eleitorais clássicas.
Diante das queixas de Carlos, conselheiros de Bolsonaro têm tentado conciliar a visão do vereador e incorporar sugestões feitas por ele nas peças preparadas pela equipe de marketing. Isso porque ele segue como uma das pessoas mais ouvidas pelo presidente.
Em 2019, Bolsonaro disse que Carlos foi o responsável por sua eleição.
“Ah, o pitbull? Tá atrapalhando o quê? Não me atrapalhou em nada. Acho até que devia ter um cargo de ministro. Ele que me botou aqui. Foi realmente a mídia dele que me botou aqui. E ele não tá pleiteando cargo de ministro. Poderia botá-lo, mas não tá pleiteando isso aí“, declarou, na ocasião, de acordo com transcrição dos jornalistas.
O jornal diz ainda que interlocutores dizem reservadamente que a comunicação da campanha de Bolsonaro deve ser dividida em dois braços: uma tocada pelo PL e outra liderada por Carlos. A ideia é que os dois times atuem de forma independente, mas que o filho do presidente tenha a palavra final sobre a presença de seu pai nas redes sociais.
Carlos deve liderar uma equipe formada por integrantes do chamado gabinete do ódio, estrutura montada no Palácio do Planalto para produzir mensagens de difamação contra antagonistas do presidente, escrevem os jornalistas.
O QG eleitoral do presidente é coordenado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pelo presidente do PL. Conta ainda com participação ativa de Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil e cacique do PP.
O filho do presidente não participa das reuniões de campanha e desde o início apresentou ressalvas à profissionalização dela.
A profissionalização da estrutura política em torno de Bolsonaro não se limita ao marketing. Passa também por uma equipe jurídica liderada pelo ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Tarcísio Vieira de Carvalho Neto e pela advogada Caroline Maria Vieira Lacerda; e envolve a própria migração do mandatário para o PL, partido com maior acesso ao fundo eleitoral e a tempo de televisão.
A aposta do núcleo político é que Bolsonaro não se reelegerá da mesma forma como em 2018, apenas com redes sociais. Dessa forma, será preciso investir nas ferramentas tradicionais de campanha.
