Senadora, que deveria estar em retiro evangélico conforme diz nas imagens, afirmou que a escola criticou a igreja e o agro, e prometeu: “Acabou, Lula!”
Brasília (DF) · 16 de fevereiro de 2026
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou nas redes sociais que o desfile da Acadêmicos de Niterói é “de crime porque é um crime eleitoral (assista no vídeo ao final da matéria)”.
A bolsonarista, que foi uma das pessoas a ingressar com medidas judiciais contra a apresentação da agremiação niteroiense, insiste em afirmar que se trata de “uma campanha política antecipada com verba pública“.
Imagens de um vídeo nas redes sociais, que foram ao ar durante o desfile, mostram Damares afirmando que uma das alas da escola “ridiculariza a igreja evangélica, o agronegócio, especialmente a igreja evangélica“.
“Nessa ala fantasia são latas de conserva, como se estivéssemos em conserva. E o nome da ala: ‘neoconservadores em conserva'”, afirma a senadora.
As imagens apresentadas ao vivo pela Rede Globo, de forma muito rápida, apenas se observam foliões com fantasias de “latas” em que se veem imagens de famílias estampadas, sem identificação visual com o agro ou com a igreja evangélica, e nem fantasia que os caracterizassem, haja vista que diversos perfis nas redes sociais denunciaram o boicote da emissora à homenagem a Lula.
O documento “Abre alas”, divulgado pela Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), referente à Niterói, cita, de fato, o agro e a igreja evangélica. O trecho citado no documento diz respeito à “Ala 22 – Ala da Comunidade – Neoconservadores em conserva/Responsável pela ala: Direção de Harmonia Criação/Confecção: Tiago Martins“. O texto nesta passagem é:
“O humor segue em voga para caracterizar os chamados “neoconservadores”. Um grupo que atua fortemente em oposição a Lula, votando contra a maioria das pautas defendidas por ele, como privatizações e o fim da escala de trabalho 6×1. O movimento em ascensão no Brasil passou a se associar, dentro do campo político, aos seguidores da extrema direita. A fantasia traz uma lata de conserva, com uma defesa da dita família tradicional, formada exclusivamente por um homem, uma mulher e os filhos. Na cabeça dos componentes, há uma variação de elementos para enumerar os grupos que levantam a bandeira do neoconservadorismo. São eles: os representantes do agronegócio (na figura de um fazendeiro), uma mulher de classe alta (perua), os defensores da Ditadura Militar e os grupos religiosos evangélicos. No Congresso Nacional, formam um bloco conservador que defende pautas como flexibilização do porte de armas, exaltação às Forças Armadas, interesses do agronegócio e dos valores tradicionais da família.”
No trecho da transmissão da globo, o comentarista afirma que a Acadêmicos de Niterói “entra na reta final do desfile nesse setor retratando terceiro mandato de Lula, com o Presidente da República enaltecendo a defesa da soberania nacional“. E mostra a ala dos “conservadores aí numa late em conserva“.
Damares afirma, na sequência, que o uso de verba pública para ridicularizar a igreja evangélica é inaceitável. E que o governo Lula estava ciente do desfile que zombaria do povo evangélico e aprovou essa ação em nome da liberdade artística.
Ela destaca a presença de milhares de jovens evangélicos em eventos e congressos, ressaltando que nesses espaços não há violência ou problemas associados, apenas louvor e saúde. Mas ao mesmo tempo em que usa o argumento, deixa implícito que assistiu a todo o desfile da escola que homenageou Lula em busca de algo que pudesse usar contra o estadista, quando deveria também estar em retiro.
Ele expressa indignação pelo desrespeito à fé evangélica, comparando a situação à reação que haveria se fosse uma religião de matriz africana. Damares anuncia que está tomando medidas legais contra a escola de samba, considerando isso uma perseguição religiosa e criticando a inação do governo Lula e de seus ministros.
No trecho de um vídeo compartilhado nas redes sociais, a fala de Damares é emendada por uma opinião do carnavalesco global Milton Cunha, em que ele defende a manifestação cultural do povo brasileiro no Carnaval, com todas as suas nuances:
“Ah, tem muita macumba. Ah, é sempre a África, meu amor. É desfile da inteligência negra periférica. Tu quer que fale de quê? Da Branca de Neve? Tu quer que fale do Donald Trump? Não, meu amor. Vai falar de Clementina de Jesus, vai falar de Exu, vai falar de Laila, porque escola de samba é negra”.
“Os negros produziram a maior vitrine cultural do Brasil para o mundo. Aceita que dói menos não aos racistas, nem no samba e nem em qualquer lugar. Era só o que faltava. Vem se apropriar da linguagem da procissão e depois falando mal da negritude. Show“.
A fala, contudo, refere-se a outro momento, e não a Damares, mas é oportuna.
Assista abaixo, além de outras sequências capturadas pelas redes sociais:

SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:


Liberdade de expressão!!!
Putz! O Paco disse tudo! 🤭
A hipocrisia dessa senhora, chega a ser absolutamente canhestra, ela não tinha que estar em “retiro religioso”?
Mas a necessidade de aparecer como líder política que combate o “comunismo lulista”, em uma completa ignorância sobre o estado laico, querendo impor uma linha comportamental religiosa a sociedade, faz dela uma cidadã, razista, xenófoba e profundamente ignorante.