Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

Dallagnol paga R$ 146 mil devidos a Lula por conta da espetacularização do PowerPoint

    Comprovante de pagamento foi entregue à Justiça de São Paulo ; Presidente ganha indenização por danos morais devido à exibição do famigerado material com informações depreciativas que não provaram nada contra o estadista

    Clickable caption
    O então
    O então procurador da República Deltan Dallagnol faz apresentação com PowerPoint para anunciar o oferecimento de denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo MPF (Ministério Público Federal), em Curitiba |14.9.2016| Foto: Geraldo Bubniak/AGBEstadão | Ao lado, o Presidente da República Federativa do Brasil / Foto: Evaristo Sa


    Brasília, 05 de dezembro 2025

    Após quase uma década de disputas judiciais, o ex-procurador da República Deltan Dallagnol depositou, nesta quarta-feira (3/dez), o montante exato de R$ 146.847,13 em indenização ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    O pagamento, realizado em nome do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), refere-se aos danos morais causados pela polêmica apresentação em PowerPoint usada em 2016 para, na ausência de provas, no âmbito da Operação Lava Jato, enfraquecer a imagem do hoje novamente Presidente da República Federativa.

    Agora, cabe à defesa de Lula solicitar a liberação dos recursos, marcando o epílogo de um episódio que expôs tensões entre o Ministério Público e o devido processo legal.

    O comprovante de depósito foi entregue à Justiça paulista, responsável pelo trâmite desde o início do processo na 5ª Vara Cível de São Bernardo do Campo (SP).

    A quantia atualizada inclui o valor original fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), acrescido de correção monetária, juros e honorários advocatícios.

    Essa execução cumpre determinação judicial de julho de 2025, quando o juiz Carlo Brito Melfi concedeu 15 dias para o acerto, sob pena de multa adicional de 10%, segundo a coluna de Ancelmo Gois, em O Globo.

    Melfi confirmou o cumprimento pontual, destacando que Dallagnol, ex-deputado federal pelo Novo-PR com mandato cassado em 2024, utilizou recursos de doações de apoiadores para quitar a dívida – uma estratégia que ele mesmo havia anunciado em redes sociais.

    O Contexto: Da Denúncia Explosiva à Condenação por Abuso

    O histórico do caso do PowerPoint remonta a setembro de 2016, em Curitiba (PR), epicentro da Operação Lava Jato.

    Na época, Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná, concedeu uma coletiva de imprensa para anunciar a denúncia contra Lula pelo suposto recebimento de propina na forma de um tríplex no Guarujá (SP), ligado à empreiteira OAS.

    A apresentação, projetada em slides rudimentares, posicionava o então ex-presidente no centro de um fluxograma com termos como “comandante máximo do esquema de corrupção”, “maestro da organização criminosa” e ligações ao Petrolão e ao Mensalão – imputações que extrapolavam o escopo da denúncia formal, limitada a corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

    A defesa de Lula, liderada pelo hoje ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, argumentou que o material configurava ação abusiva e ilegal, equivalendo a um julgamento midiático antecipado que feriu a honra e a imagem do petista.

    O pedido inicial de indenização era de R$ 1 milhão, mas a Justiça de primeira instância, em 2017, julgou o caso improcedente, entendendo que Dallagnol atuara dentro de suas prerrogativas funcionais.

    O TJSP manteve a decisão em 2018, mas o rumo mudou em março de 2022, quando a Quarta Turma do STJ, por 4 a 1, condenou o ex-procurador a pagar R$ 75 mil por danos morais.

    O relator, ministro Raul Araújo, destacou que as expressões usadas não constavam da peça acusatória e visavam “atacar a honra e a reputação” de Lula, transformando a coletiva em um “espetáculo deprimente”.

    O veredicto inicial causou impacto na credibilidade da Lava Jato. Recursos subsequentes prolongaram a saga.

    Em agosto de 2022, o STJ manteve a condenação; em abril de 2024, a ministra Cármen Lúcia rejeitou anulação no STF; e em junho do mesmo ano, a Primeira Turma do Supremo, por unanimidade (com voto ausente de Zanin por impedimento), ratificou o entendimento, rejeitando argumentos da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).

    O episódio ocorreu meses antes da anulação, pelo STF, dos processos da Lava Jato contra Lula devido à suspeição do ex-juiz Sergio Moro.

    Desafios na Execução e Reações Polares

    A fase de cumprimento da sentença não foi isenta de obstáculos. No mês passado, a defesa de Lula teve de fornecer novos endereços de Dallagnol em Curitiba, após falha na intimação inicial em São Paulo, para evitar protelações.

    O valor então corrigido chegava a R$ 135.435,22, mas atualizações inflacionárias elevaram-no para os R$ 146.847,13 pagos agora.

    Dallagnol, como sempre fez, reagiu com veemência ao longo do processo. Em vídeo de novembro, ele ironizou o caso como uma “carta de Lula”, afirmando que “faria de novo mil vezes” para impedir a ascensão de investigados à Presidência, e que o pagamento viria de doações.

    Críticos viram nisso uma tentativa de reacender narrativas anti-PT e anti-STF, enquanto, para Lula, o desfecho reforça a tese de lawfare – uso político do Judiciário –, especialmente após a anulação de suas condenações em 2021.

    Com o trânsito em julgado, o foco agora se volta para possíveis desdobramentos em ações semelhantes contra outros agentes da operação.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

    🗣️💬

    Discover more from Urbs Magna

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading