Para o filho “traidor da pátria” do tornozelado, prisão domiciliar é ‘impunidade’, pois o preso se torna ‘carcereiro de si mesmo’; a opinião é antiga, mas será que ainda vale?
Brasília, 05 de agosto de 2025
O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente inelegível até 2030, Jair Bolsonaro, agora na condição de preso, já classificou a prisão domiciliar como “sinônimo de impunidade” em postagens feitas em 2017 e 2018 no X.
Segundo ele, a medida permite que “amigos do rei” fiquem em suas mansões, sendo “carcereiros de si mesmos”, enquanto o povo comum enfrenta condições mais duras.
“Dá para levar a sério um país onde existe PRISÃO DOMICILIAR? O condenado é carcereiro dele mesmo!!! Se não conseguem nem monitorar as tornozeleiras eletrônicas, quem dirá cada preso em seu domicílio. A lei de execuções penais e CPP precisam ser revisados urgentemente!!!”, escreveu Eduardo Bolsonaro em uma postagem no X, em 2018, segundo o jornalista Chico Pinheiro, após o jurista Lenio Streck chamar atenção para a opinião do parlamenter “traidor da Pátria“.
O jurista Lenio Streck resgatou este tuíte do filho 03, escrito em 2018. E então, deputado, o senhor continua com a mesma opinião?
— Chico Pinheiro (@chico_pinheiro) August 5, 2025
Resposta em português, please! pic.twitter.com/Wd69Dqqbrz
Em outra mensagem de 2017, Eduardo disse que “ladrão de galinha ir para a cadeia e ladrão amigo do rei para prisão domiciliar (leia-se mansão) é sinônimo de impunidade. Infelizmente juízes se utilizam de brechas nas leis para favorecer alguns. É preciso revogar o instituto da prisão domiciliar.”
E tem mais este tuíte aqui . E aí, “Zero-Três”, tá valendo? pic.twitter.com/TpZGk2LApC
— Chico Pinheiro (@chico_pinheiro) August 5, 2025
As declarações ganham destaque agora, quando Jair Bolsonaro enfrenta prisão domiciliar decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por descumprir medidas cautelares ao participar, via vídeo, de manifestações em Copacabana no domingo (3/ago).
A decisão volta a alimentar o debate sobre a aplicação da Justiça no Brasil e a relação entre o Judiciário e figuras políticas influentes.
A prisão domiciliar de Jair Bolsonaro foi motivada por sua participação em atos que, segundo Alexandre de Moraes, violaram a proibição de usar redes sociais, mesmo por terceiros.
Durante as manifestações, vídeos do ex-presidente foram exibidos por apoiadores, e uma saudação sua foi publicada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que removeu o conteúdo por orientação dos advogados.
Moraes destacou que a Justiça “não é tola” e que o descumprimento deliberado de medidas cautelares, pela segunda vez, exige consequências legais.
A operação da Polícia Federal resultou na apreensão de um celular na casa de Bolsonaro em Brasília, e ele está proibido de receber visitas, exceto de advogados, e de usar celulares.
A defesa, composta por Celso Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Tesser, alega que não houve descumprimento e promete recorrer.
As críticas de Eduardo Bolsonaro à prisão domiciliar contrastam com sua situação atual. Vivendo nos Estados Unidos, ele é investigado por supostamente conspirar contra a soberania brasileira ao incentivar sanções do governo de Donald Trump contra o Brasil.
Essas ações, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), visavam pressionar o STF para anistiar Jair Bolsonaro, réu em um processo sobre uma tentativa de golpe em 2022.
A decisão de Moraes também menciona a participação do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que usou uma ligação com Bolsonaro para amplificar mensagens contra o STF durante os atos.
O caso intensifica a tensão entre bolsonaristas e o Judiciário, com aliados como Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, chamando a medida de “revanchismo” e “fim da democracia”.
Mas, visivelmente, o que está ocorrendo é a defesa da democracia e soberania do Brasil. E tudo com respeito à liberdade de expressão de todas as partes envolvidas.









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