Presidente do Senado tensiona relação com o Planalto e ameaça confirmar ministro do Supremo; governo busca negociar saída para impasse político
Brasília, 27 de novembro 2025
O Palácio do Planalto articula um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, para desarmar uma crise política que ameaça a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A reunião, que deve ocorrer até a próxima semana, visa restabelecer o diálogo direto e decifrar as demandas do parlamentar, após o anúncio da nomeação sem a conversa prévia com o Congresso.
O impasse levou Alcolumbre a incluir, em retaliação, a votação de projetos que desagradam o governo. O presidente do Senado já marcou a sabatina de Messias para 10 de dezembro, pressionando o Planalto, lembra o Metrópoles.
A Raiz da Crise: Desrespeito e uma Vaga Cobiçada
Segundo aliados de Davi Alcolumbre, a irritação não se deve a uma “demanda obscura“, mas à forma como a indicação foi conduzida.
Líderes do Senado consideram a vaga – aberta com a aposentadoria do ministro Ricardo Lewandowski – uma espécie de “presente” para Lula e cobram que o presidente divida “o bônus” da escolha com o Legislativo.
A principal reclamação é a preterição do nome do atual presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que era o preferido da Casa.
Aliados de Pacheco argumentam que há uma “dívida” de Lula com o senador, que foi um dos principais opositores de Jair Bolsonaro e agora pode ficar sem a proteção de um mandato, enfrentando uma eleição difícil em Minas Gerais.
Enquanto isso, Jorge Messias, atual Advogado-Geral da União (AGU), é visto como um nome sem trânsito político suficiente para garantir os 41 votos necessários no plenário.
O Jogo de Cena no Congresso e as Possíveis Saídas
O governo, por meio do líder Randolfe Rodrigues, tenta mediar o conflito. Internamente, especula-se que Alcolumbre possa buscar cargos em uma futura reforma ministerial ou mesmo apoio de Lula para sua reeleição ao governo do Amapá.
Enquanto a negociação não avança, Lula segura o envio da mensagem formal que daria início ao rito da indicação no Senado.
A estratégia é evitar uma derrota certa no plenário. O temor do Planalto é que, sem um acordo, a indicação de Messias seja barrada, causando um desgaste político significativo para o governo.
Contexto e Rito da Nomeação ao STF
A indicação de um ministro ao STF é um dos atos mais importantes do Presidente da República, mas depende de aprovação do Senado Federal.
O rito começa com o envio de uma mensagem formal ao presidente do Senado, seguido de uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e uma votação secreta no plenário.
Esta não é a primeira vez que uma indicação ao Supremo gera atrito entre os Poderes. Em 2020, o então presidente Jair Bolsonaro travou uma queda-de-braço com o Senado pela indicação de Kassio Nunes Marques, que só foi aprovado após longas negociações.
A postura de Alcolumbre sinaliza um Senado mais assertivo e menos subserviente ao Executivo, um cenário que Lula será obrigado a administrar nos próximos anos.
O desfecho desse embate definirá não apenas o futuro de Jorge Messias, mas também o tom da relação entre os Poderes.

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Tudo isto seria evitado se houvesse um encontro entre o presidente da República, o presidente do senado e Rodrigo Pacheco. Ai estaria esclarecido tudo, que falta faz um bom diálogo.
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