Alta do dólar paralelo e queda na bolsa refletem instabilidade econômica sob o governo Milei – SAIBA MAIS
COMPARTILHE:
✅ UrbsMagna no WhatsApp
——-Canais de Notícias——-
➡️ UrbsMagna no Telegram
![]()
Brasília, 8 de abril de 2025
A Argentina enfrenta um novo capítulo de instabilidade econômica em 2025, com o dólar blue (paralelo) registrando a maior alta do ano, subindo 2,67% e atingindo 1.345 pesos.
No mesmo dia, a bolsa argentina caiu 3,9%, e o índice risco-país, que mede a percepção de risco de investimento no país, saltou de 925 para 960 pontos, segundo dados do site Ambito.
Em um comparativo histórico, em 6 de março de 2001, o risco-país estava em 725 pontos, subindo para 896 pontos em 6 de abril do mesmo ano, e em 2025, os números mostram uma piora significativa, com 714 pontos em 6 de março e 960 pontos em 7 de abril.
A situação atual remete à crise de 2001, um dos períodos mais graves da história econômica argentina, marcado por um colapso financeiro e social. A escalada do risco-país e a desvalorização do peso indicam um cenário preocupante, especialmente sob a gestão do presidente Javier Milei, que assumiu o poder em dezembro de 2023 com promessas de ajustes fiscais drásticos.
CONTEXTOS ECONÔMICO E MEDIDAS DE MILEI
Milei, conhecido por sua postura libertária, implementou políticas de austeridade que geraram resultados mistos. A inflação foi reduzida ao menor patamar desde 2021, e o governo alcançou superávit fiscal, mas a um custo social elevado.
A economia argentina encolheu 3,5% em 2024, de acordo com projeções do Banco Mundial, devido à queda no consumo e à perda de poder de compra de salários e aposentadorias. A pobreza atingiu 53% da população no primeiro trimestre de 2024, um aumento de 11,2 pontos percentuais desde a posse de Milei.
LEIA MAIS APÓS OS ANÚNCIOS
O presidente cortou drasticamente os gastos públicos, eliminando metade dos ministérios, paralisando obras públicas e demitindo mais de 30 mil funcionários públicos.
A agência estatal de notícias Télam e o Instituto contra a Discriminação foram fechados, enquanto greves de 36 horas, como a liderada pela Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE), protestaram contra os baixos salários e as demissões.
HISTÓRICO DE CRISES E RESERVAS INTERNACIONAIS
A crise atual não é novidade para a Argentina, que enfrenta problemas econômicos crônicos. Em 2014, a situação das reservas internacionais se agravou durante o governo de Cristina Kirchner, quando as exportações não foram suficientes para equilibrar as contas.
Analistas da época alertaram para a falta de perspectiva de melhora econômica, com risco de recessões severas, como uma queda de 4% no PIB.
Em 2022, a inflação acumulada em 12 meses até junho daquele ano atingiu 64%, e a taxa de juros chegou a 52% ao ano, a mais alta desde antes da pandemia.
O FMI, em março de 2022, alertou para “riscos excepcionalmente altos” de descumprimento do programa econômico argentino, que visava estabilizar a dívida, controlar a inflação e aumentar as reservas.
REAÇÕES E PERSPECTIVAS
O aumento do dólar blue, conforme registrado pelo site Dolarhoy, reflete a desconfiança no peso argentino. A cotação do dólar paralelo variou entre 1.325 pesos (compra) e 1.345 pesos (venda), enquanto o dólar oficial (mayorista) estava bem mais baixo, entre 1.051,14 e 1.091,06 pesos. Essa disparidade alimenta a inflação e a incerteza econômica.
A Argentina de 2025, sob o governo Milei, enfrenta um dilema: os ganhos macroeconômicos, como a redução da inflação, contrastam com o aumento da pobreza e a recessão. Resta saber se o ajuste fiscal trará uma recuperação sustentável ou se aprofundará a crise social e econômica do país.












