Pacto bilionário atravessa décadas e enfrenta momento mais crítico com França e Itália liderando bloqueio estratégico em Bruxelas; O QUE MUDA AGORA?
Brasília, 18 de dezembro 2025
O destino do maior tratado de livre comércio do planeta está por um fio. Nesta quinta-feira (18/dez), o Presidente da França, Emmanuel Macron, reafirmou de forma contundente que o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul “não pode ser assinado” nos termos atuais.
A declaração ocorre poucas horas após a Primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, classificar a assinatura como “prematura”, consolidando uma frente de resistência que ameaça enterrar as negociações de vez.
A ofensiva liderada por Paris e Roma não é apenas retórica. A França articulou uma “minoria de bloqueio” técnica ao lado de países como Polônia e Hungria. Juntos, esses membros atingem o critério de representar 35% da população da UE, o suficiente para impedir que a Comissão Europeia avance com a ratificação sem o consenso total.
O principal ponto de discórdia permanece sendo a agricultura. Macron argumenta que o pacto não oferece garantias de reciprocidade, expondo os produtores europeus à concorrência desleal de commodities sul-americanas.
Os franceses exigem mecanismos de salvaguarda mais rígidos para intervir caso as importações de carne e açúcar do Mercosul desestabilizem o mercado interno.
O Ultimato de Lula: “Agora ou Nunca”
Do lado sul-americano, o clima é de impaciência e frustração. O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reagiu duramente ao novo impasse. O estadista afirmou que se o texto não for assinado agora, o Brasil não voltará à mesa de negociações durante o seu mandato.
“Faz 26 anos que a gente espera esse acordo”, desabafou Lula, sinalizando que o Itamaraty já começa a priorizar parcerias alternativas com o Japão, Canadá e Índia.
Contexto Histórico: Uma Novela de Duas Décadas
A resistência francesa não é novidade, mas nunca foi tão coordenada. O histórico de oposição remonta a 1999, quando as conversas se iniciaram.
Em 2019, durante a gestão de Jair Bolsonaro, o governo de Macron já utilizava a pauta ambiental como barreira. Entretanto, em 2025, o peso mudou: o temor agora é puramente econômico e eleitoral, com Macron e Meloni pressionados por sindicatos rurais que veem no acordo uma ameaça à sobrevivência do modelo agrícola europeu.
A Alemanha e a Espanha pressionam pela aprovação para reduzir a dependência comercial da China, mas o eixo franco-italiano mantém o freio de mão puxado.
A expectativa era de que a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viajasse ao Brasil neste fim de semana para selar o pacto, mas o cenário atual indica um novo — e talvez definitivo — congelamento.

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