Senadora diz que escândalo do Master atinge outros bancos e também igrejas, templos e políticos
A senadora Damares Alves revelou na CPMI do INSS o envolvimento de grandes pastores e igrejas em fraudes bilionárias contra aposentados, com pressões para interromper investigações. O esquema, exposto pela PF e CGU, inclui descontos indevidos e lobby de bancos e políticos. Damares pediu à PGR a extinção de entidades fraudulentas e impeachment de autoridades omissas, visando ressarcir vítimas e restaurar confiança no sistema previdenciário.
Brasília (DF) · 13 de janeiro de 2026
O cenário político em Brasília assiste a um movimento curioso. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), figura que a esquerda brasileira recorda como um dos pilares da “guerra cultural” do governo Jair Bolsonaro, agora busca se apresentar como a paladina da justiça social na CPMI do INSS.
Embora o escândalo das fraudes contra aposentados seja urgente e revoltante, o novo papel da senadora levanta questões sobre a instrumentalização da fé e a seletividade de suas denúncias.
Ela emergiu como figura central nas apurações que desvendam um intricado emaranhado de irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em meio a um dos maiores abalos no sistema previdenciário brasileiro.
A parlamentar, autora de requerimentos que impulsionaram a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, tem articulado publicamente o envolvimento de proeminentes líderes religiosos em esquemas que lesam aposentados e pensionistas, gerando prejuízos estimados em bilhões de reais.
Damares Alves é lembrada pelos movimentos sociais e pela esquerda como a ministra que promoveu retrocessos em direitos humanos e utilizou o aparato estatal para perseguir pautas conservadoras — como o infame episódio em que tentou impedir o aborto legal de uma criança de 10 anos —, agora aponta o dedo para “grandes pastores”.
Segundo a parlamentar, o esquema de descontos indevidos, que desviou bilhões de reais de brasileiros vulneráveis, teria a participação direta de templos religiosos e lideranças evangélicas. Essa revelação ilumina as pressões subterrâneas exercidas para obstruir o avanço das investigações.
Para analistas progressistas, essa denúncia é uma faca de dois gumes. Por um lado, expõe como o uso mercantilista da fé pode ser usado para espoliar a classe trabalhadora. Por outro, vindo de Damares, a fala soa como uma tentativa de limpar sua própria imagem, dissociando-se de setores que ela mesma ajudou a empoderar politicamente durante o bolsonarismo.
A CPMI, instalada após coleta de assinaturas em 12 de maio de 2025, investiga descontos indevidos em folhas de pagamento de beneficiários do INSS, um golpe que movimentou mais de R$ 6,3 bilhões, conforme dados da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU).
O esquema envolvia associações civis que captavam aposentados para contribuições compulsórias fictícias, frequentemente sem consentimento, beneficiando entidades privadas e, agora revelado, templos religiosos.
O escândalo em si é um sintoma do projeto de desmonte da previdência pública. A Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da CGU, revelou que o esquema movimentou R$ 6,3 bilhões através de associações civis e entidades que operam com a lógica do lucro sobre a vida de quem trabalhou a vida inteira. A senadora afirma que há um lobby pesado para parar as investigações, citando inclusive o envolvimento do Banco Master e de figuras como o lobista conhecido como “Careca do INSS”.
Damares Alves destacou a participação de igrejas na captação de vítimas: “Nós estamos identificando igrejas no esquema de fraude com aposentados. Há pastores que pedem para não investigar, não decepcionar os fiéis”, afirmou, segundo o SBT News.
A informação se baseia em depoimentos à comissão, onde a senadora lamentou o impacto emocional: “Grandes igrejas no Brasil estão sendo apontadas na CPMI do INSS. E isso me machuca muito”. Esses líderes religiosos exercem lobby para interromper as apurações, temendo repercussões entre fiéis.
O escândalo transcende o âmbito religioso, abrangendo bancos como o Master e políticos de espectros ideológicos variados.
Damares relatou pressões de instituições financeiras e parlamentares de direita e esquerda, com investigações apontando para a quebra de sigilos que expuseram transações suspeitas.
Em ação protocolada na Procuradoria-Geral da República (PGR) em 6 de maio de 2025, a senadora denunciou o ex-ministro Carlos Lupi (Previdência Social), o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e o atual titular Wolney Queiroz por omissão intencional, permitindo a perpetuação das fraudes.
Lupi, que caiu do cargo em meio ao furor, admitiu conhecimento das irregularidades desde 2023.
Figuras como o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, emergiram nas apurações, com frota de luxo – incluindo 11 Porsches – ligada ao esquema, descoberta após denúncia recebida por Damares em Brasília.
A senadora, em requerimento à PGR, pleiteou a extinção das 12 associações envolvidas e o confisco de seus patrimônios para ressarcir vítimas, enfatizando a necessidade de respostas efetivas para restaurar a confiança no sistema previdenciário.
Além das igrejas, o inquérito abrange irregularidades em contratos do antigo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), pasta chefiada por Damares durante o governo Jair Bolsonaro, com desvios estimados em R$ 3,8 milhões investigados pela PF e CGU em 19 de agosto de 2025.
A parlamentar, no entanto, afirma ter solicitado auditorias internas ao detectar indícios, resultando em ressarcimentos parciais.
A oposição, liderada por Damares, ameaça recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não avance com a CPMI, sublinhando a urgência de transparência em um caso que afeta milhões de brasileiros vulneráveis.
Entretanto, a memória da esquerda não falha: enquanto Damares agora clama pela punição de pastores corruptos, ela própria é alvo de investigações. O antigo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, sob sua gestão, é investigado por desvios de R$ 3,8 milhões em contratos suspeitos.
A CPMI do INSS é necessária para proteger os aposentados, mas o campo progressista observa com cautela.
A luta contra a corrupção não pode ser um espetáculo de conveniência política para quem, historicamente, atuou contra os direitos das minorias e o fortalecimento do Estado Democrático.
Se pastores e políticos de direita ou esquerda cometeram crimes, a justiça deve ser plena — sem que isso sirva de cortina de fumaça para o histórico de quem agora segura o martelo.

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