Em meio a denúncias que ameaçam implodir o Planalto, o Ministério da Saúde exonera o diretor de logística citado como responsável pelo pedido de propina
A deputada federal Fernanda Melchionna (Psol-RS) postou trecho de gravação do presidente Jair Bolsonaro em que afirma, ao lado do filho Eduardo Bolsonaro: “Me chama de corrupto, p*“. No tuíte, a parlamentar escreveu a mensagem: “US$ 1 dólar de propina por dose”, em alusão a matéria da Folha de S. Paulo, da noite desta terça-feira (29), sobre novo escândalo do governo relacionado à suposta combrança de propina, no valor mencionado, pelo Ministério da Saúde. A Comissão Parlamentar de Inquérito vai convocar o representante da empresa que afirmou à repórter da Folha ter recebido pedido de propina:
U$1 dólar de propina por dose. pic.twitter.com/W8oUh5tmpX
— Fernanda Melchionna (@fernandapsol) June 30, 2021
Os integrantes da CPI decidiram pela convocação de Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply, após afirmação ao jornal. Segundo ele, a proposta partiu de Roberto Dias, diretor de logística do Ministério da Saúde. A empresa queria negociar 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca.
A pasta anunciou a exoneração de Dias que, segundo a Folha, foi procurado pela reportagem, mas não atendeu as ligações. Segundo o UOL, Bolsonaro tentou indicar Dias à direção da Anvisa em 2020.
A exoneração, que foi confirmada em nota pelo ministério e tem programada a publicação da medida para esta quarta-feira (30) no Diário Oficial da União, também ocorre em meio a investigações sobre suspeitas de irregularidades na compra da vacina Covaxin, processo em que o diretor também é citado.
Representantes do ministério também dizem que foi instaurado um procedimento administrativo para apurar as suspeitas no caso da Covaxin. A pasta alega ainda que a exoneração de Dias foi decidida na manhã desta terça, antes das revelações da Folha.
Roberto Dias foi indicado ao cargo pelo líder do governo de Jair Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), e sua nomeação ocorreu em 8 de janeiro de 2019, na gestão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM), mas, em uma rede social nesta terça, Barros negou tê-lo indicado ao posto.
“Em relação à matéria da Folha, reitero que Roberto Ferreira Dias teve sua nomeação no Ministério da Saúde no início da atual gestão presidencial, em 2019, quando não estava alinhado ao governo. Assim, repito, não é minha indicação. Desconheço totalmente a denúncia da Davati”, escreveu.
Em relação à matéria da Folha, reitero que Roberto Ferreira Dias teve sua nomeação no Ministério da Saúde no início da atual gestão presidencial, em 2019, quando não estava alinhado ao governo. Assim, repito, não é minha indicação. Desconheço totalmente a denúncia da Davati.
— Ricardo Barros (@RicardoBarrosPP) June 30, 2021
O jornalista Tiago Barbosa afirmou que “a bolsa de valores não “despencou” e o dólar não “disparou” mesmo com o absurdo escândalo de corrupção em que o governo Bolsonaro trocou vidas por propina na vacina. Sabe por quê? Porque o mercado se lixa pra população, só quer esfolar o Estado e se espanta é com pauta pró-povo“:
A bolsa de valores não “despencou” e o dólar não “disparou” mesmo com o absurdo escândalo de corrupção em que o governo Bolsonaro trocou vidas por propina na vacina. Sabe por quê? Porque o mercado se lixa pra população, só quer esfolar o Estado e se espanta é com pauta pró-povo.
— Tiago Barbosa (@tiagobarbosa_) June 30, 2021

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A que ponto chegamos!! E pensar que o desgraçado corrupto metido a macho, disse claro e em bom som que a MILÍCIA seria BEM VINDA no governo dele. E A GENTE NAO ACREDITOU!!
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