Diretrizes obrigam reserva de espaço para produções nacionais com objetivo de garantir a pluralidade de títulos no mercado audiovisual
Brasília, 24 de dezembro 2025
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um passo decisivo para o fortalecimento da indústria audiovisual ao assinar, nesta quarta-feira (24/dez), o decreto que regulamenta a Cota de Tela para o ano de 2026.
Publicada no Diário Oficial da União, a norma restabelece obrigações rigorosas para que complexos exibidores garantam não apenas a exibição de filmes brasileiros, mas também uma diversidade mínima de títulos, evitando o domínio absoluto de poucas produções comerciais.
De acordo com o texto oficial, a medida visa “garantir não apenas a presença do filme brasileiro, mas também a diversidade de títulos”, impedindo que o mercado seja saturado por um número restrito de obras.
A fiscalização e o detalhamento técnico de todo o processo ficarão a cargo da Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Como Funcionará a Cota em 2026?
A nova regulamentação estabelece percentuais de sessões que variam conforme o tamanho do grupo exibidor. Quanto maior o número de salas sob uma mesma gestão, maior o compromisso com o cinema nacional.
Tabela de Percentual Mínimo de Sessões
| Quantidade de Salas do Grupo | Cota de Sessões (%) |
| 1 sala | 7,50% |
| 4 ou 5 salas | 8,50% |
| 10 ou 11 salas | 10,00% |
| 21 a 30 salas | 12,50% |
| 101 a 200 salas | 15,50% |
| 201 ou mais salas | 16,00% |
Além do volume de sessões, o governo impôs uma cláusula de diversidade. Complexos com apenas uma sala devem exibir ao menos 4 títulos nacionais diferentes por ano, enquanto grandes complexos com 16 salas ou mais são obrigados a levar pelo menos 32 obras distintas ao público.
Contexto e Repercussão:
O Retorno de uma Política de Estado
A Cota de Tela tem uma história longa no Brasil, tendo sido instituída originalmente em 1937. No entanto, o mecanismo ficou sem validade entre o fim de 2021 e o início de 2024. A Lei 14.814/2024, sancionada no início deste ano, foi o que permitiu a prorrogação dessa obrigatoriedade até 2033, sendo este decreto de Lula a peça regulamentadora para o ciclo de 2026.
A medida não agrada a todos. Representantes do setor de exibição demonstram preocupação com a rigidez das métricas e a liberdade de programação. Por outro lado, o Ministério da Cultura, sob o comando de Margareth Menezes, defende que a cota é essencial para que o brasileiro possa “se ver nas telas”.
“Retomamos uma política que se mostrou exitosa, garantindo melhor condição de concorrência para nossa indústria”, afirmou a ministra em declarações recentes sobre a retomada do fomento ao setor.
O papel da Ancine e as punições
A Ancine terá o poder de aplicar multas pesadas em caso de descumprimento. De acordo com informações do Senado Notícias, em 2024, o valor da penalidade pode chegar a 5% da receita bruta média diária do complexo cinematográfico, multiplicada pelo número de sessões em falta.
O decreto entra em vigor imediatamente, mas seus efeitos práticos de reserva de mercado serão aplicados especificamente para a programação do ano-calendário de 2026.

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