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Decisão, tomada unânime também impõe inabilitação perpétua para cargos públicos, impedindo a ex-presidenta de concorrer nas eleições de 2025 – SAIBA MAIS
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Buenos Aires, 10 de junho de 2025
A Corte Suprema de Justicia de la Nación rejeitou nesta terça-feira (10/jun) os recursos da defesa de Cristina Kirchner, confirmando sua condenação a 6 anos de prisão por administração fraudulenta no caso Vialidad.
A decisão, tomada por unanimidade pelos juízes Horacio Rosatti, Carlos Rosenkrantz e Ricardo Lorenzetti, também impõe inabilitação perpétua para cargos públicos, impedindo a ex-presidenta de concorrer nas eleições de 2025.
Entenda o caso
O caso Vialidad envolve irregularidades na concessão de 51 obras públicas na província de Santa Cruz ao empresário Lázaro Báez, aliado de Cristina Kirchner.
A Justiça comprovou desvios de mais de US$1 bilhão, beneficiando empresas ligadas à família Kirchner.
“É corrupção ou justiça”, afirmou o fiscal Diego Luciani durante o processo.
Por ter 72 anos, Cristina Kirchner pode solicitar prisão domiciliar, conforme previsto na legislação argentina para maiores de 70 anos.
O Tribunal Oral Federal 2 (TOF 2), presidido por Jorge Gorini, decidirá as condições da detenção, que pode ocorrer em Buenos Aires ou Santa Cruz.
A decisão da Corte Suprema reconfigura o cenário eleitoral. Cristina Kirchner, líder do Partido Justicialista (PJ), planejava candidatar-se a deputada pela Província de Buenos Aires em setembro de 2025.
Sua inabilitação força o peronismo a repensar estratégias para as legislativas de outubro. “Estar presa é um certificado de dignidade”, declarou Kirchner antes do veredito.
O governador da capital argentina, Axel Kicillof, criticou a decisão, chamando-a de “perseguição política”. Já o presidente Javier Milei celebrou, afirmando: “A justiça funciona”.
Juan Grabois, líder social, alertou para “o início de uma ditadura virtual”. A militância peronista se mobilizou na sede do PJ, em Matheu 130, em apoio à ex-presidenta.
Além de Vialidad, Cristina Kirchner enfrenta acusações em casos como Hotesur-Los Sauces e o Memorándum com Irã.
Os casos Hotesur-Los Sauces envolvem denúncias graves de irregularidades financeiras relacionadas as empresas Hotesur, responsável pela gestão de hotéis, e Los Sauces, uma imobiliária, que, segundo promotores, eram utilizadas pelos Kirchner para lavar ativos obtidos ilegalmente por meio de contratos públicos.
O caso do texto do “Memorando de Entendimento”, assinado em 2013 durante o segundo mandato presidencial de Kirchner, previa a criação de uma comissão formada por representantes de cada país e juristas internacionais para analisar os documentos judiciais da Argentina e do Irã.
O documento tinha como o objetivo de tentar esclarecer o ataque ao AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina), no qual o sistema de justiça argentino identificou diplomatas e autoridades iranianas como supostamente responsáveis por dar ao Hezbollah a ordem para realizar o ataque,
Em dezembro de 2024, a Corte Suprema ordenou julgamentos orais por lavado de dinheiro e encobrimento no atentado à AMIA, aumentando a pressão judicial sobre a ex-mandatária.
O TOF 2 determinará a execução da pena até 19 de junho. Cristina Kirchner e outros condenados, como Lázaro Báez e José López, devem se apresentar em Comodoro Py – quartel-general dos principais juízes federais da Argentina
A decisão marca um precedente histórico, sendo Kirchner a primeira ex-presidenta argentina a enfrentar prisão.
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