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Coronel Ustra, primo do torturador da ditadura, é eleito vereador com apoio de Bolsonaro e gera polêmica

    Tenente-coronel Marcelo Ustra (PL), eleito vereador em Porto Alegre, ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro – Reprodução Facebook

    Assessor especial de Defesa da Democracia, Memória e Verdade do Ministério dos Direitos Humanos defende que o parente do condenado tome posse, mas lamenta que a sociedade desconheça quem foi o torturador: “Quem elege é porque ou desconhece ou se conhece acha que deve ser

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    O tenente-coronel Marcelo Ustra da Silva Soares (PL), primo do torturador da ditadura Carlos Alberto Brilhante Ustra, que chefiou o DOI-Codi – órgão de repressão militar e que morreu em 2015, foi eleito vereador por Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.

    O político recebeu apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que na ocasião do golpe 2016, disfarçado de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), exaltou o primeiro oficial condenado em ação declaratória por sequestro e tortura durante a ditadura militar (1964-1985).

    O vereador eleito Coronel Ustra recebeu 2.669 votos e foi o quarto candidato mais votado do PL na capital gaúcha. Com isso, o assessor especial de Defesa da Democracia, Memória e Verdade do Ministério dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, defende sua posse, mas lamenta que a sociedade desconheça quem foi o torturador Brilhante Ustra.

    Para Miranda, se Marcelo Ustra não tiver envolvimento com nada ilegal, não há empecilhos para sua eleição: “Importante é a memória. Ele [Carlos Alberto Brilhante Ustra] foi o primeiro torturador condenado no Brasil“, diz o assessor especial, conforme transcrição na Folha de S. Paulo.

    Agora, é bom votar sabendo o que o Carlos Alberto Brilhante Ustra fez. Tem que ter em todos os lugares, nos filmes, no teatro, na literatura, nas escolas. O que me assusta é a sociedade não ter ainda tomado para si isso. Quem elege é porque ou desconhece ou se conhece acha que deve ser“, disse Miranda.

    Segundo o texto, Miranda, ex-militante contra a ditadura que foi preso e torturado, afirma que espera que os vereadores de Porto Alegre façam debates civilizados “na presença dessa pessoa“, desejando que o novo vereador “tenha uma conduta democrática, apesar do nome“.

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