
Gabriel Galípolo em evento de tecnologia da Febraban 10.6.2025 – imagem reprodução
Ata do Banco Central indica que a taxa pode permanecer elevada por mais tempo devido à inflação persistente
RESUMO <<O Copom afirmou em sua ata que a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, deve permanecer elevada por mais tempo devido à inflação distante da meta de 3% e à robustez da economia brasileira. Apesar de reduzir o ritmo de alta para 0,25 ponto percentual em 18 de junho, o Banco Central prevê o fim do ciclo de aumentos em julho, mas destaca incertezas globais, como conflitos no Oriente Médio e a necessidade de cautela para assegurar o controle inflacionário>>
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Brasília, 22 de junho de 2025
A política monetária do Brasil enfrenta um cenário desafiador. O Comitê de Política Monetária (Copom), vinculado ao Banco Central (BC), anunciou que a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, deve seguir em patamares elevados por mais tempo do que o inicialmente projetado, conforme a Folha de S. Paulo.
A decisão reflete a dificuldade em alinhar as expectativas de inflação à meta de 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%. A robustez da economia doméstica e incertezas globais reforçam a cautela do comitê.
Na reunião de quarta-feira (18/jun), o Copom elevou a Selic em 0,25 ponto percentual, em decisão unânime, reduzindo o ritmo de alta. Apesar disso, o colegiado destacou que a atividade econômica permanece vigorosa, o que pressiona a inflação.
“O processo de moderação de crescimento segue ocorrendo, embora de forma bastante gradual”, diz a ata, sinalizando que a desaceleração econômica é lenta.
O comitê também enfatizou que o impacto dos juros elevados ainda se manifestará com maior intensidade nos próximos meses, devido à defasagem natural da política monetária.
O Copom reiterou que o ciclo de alta da Selic deve se encerrar em julho, mas condicionou a pausa à manutenção de condições que permitam a ação eficaz da política monetária.
“A construção da confiança necessária para definir o patamar apropriado de restrição monetária ao longo do tempo passa por assegurar que os canais de política monetária estejam desobstruídos”, destacou o documento. A fala reforça a preocupação com a eficácia das medidas adotadas.
No cenário internacional, o BC observou avanços, como a redução parcial de tarifas na guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos. Contudo, incertezas persistem, especialmente devido ao conflito no Oriente Médio, que pode impactar o mercado de petróleo.
Esses fatores, somados à volatilidade global, exigem maior prudência na condução da política de juros, segundo o comitê.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já havia sinalizado em evento em Brasília a necessidade de manter a vigilância. A ata reforça essa postura, indicando que o Copom está atento a sinais mistos na economia doméstica.
Apesar de certa moderação no crescimento, a força da atividade econômica ainda dificulta o controle inflacionário.
O Copom diz que precisa do equilíbrio entre conter a inflação e evitar uma desaceleração econômica abrupta.
A manutenção de juros altos por mais tempo pode impactar o consumo e o investimento, mas é vista como necessária para ancorar as expectativas inflacionárias.
Próximo encontro será em julho e o mercado aguarda sinais claros sobre o fim do ciclo de alta.









