| Brasília (DF)
26 de agosto de 2026
A Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., empresa para a qual o escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu e cancelou notas fiscais, entrou oficialmente em processo de liquidação.
A decisão foi tomada em Assembleia Geral Extraordinária realizada em 28 de julho, seis dias depois de a coluna de Tácio Lorran, no Metrópoles, revelar a ligação entre o senador e a empresa.
O que a Copenhagen tem a ver com o caso Master
Segundo apurou o próprio Metrópoles, a Copenhagen foi constituída em 1º de novembro de 2024, com capital social de apenas R$ 40.
Já no mês seguinte, dezembro de 2024, recebeu um primeiro repasse de R$ 11,2 milhões do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro; ao longo de 2025, o total injetado pela instituição financeira somou cerca de R$ 58 milhões.
A empresa não possui sede própria nem site — funciona, segundo registro na Receita Federal, no mesmo endereço da Contábil Correa, em um prédio comercial de São Caetano do Sul (SP).
Formalmente, a Copenhagen pertence ao fundo de investimentos Estônia, administrado pela Trustee DTVM — gestora que integra as investigações da Polícia Federal sobre suspeita de ocultação de patrimônio ligado ao grupo de Vorcaro.
O diretor da Copenhagen, Artur Figueiredo, também é gestor da Trustee DTVM.
As notas fiscais do escritório de Flávio
Em 7 de abril de 2025, o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu duas notas fiscais de R$ 500 mil cada em nome da Copenhagen, referentes a serviços de consultoria jurídica — ambas canceladas na mesma data de emissão.
Dois dias depois, em 9 de abril, o escritório emitiu uma terceira nota, também de R$ 500 mil, desta vez em favor da Contábil Correa, sem registro de cancelamento, segundo confirmou a CNN Brasil com base em dados da Receita Federal.
O elo entre as duas empresas citadas nas notas é o contador Rogério Lourenço Novo, que aparece na Receita Federal como diretor responsável pela Copenhagen e como único sócio da Contábil Correa.
Ele também integra o conselho fiscal da Ambipar, outra empresa da estrutura empresarial ligada a Vorcaro.
A versão de Flávio Bolsonaro
Procurada pela imprensa, a assessoria de Flávio Bolsonaro enviou nota afirmando que o escritório firmou contrato de assessoria jurídica com a BR Global, nome fantasia da Contábil Correa, e que chegou a ser consultado sobre a possibilidade de atender a Copenhagen como cliente, sem que a contratação se concretizasse.
“… não tendo o meu escritório recebido qualquer valor da Copenhagen Assessoria, razão pela qual as notas fiscais foram canceladas”, diz o comunicado.
O encerramento das atividades da Copenhagen, ocorrido logo depois da exposição pública do caso, chama atenção por coincidir exatamente com o período de maior repercussão do escândalo — o que costuma ser interpretado, em processos de apuração financeira, como tentativa de encerrar rastros documentais antes do aprofundamento de investigações formais.
O fato de a empresa nunca ter tido sede própria nem site reforça o padrão já descrito por reportagens anteriores sobre estruturas de fachada usadas para movimentar recursos do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025 em um dos maiores escândalos financeiros recentes do país, com rombo de cerca de R$ 49,5 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos.
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