No encontro, Itamaraty está sem respostas para compromissos assumidos em Glaslow, que não saíram do papel e o desmatamento não diminuiu
Lula é aguardado na COP27 com enorme expectativa. Na conferência climática da ONU, no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh, encabeçam a fila, para confersar com o Presidente eleito, o americano enviado especial para o clima, John Kerry, e representantes da Alemanha e da China.
No encontro, o novo governo vai oferecer o Brasil como sede da COP30, em 2025, além de que, provavelmente, confirmará “o nome do futuro ministro ou ministra do Meio Ambiente“, informam os jornalistas Janaína Figueiredo e Sérgio Roxo, no jornal O Globo.
Lula quer “marcar diferença em relação ao governo de Jair Bolsonaro e sinalizar que sua gestão pretende se empenhar no combate ao desmatamento da Amazônia“, diz o texto.
O “desmatamento zero” e “emissão zero de gases que causam o efeito estufa” devem estar na pauta, além do fim do “garimpo ilegal em terras indígenas“, a partir da criação do “Ministério dos Povos Originários“.
O Presidente eleito chegará ao Egito no dia 15, ao lado de sua esposa Janja, Fernando Haddad (PT) e de Celso Amorim, seu principal assessor internacional, cotado para assumir, pela terceira vez, o comando do Itamaraty ou uma assessoria especial da Presidência da República.
Em Sharm el-Sheikh, a delegação, que recebeu mais de 10 pedidos de encontros bilateriais, será recebida pelo embaixador no Cairo, Antônio Patriota, ex-chanceler do governo de Dilma Rousseff, ex-embaixador nos EUA e um dos diplomatas de longa trajetória e prestígio.
A reunião de Lula com o secretário-geral das ONU, António Guterres, será umas das mais importantes. Outra será com o presidente do Egito, Abdel Fatah al-Sisi.
O Itamaraty, representado pelo embaixador Paulino Franco de Carvalho Neto, secretário de Assuntos Multilaterais e Políticos, não tem boas notícias para dar ao mundo na COP27″, diz a matéria. Doze meses depois da última conferência do clima em Glasgow, na Escócia, os compromissos assumidos pelo Brasil não saíram do papel, e o desmatamento não diminuiu”.
Na COP26, o governo Bolsonaro assinou entendimentos para zerar o desmatamento ilegal até 2028, reflorestar 18 milhões de hectares até 2030, reduzir emissões de metano e recuperar 30 milhões de hectares de pastagens. Também se comprometeu a cortar pela metade a emissão de dióxido de carbono (CO2) até 2030, atingir a neutralidade de carbono em 2050 (isto é, compensar todas as emissões) e a ter, em 2030, de 45% a 50% de suas fontes de energia renováveis.
Na COP27, não estão previstos novos acordos ou a criação de novos instrumentos legais. Poderiam ser assinados entendimentos bilaterais, afirmou uma fonte, sobre temas que “têm a ver com mudanças climáticas, como florestas, por exemplo”.
