Conspiradores buscavam bons postos e isso dá uma ideia do tamanho do risco que o Brasil continuou correndo mesmo após o 8 de Janeiro, com tropas a duas horas de Brasília sob o comando de Mauro Cid – SAIBA MAIS
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O general Nilton Diniz Rodrigues chefiava até quinta-feira a 2ª Brigada de Infantaria de Selva de São Gabriel da Cachoeira (AM). O coronel Fabrício Moreira Bastos foi chamado de volta de Israel, onde era adido militar, na sexta-feira. O tenente-coronel Rodrigo Bezerra Azevedo era oficial do Estado-Maior prestando assessoramento ao Comando de Operações Especiais.
O primeiro foi substituído na sexta-feira (22/11). Ele era assessor direto do Comandante do Exército, Freire Gomes. O segundo e o primeiro foram indiciados por tentativa de golpe de Estado, devendo ficar em funções administrativas aguardando os acontecimentos. O terceiro não foi indiciado, mas foi preso na terça-feira (19/11) e afastado das funções.
Nomes como os dos generais Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira chamam mais a atenção, diz coluna de Míriam Leitão, no jornal O Globo, deste domingo (24/11). Segundo o texto na página da jornalista, o que realmente preocupa o Exército são os da ativa, supracitados, como Rodrigo Azevedo, que pode vir a ser indiciado, também Mauro Cid.
Leitão informa ainda que a “contaminação das Forças Armadas exibida agora mostra que o golpismo estimulado por Jair Bolsonaro foi longe“. O nome de Azevedo “foi o maior espanto dentro do Exército“, informa, “porque os outros já eram visados desde a [operação] Tempus Veritatis.
No Exército, os conspiradores buscavam bons postos, diz Leitão. Mauro Cid, por exemplo, teria ido no ano passado para o comando do 1oº Batalhão de Ações e Comandos, Unidade de Operações Especiais, em Goiânia, se o presidente Lula não tivesse interferido e demitido o então comandante do Exército, o general Júlio Cesar de Arruda, que insistia no nome de Cid.
A jornalista diz que tudo isso dá uma ideia do tamanho do risco que o Brasil continuou correndo mesmo após o 8 de Janeiro: “Tropas a duas horas de Brasília sob o comando de Mauro Cid. Imagina só“.
O coronel Hélio Ferreira Lima foi alcançado pela operação Tempus Veritatis, quando comandava a Companhia de Forças Especiais em Manaus. Ele foi afastado, ficou em função administrativa e acabou sendo preso no Rio de Janeiro, na última terça-feira. Outro coronel, Bernardo Romão Corrêa Neto, responsável por convocar kids pretos para reunião em Brasília, também foi preso na Tempus Veritatis, solto e, agora, novamente preso.
Leitão diz que, dentro do Exército, também houve investigação, porque o que se quer é que tudo se esclareça e que se punam os responsáveis. E informa que um inquérito policial militar concluiu que 37 militares estavam envolvidos na Carta ao Comandante do Exército, em que oficiais superiores instigavam seus comandantes ao golpe. Destes, três coronéis foram indiciados e um ainda está sob investigação.
Os golpistas que “estavam no comando no governo Bolsonaro” eram “o chefe da Casa Civil, o ministro da Defesa, o chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), o diretor-geral da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), o ministro da Justiça [e Segurança Pública], o diretor da Polícia Rodoviária Federal, o comandante da Marinha, o chefe adjunto da Secretaria Geral da Presidência“, diz Leitão, referindo-se respectivamente a Luiz Eduardo Ramos, Augusto Heleno, Alexandre Ramagem, Anderson Torres, Silvinei Vasques, Almir Garnier e Mário Fernandes.
“Mesmo o não indiciado general Luiz Eduardo Ramos exibe até hoje posições extremadas e devoção a Bolsonaro. O general Mourão, isolado pelas intrigas palacianas, é uma pessoa que tem como herói o torturador Brilhante Ustra. Ou seja, mesmo quem não está nos autos, estaria com Bolsonaro se fosse convocado”, avalia Leitão, que conclui:
“É preciso usar esse processo como fundamento da normalização da relação entre militares e civis. As Forças Armadas são fundamentais para o país, mas é preciso encerrar para sempre a sua interferência na política. O país esteve muito perto do abismo institucional e ainda não está em terreno totalmente seguro.
É essencial investigar tudo sobre a mais grave conspiração militar desde a ditadura. E punir todos os culpados. A impunidade nos trouxe até aqui. Quase 40 anos depois do fim da ditadura ainda tememos os mesmos fantasmas que nos infelicitaram por duas décadas”.
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