📷 O Presidente dos EUA Donald Trump passa pelo Presidente Lula sem cumprimentá-lo, durante a Cúpula do G7 na França, em junho de 2026 |•| O jornalista Leandro Demori durante exibição em seu canal A Grande Guerra / Imagens reprodução de vídeo |•| ARTE URBS MAGNA
| Brasília (DF)
30 de julho de 2026
O jornalista Leandro Demori acionou o alerta em seu canal no YouTube nesta quarta-feira (29/jul) ao revelar que o Consulado dos Estados Unidos em São Paulo está convocando influenciadores digitais para uma mesa redonda sobre “liberdade de expressão e o ambiente digital”.
Segundo Demori, a mensagem partiu do endereço oficial do consulado e foi enviada a criadores de conteúdo de diferentes portes, incluindo canais que atingem milhões de pessoas.
O jornalista afirmou que recebeu um print da comunicação, que não pôde mostrar a pedido da fonte, e que o convite é direcionado a um “pequeno grupo de influenciadores e criadores” para um encontro na semana que vem em São Paulo.
A mensagem termina com um apelo direto ao Itamaraty: “Em março tentaram mandar um cara para cá para fazer a mesma coisa, barrado pelo Itamaraty. Na semana passada tentaram enviar dois, barrados pelo Itamaraty. Atenção Itamaraty.”
Os participantes e o contexto político
Uma das convidadas confirmadas é Maria Fernanda Schmidt, apresentadora do canal Brasil Paralelo, conhecido por veicular conteúdos de extrema-direita e críticos ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em publicação no Instagram na última quinta-feira (23/jul), ela afirmou que a reunião foi “uma excelente oportunidade para compartilhar com os diplomatas os desafios enfrentados por influenciadores, jornalistas e produtores de conteúdo no ambiente digital”.
Ao lado de Schmidt, aparecem em fotos outros influenciadores bolsonaristas: Leandro Narloch, Rafael Ferri e Penélope Nova — todos ligados ao ecossistema digital que promove a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ataca o governo Lula.
Os encontros ocorrem em meio a uma escalada de tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Na terça-feira (28/jul), o presidente Donald Trump prorrogou por mais um ano a “emergência nacional” em relação ao Brasil, mantendo sanções e alegando que políticas do governo brasileiro ainda representam uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional dos EUA.
Histórico de interferência
A reunião com influenciadores não é um caso isolado. Segundo reportagem da Agência Pública, a Embaixada dos EUA no Brasil procurou o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, para articular uma agenda de Riley Barnes e Samuel Samson, integrantes do Departamento de Estado comandado pelo secretário Marco Rubio.
Os dois tiveram os vistos negados pelo Consulado do Brasil em Washington após informarem que pretendiam se reunir com aliados de Flávio Bolsonaro para discutir o processo eleitoral brasileiro.
O The Washington Post denunciou que o objetivo dos enviados de Trump era elaborar um relatório difundindo a narrativa de fraude nas urnas eletrônicas.
No entanto, a versão oficial apresentada ao Itamaraty era a de que promoveriam debates sobre liberdade de expressão.
Os encontros promovidos pelo consulado, somados às tentativas de envio de diplomatas e à renovação das sanções, formam um padrão de atuação da administração Trump que, na visão de integrantes do Palácio do Planalto, configura interferência direta no processo eleitoral brasileiro.
A reação do governo
Nos bastidores do governo federal, as reuniões são vistas como “parte de uma estratégia da direita internacional para fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro”.
Interlocutores do Planalto avaliam que a iniciativa se soma a uma série de gestos de Washington considerados tentativas de influenciar o debate eleitoral e desgastar a imagem do governo Lula.
O jornalista Leandro Demori encerrou seu alerta com um tom de urgência: “Atenção Itamaraty” — um chamado para que o Ministério das Relações Exteriores reaja à movimentação da diplomacia americana em território brasileiro.
GRAVÍSSIMO! O Jornalista Leandro Demori revelou que o consulado dos EUA, em pleno ano eleitoral, está COOPTANDO INFLUENCIADORES DIGITAIS para reuniões. Isso precisa chegar às autoridades e ser investigado! pic.twitter.com/vmVgr0Hk73
— Vinicios Betiol (@vinicios_betiol) July 29, 2026
O Itamaraty ainda não se manifestou oficialmente sobre a convocação dos influenciadores pelo Consulado dos EUA em São Paulo.
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