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Conselho de Segurança das Nações Unidas finalmente pede pausa humanitária na Faixa de Gaza, mas Israel decide por violação decisão

    Um palestino carregando uma criança corre após um ataque israelense em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, em 14 de outubro. (AFP)

    Doze dos quinze países apoiaram o texto aprovado pelo órgão da ONU, entre eles o Brasil. Os demais, os EUA, a Rússia e o Reino Unido, optaram pela abstenção

    O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou, nesta quarta-feira (15/11), uma pausa humanitária na Faixa de Gaza sob texto proposto por Malta – país na região central do Mediterrâneo, entre a Sicília e a costa do Norte da África, mas imediatamente após a decisão, o governo de Benjamin Netanyahu disse que não irá cumprir sob a alegação de que reféns ainda estão sendo mantidos pelo Hamas.

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    O embaixador de Israel na ONU, Gilad Erdan, chegou a dizer que a resolução está “desvinculada da realidade” e lamentou “que o conselho continue a ignorar e se recuse a condenar ou mesmo mencionar o massacre realizado pelo Hamas em 7 de outubro“.

    A estratégia do Hamas é deteriorar deliberadamente a situação humanitária na Faixa de Gaza e aumentar o número de vítimas palestinas para fazer com que a ONU e o Conselho de Segurança detenham Israel. Isso não acontecerá. Israel continuará a agir até que o Hamas seja destruído e os reféns sejam devolvidos“, disse Erdan, conforme transcrição de Jamil Chade, no ‘UOL‘.

    Depois de 40 dias de conflitos, essa foi a primeira vez que o órgão máximo chegou a um acordo, apesar do mandato do Conselho, que é zelar pela manutenção da paz e da segurança internacional. EUA, Rússia e Reino Unido optaram pela abstenção.

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    O texto também pede acesso de ajuda à população civil e que os reféns israelenses sob o controle do Hamas sejam liberados.

    Há três semanas, o Brasil havia apresentado uma proposta para o estabelecimento de uma trégua. A resolução brasileira conseguiu 12 dos 15 votos no Conselho, mas foi vetada pelos EUA sob o argumento de que não lidava com o direito a autodefesa de Israel. Outras três propostas tampouco passaram.

    Brasil apoiou projeto russo de ‘trégua que leve a suspensão de hostilidades’

    Antes da votação desta quarta-feira, o embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzya, apresentou uma emenda sugerindo a inclusão de um parágrafo que pedia uma “trégua humanitária” e que leve “a fim de hostilidade“. O texto era uma referência à resolução já aprovada na Assembleia Geral da ONU, mas que não contou com o apoio dos EUA e Israel.

    A proposta russa foi apoiada por cinco países, entre eles o Brasil. Nove ainda optaram por abstenção. A emenda, porém, recebeu o voto contrário do governo americano. “Isso quer dizer que vocês são favoráveis à continuação da guerra?“, questionou o embaixador russo.

    Quando a resolução foi colocada a um voto, o governo de Malta explicou que a resolução tem como objetivo dar “esperança” e focava na situação das crianças.

    Atenção às crianças

    O texto pede que “as partes cumpram suas obrigações de acordo com o direito internacional, incluindo o direito humanitário internacional, principalmente no que diz respeito à proteção de civis, especialmente crianças“.

    O centro da resolução era a proposta para que fossem estabelecidas “pausas e corredores humanitários urgentes e estendidos em toda a Faixa de Gaza por um número suficiente de dias para permitir o acesso humanitário completo, rápido, seguro e desimpedido para as agências humanitárias“.

    Entre os produtos que poderiam entrar estariam “água, eletricidade, combustível, alimentos e suprimentos médicos, bem como reparos de emergência em infraestruturas essenciais, e para permitir esforços urgentes de resgate e recuperação, incluindo crianças desaparecidas em prédios danificados e destruídos, e incluindo a evacuação médica de crianças doentes ou feridas e seus cuidadores“.

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    O texto também solicita a libertação imediata e incondicional de todos os reféns mantidos pelo Hamas e outros grupos, especialmente crianças, bem como a garantia de acesso humanitário imediato.

    Num outro trecho, a proposta solicitava que as partes que “se abstenham de privar a população civil da Faixa de Gaza de serviços básicos e assistência humanitária indispensáveis à sua sobrevivência“.

    A resolução pede ainda a proteção de equipes médicas e humanitárias, além de veículos, incluindo ambulâncias, locais humanitários e infraestrutura crítica, incluindo instalações da ONU. O conflito já fez 101 mortos entre os funcionários das Nações Unidas.

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