Doze dos quinze países apoiaram o texto aprovado pelo órgão da ONU, entre eles o Brasil. Os demais, os EUA, a Rússia e o Reino Unido, optaram pela abstenção
O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou, nesta quarta-feira (15/11), uma pausa humanitária na Faixa de Gaza sob texto proposto por Malta – país na região central do Mediterrâneo, entre a Sicília e a costa do Norte da África, mas imediatamente após a decisão, o governo de Benjamin Netanyahu disse que não irá cumprir sob a alegação de que reféns ainda estão sendo mantidos pelo Hamas.
O embaixador de Israel na ONU, Gilad Erdan, chegou a dizer que a resolução está “desvinculada da realidade” e lamentou “que o conselho continue a ignorar e se recuse a condenar ou mesmo mencionar o massacre realizado pelo Hamas em 7 de outubro“.
“A estratégia do Hamas é deteriorar deliberadamente a situação humanitária na Faixa de Gaza e aumentar o número de vítimas palestinas para fazer com que a ONU e o Conselho de Segurança detenham Israel. Isso não acontecerá. Israel continuará a agir até que o Hamas seja destruído e os reféns sejam devolvidos“, disse Erdan, conforme transcrição de Jamil Chade, no ‘UOL‘.
Depois de 40 dias de conflitos, essa foi a primeira vez que o órgão máximo chegou a um acordo, apesar do mandato do Conselho, que é zelar pela manutenção da paz e da segurança internacional. EUA, Rússia e Reino Unido optaram pela abstenção.
O texto também pede acesso de ajuda à população civil e que os reféns israelenses sob o controle do Hamas sejam liberados.
Há três semanas, o Brasil havia apresentado uma proposta para o estabelecimento de uma trégua. A resolução brasileira conseguiu 12 dos 15 votos no Conselho, mas foi vetada pelos EUA sob o argumento de que não lidava com o direito a autodefesa de Israel. Outras três propostas tampouco passaram.
Brasil apoiou projeto russo de ‘trégua que leve a suspensão de hostilidades’
Antes da votação desta quarta-feira, o embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzya, apresentou uma emenda sugerindo a inclusão de um parágrafo que pedia uma “trégua humanitária” e que leve “a fim de hostilidade“. O texto era uma referência à resolução já aprovada na Assembleia Geral da ONU, mas que não contou com o apoio dos EUA e Israel.
A proposta russa foi apoiada por cinco países, entre eles o Brasil. Nove ainda optaram por abstenção. A emenda, porém, recebeu o voto contrário do governo americano. “Isso quer dizer que vocês são favoráveis à continuação da guerra?“, questionou o embaixador russo.
Quando a resolução foi colocada a um voto, o governo de Malta explicou que a resolução tem como objetivo dar “esperança” e focava na situação das crianças.
Atenção às crianças
O texto pede que “as partes cumpram suas obrigações de acordo com o direito internacional, incluindo o direito humanitário internacional, principalmente no que diz respeito à proteção de civis, especialmente crianças“.
O centro da resolução era a proposta para que fossem estabelecidas “pausas e corredores humanitários urgentes e estendidos em toda a Faixa de Gaza por um número suficiente de dias para permitir o acesso humanitário completo, rápido, seguro e desimpedido para as agências humanitárias“.
Entre os produtos que poderiam entrar estariam “água, eletricidade, combustível, alimentos e suprimentos médicos, bem como reparos de emergência em infraestruturas essenciais, e para permitir esforços urgentes de resgate e recuperação, incluindo crianças desaparecidas em prédios danificados e destruídos, e incluindo a evacuação médica de crianças doentes ou feridas e seus cuidadores“.
O texto também solicita a libertação imediata e incondicional de todos os reféns mantidos pelo Hamas e outros grupos, especialmente crianças, bem como a garantia de acesso humanitário imediato.
Num outro trecho, a proposta solicitava que as partes que “se abstenham de privar a população civil da Faixa de Gaza de serviços básicos e assistência humanitária indispensáveis à sua sobrevivência“.
A resolução pede ainda a proteção de equipes médicas e humanitárias, além de veículos, incluindo ambulâncias, locais humanitários e infraestrutura crítica, incluindo instalações da ONU. O conflito já fez 101 mortos entre os funcionários das Nações Unidas.



