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Conselho de Paz lançado por Trump em Davos é alternativa à ONU ou uma nova ordem mundial?

    Líderes globais dividem-se entre apoio e rejeição enquanto Brasil avalia convite com cautela diplomática

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    O presidente
    O presidente americano Donald Trump durante a apresentação do seu ‘conselho de paz’. Ao fundo, representantes do Paraguai, Paquistão, Argentina, Hungria, Turquia, Armênia, Kosovo e Azerbaijão. FOTO Fabrice COFFRINI/AFP

    RESUMO

    Donald Trump lançou em 22/jan, no Fórum de Davos, o Board of Peace como órgão para reconstruir Gaza e resolver conflitos globais, com taxa de US$1 bi por assento permanente e ele como chairman vitalício. Cerca de 25 países aderiram, como Israel, Arábia Saudita e Argentina; Europa (França, Alemanha, Reino Unido) rejeita por temor à ONU; Rússia e China analisam. Brasil, sob Lula, avalia convite com cautela, priorizando multilateralismo, segundo mídias nacionais.


    Brasília (DF) · 22 de janeiro de 2026

    No Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou oficialmente, nesta quinta-feira (22/jan), o lançamento do Board of Peace (Conselho de Paz), uma iniciativa que começou focada na reconstrução e estabilização da Faixa de Gaza após o cessar-fogo de 2025, mas que agora carrega ambições globais de resolução de conflitos.

    A cerimônia de assinatura da carta fundadora reuniu cerca de duas dúzias de líderes e representantes, gerando imediata polarização internacional e debates sobre o futuro da governança multilateral.

    O Board of Peace, presidido por Trump — que pode exercer o cargo de forma vitalícia —, cobra US$ 1 bilhão por assento permanente e promete promover estabilidade, governança legal e paz duradoura em regiões afetadas por conflitos.

    Trump descreveu o órgão como “um dos corpos mais consequentes já criados na história do mundo”, afirmando que ele pode atuar “em praticamente qualquer coisa que quisermos”.

    Embora negue ser uma substituição direta da ONU, o presidente americano criticou repetidamente a organização por ineficiência, sugerindo que o novo conselho poderia colaborar — ou, em alguns momentos, superar — o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

    Entre os membros do conselho executivo destacam-se o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e o genro de Trump, Jared Kushner.

    A lista de signatários iniciais inclui Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Egito, Jordânia, Turquia, Indonésia, Paquistão, Argentina (com Javier Milei), Hungria (Viktor Orban), Marrocos, Bahrein, entre outros — totalizando cerca de 25 a 30 países. Rússia e China permanecem em análise cautelosa.

    As reações globais revelam profundas divisões geopolíticas. Nos Estados Unidos, Trump celebrou o lançamento como um marco de ação concreta, contrastando com a lentidão da ONU.

    Na Europa, porém, o ceticismo prevalece. A França rejeitou formalmente, com o ministro das Relações Exteriores Jean-Noël Barrot declarando que a iniciativa é “incompatível com os compromissos internacionais da França”.

    A Alemanha expressou preocupações semelhantes sobre o multilateralismo. O Reino Unido optou por não assinar inicialmente, citando inquietações com a possível inclusão da Rússia. Países como Noruega, Suécia, Bélgica e Canadá também manifestaram reservas, temendo enfraquecimento da ONU.

    No Oriente Médio, a adesão foi mais calorosa: Israel (com Benjamin Netanyahu) e um bloco de nações muçulmanas — Arábia Saudita, Egito, Jordânia, Qatar, Emirados Árabes Unidos — emitiram declaração conjunta apoiando o conselho como via para estabilidade regional.

    Argentina aceitou com entusiasmo, e Hungria reforçou aliança com Trump.

    A Rússia estuda a proposta, enquanto Putin reconhece esforços americanos em conflitos como Ucrânia e Gaza.

    No Brasil, o governo Luiz Inácio Lula da Silva recebeu convite formal via Embaixada dos EUA em Washington e está avaliando com prudência. Fontes diplomáticas indicam que a decisão não será precipitada, priorizando o compromisso brasileiro com o multilateralismo e princípios humanitários.

    O Itamaraty analisa detalhes como participação de palestinos e israelenses, e a resposta deve vir na semana seguinte.

    Mídias nacionais destacam temores de que o conselho se torne uma “ONU paralela” controlada por Washington, o que poderia complicar relações bilaterais pós-crise tarifária.

    Essa nova estrutura, que mistura diplomacia com incentivos financeiros, marca um ponto de inflexão na ordem global, opondo inovação unilateral a tradições multilaterais e testando alianças em um mundo cada vez mais fragmentado.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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