Relatório alarmante revela a devastadora perda de vidas em Gaza, com mais de 434 mil mortos, denunciando possível genocídio e silêncio da mídia global
Brasília, 26 de julho de 2025
Um artigo do advogado e ativista ambiental americano Steven Donziger tem viralizado nos últimos dias nas redes sociais. Nele, o autor aborda o conflito Israel-Gaza e a estimativa chocante do número de mortos no enclave desde o início da guerra, em 8 de outubro de 2023.
Donziger aponta um estudo publicado pela prestigiada revista médica The Lancet estimando que as ações militares de Israel em Gaza causaram cerca de 434,8 mil mortes, o equivalente a 20,7% da população de 2,1 milhões antes do conflito.
O cálculo, feito pelo estudante Coll McCail, de Glasgow, considera mortes diretas por ataques militares e indiretas, resultantes de fome, doenças e falta de acesso a cuidados médicos, agravados pelas restrições de Israel à ajuda humanitária.
Esse número, comparável à perda proporcional de 70 milhões de pessoas nos Estados Unidos, tem sido amplamente ignorado pela mídia corporativa, levantando sérias questões sobre responsabilidade jornalística.
A Organização das Nações Unidas (ONU) classificou Gaza como o “lugar mais faminto do planeta”, com missões de ajuda humanitária enfrentando obstáculos extremos, o que intensifica a tragédia.
Steven Donziger destaca que a destruição da infraestrutura de saúde em Gaza, incluindo hospitais e necrotérios, tornou impossível obter números exatos de mortes.
No entanto, a estimativa de The Lancet, baseada em uma média de 732 mortes diárias durante os 594 dias de conflito até 21 de julho de 2025, oferece uma visão clara da escala do desastre, que pode até ser subestimada devido à deterioração das condições no território.
A ausência de cobertura detalhada por grandes veículos de mídia, como o The New York Times, é vista como uma falha moral e institucional que protege a impunidade do governo de Benjamin Netanyahu.
A análise de Donziger compara a devastação em Gaza às atrocidades de Pol Pot no Camboja entre 1975 e 1979, reforçando acusações de genocídio que estão sendo julgadas no Tribunal Internacional de Justiça.
Pol Pot foi o líder do Khmer Vermelho e primeiro-ministro do Camboja, responsável por um dos regimes mais brutais da história. Sob seu comando, foi implementado um radical experimento que resultou na morte de aproximadamente 1,5 a 2 milhões de pessoas (cerca de 25% da população) por execuções, fome e trabalhos forçados.
Seu regime, marcado pela eliminação de intelectuais, urbanização forçada e supressão de liberdades básicas, foi derrubado pela invasão vietnamita em 1979.
Pol Pot fugiu e permaneceu ativo na guerrilha até ser preso por seus próprios companheiros em 1997, morrendo sob custódia em 1998 sem enfrentar julgamento por seus crimes. Seu legado é sinônimo de genocídio e terror ideológico.
O cálculo de McCail, feito de forma simples em um pedaço de papel, expõe a relutância da mídia em confrontar a magnitude da violência, permitindo que os responsáveis evitem, temporariamente, a plena responsabilização.
Essa tragédia humanitária exige atenção global urgente. As estimativas, embora aproximadas, sublinham a necessidade de investigações independentes e ações para garantir justiça às vítimas.
A comparação com o extermínio de populações inteiras, como as dos estados de Califórnia e Nova York, destaca a gravidade do que está acontecendo em Gaza, um território transformado em um campo de morte em escala industrial, segundo Donziger.
A pressão por transparência deve crescer para que o mundo não feche os olhos diante de tamanha catástrofe.








